Para Otacílio, falta de transição manteve esquema criminoso

O prefeito Otacílio entregou ao delegado os relatórios que recebeu no início de 2013, com informações financeiras falsas

O prefeito Otacílio Assis (PSB) disse na manhã desta terça-feira, 18, após deixar o prédio da Central de Polícia Judiciária, que somente com uma delação premiada será possível descobrir a real dimensão do desfalque criminoso operado desde 2001 pela ex-tesoureira Sueli de Fátima Feitosa, além dos nomes de outros envolvidos no desvio. Ele voltou a dizer que a falta de transição administrativa, no final do governo de Maura Macieirinha (PSDB), impediu a descoberta do rombo.

O prefeito foi convidado para prestar esclarecimentos a pedido do advogado Luiz Henrique Mitsunaga, defensor de Sueli Feitosa, da irmã Camila Souza e do cunhado, Adilson Gomes de Souza. Segundo ele, foram “perguntas banais” relacionadas à administração.

Otacílio assegurou que a falta de transição em 2012 foi fundamental para manter o esquema criminoso. Ele contou que, na época, integrantes do governo tucano alegavam a existência de “convênios pendentes” para evitar relatar a real situação das finanças públicas naquele momento. Depois de empossado, Otacílio recebeu do então secretário de Finanças Armando Cunha – que foi mantido no governo até o início deste ano – um relatório contendo informações falsas. Ele entregou à polícia cópia do mesmo relatório assinado pelo ex-secretário.

Para Otacílio, o governo Maura, na verdade, fechou 2012 com um déficit financeiro, o que não é permitido pela legislação e poderia, inclusive, acarretar na rejeição das contas pelo Tribunal de Contas do Estado. “Neste caso, ela nem poderia ter sido candidata a vereadora”, informou. O prefeito lembrou, contudo, que a própria prefeita da época, Maura Macieirinha, possivelmente não sabia que os números estavam adulterados. Ele explicou que no papel havia um superávit de R$ 800 mil, enquanto o rombo era superior a R$ 1 milhão. “A Maura não me entregou nenhum documento e nem autorizou secretários a fazer”, disse.

O prefeito suspeita de que a dificuldade em entregar documentos no final de 2012 pode ter sido provocada por pessoas que sabiam do desfalque. “No meio de um fato político, alguém pode ter se aproveitado para dificultar a parte financeira porque, com certeza, sabia do esquema. Afinal, a pessoa que estava roubando estava lá, assim como eventuais parceiros”, disse Otacílio. “Mas quem pode falar sobre isso é a própria Sueli”, emendou, defendendo a delação premiada da ex-tesoureira. “Se ela delatar todas as pessoas da administração passada e do atual governo que foram coniventes e participaram [do crime], haverá uma reação em cadeia”, afirmou.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate