Advogado pretende ‘melar’ o processo de demissão de Sueli

“NÃO HÁ PROVAS” — O advogado Luiz Henrique Mitsunaga dá entrevista na frente do prédio da Central de Polícia Judiciária, na tarde de quinta-feira

Mitsunaga apresentou uma série de pedidos à
procuradoria, entre eles a suspensão do processo

O advogado Luiz Henrique Mitsunaga, que defende a ex-tesoureira Sueli Feitosa, esteve na prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo na última quinta-feira, 13, para apresentar as alegações finais no processo administrativo que pode resultar na demissão da servidora “a bem do serviço público”. No entanto, ele pediu no documento uma série de providências, entre elas a suspensão imediata do processo.
“Estou apontando uma série de nulidades no processo disciplinar e insistindo na produção de provas, inclusive apresentando um rol de testemunhas”, disse. Para Mitsunaga, há condições, inclusive, de suspensão do processo porque, entre outras irregularidades, a própria Sueli Feitosa não foi ouvida nos autos. “Estou pedindo isso, além da suspeição da comissão que atua no caso, pois ela atende apenas os desígnios do prefeito”, afirmou. “Não há nenhuma prova do desvio dentro deste processo”, disse.
Ao ser lembrado do fato de que Sueli, quando foi interrogada na condição de presa pelos delegados de Santa Cruz em março, chegou a ser intimada para ser ouvida, o advogado disse que era uma situação diferente. “Ela não tinha condições alguma de depor no processo disciplinar. Aliás, ela foi intimada à noite”, contou.
O advogado também não concorda com a insistência da administração em convocar Sueli Feitosa para o trabalho. Há semanas, a procuradoria notificou a ex-tesoureira para assumir uma função no cemitério de Santa Cruz do Rio Pardo.

Sueli Feitosa, ex-tesoureira da prefeitura, ainda é servidora pública
Sueli Feitosa, ex-tesoureira da prefeitura, ainda é servidora pública

Mitsunaga disse que Sueli Feitosa tem férias vencidas e direito a várias licenças. “Estou solicitando que isto seja levado em conta para manter o afastamento dela”, explicou.
Ele não descarta a possibilidade de recorrer ao Poder Judiciário ou à Justiça do Trabalho caso a prefeitura comece a anotar faltas para a servidora. “Ela não tem condições de trabalhar neste momento. Veja que o próprio prefeito, que agora chama a Sueli para trabalhar, já sugeriu que ela se mate, que tome soro da verdade e, inclusive, chama minha cliente de ladra”, protestou. “Na verdade, é como se a Sueli estivesse sendo encaminhada para uma arapuca”, disse.
O advogado também lembrou que há uma ordem judicial proibindo Sueli Feitosa de entrar no prédio da prefeitura ou ter contato com algum ex-colega do setor de finanças e contabilidade.
Na quinta-feira, durante a entrevista, o advogado ainda não sabia que a provável CPI da Câmara já estava sob risco de não sair do papel. Mesmo assim, elogiou a atitude dos vereadores e garantiu que, caso seja convocada, Sueli iria depor aos parlamentares da CPI.
“Vejo com muito bons olhos, desde que seja um trabalho sério e que os vereadores queiram realmente apurar. Caso contrário, será perda de tempo e dinheiro jogado fora”, avaliou. Para Mitsunaga, a Câmara tem condições de apurar casos que ainda não foram alcançados pela polícia. “São contratos, empenhos, pagamentos, absolutamente tudo. É uma CPI tardia, mas pode ajudar a investigação, trazendo à luz situações que ainda estão obscuras”, afirmou.

Bloqueio

Mitsunaga também compareceu quinta-feira, 13, à Central de Polícia Judiciária para protocolar um pedido de liberação de veículos do empresário Adilson Gomes de Souza, que estão bloqueados. Cunhado de Sueli Feitosa, ele também ficou preso por quatro meses por suposta obstrução da Justiça.
Adilson teve vários veículos e caminhões bloqueados, embora ainda esteja usando a maioria. Dois deles foram sequestrados e estão no pátio da permissionária judiciária. O pedido será analisado pelos delegados.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate