Sodrélia ganha uma nova ‘Esperança’

Fachada dos prédios da “Fazenda Esperança”, inaugurada ontem no distrito de Sodrélia

Fazenda exclusiva para mulheres é
inaugurada no distrito de Santa Cruz

A filipina Jamaica, uma das coordenadoras do projeto, faz pronunciamento
A filipina Jamaica, uma das coordenadoras do projeto, faz pronunciamento

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O bispo dom Salvador Paruzzo celebrou na tarde de ontem uma missa que marcou a inauguração da “Fazenda da Esperança São Domingos de Gusmão”. A unidade do distrito de Sodrélia já estava em funcionamento há 90 dias e integra uma instituição assistencial que possui áreas semelhantes em vários países do mundo. Na região, a mais próxima fica em Piraju, mas atende exclusivamente homens.
A “Fazenda da Esperança” é um local destinado ao tratamento e acolhimento de mulheres com problemas de dependência química. A instituição tem caráter filantrópico e sem fins lucrativos, contando incialmente com uma equipe de 20 voluntários. A presidente é Tânia Maria Terezan. Já existem oito mulheres acolhidas na “fazenda” de Sodrélia.
Segundo o tesoureiro da “Fazenda da Esperança”, Pedro Milton Pegorer, a instituição surgiu graças ao trabalho do frei Hans Stapel, de Guaratinguetá (SP), que há 32 anos iniciou um trabalho com dependentes químicos numa área rural. Deu tão certo que o modelo se espalhou pelo mundo. Hoje, há unidades na Itália, Alemanha ou México. No Brasil, existem mais de 90 “Fazendas da Esperança”.
Nos próximos dias, mais oito mulheres deverão chegar à instituição em Sodrélia. A capacidade média deverá ser de 25 internas.
O interessante é o modelo empregado para gerir a obra social. A construção, por exemplo, foi feita graças a recursos doados pela Conferência Episcopal Italiana, através de pedidos diretos do bispo de Ourinhos, dom Salvador Paruzzo. “Ele foi pessoalmente à Itália levar o projeto”, contou Pedro Milton Pegorer.
O terreno de 15 mil metros, nos fundos da Igreja católica de Sodrélia, foi doado pelos padres dominicanos de Santa Cruz do Rio Pardo.
A obra começou em maio do ano passado. São três imóveis, sendo duas casas para acomodações das pacientes. “É tudo de primeira, um espetáculo”, elogia Pegorer.

Liberdade

INAUGURAÇÃO — Padres dominicanos durante a solenidade de ontem
INAUGURAÇÃO — Padres dominicanos durante a solenidade de ontem

Uma das coordenadoras da unidade de Sodrélia é uma jovem que veio das Filipinas. Viciada em drogas, Jamaica conseguiu se recuperar numa das unidades existentes naquele país e há três anos veio ao Brasil para ajudar na implantação de outras unidades. Jamaica também é voluntária.
O sistema de internato das mulheres vítimas de dependência química é livre. “Ninguém fica presa e pode deixar o local quando quiser. No entanto, a fazenda tem uma equipe para assistir e convencer a paciente a continuar o tratamento”, contou Pegorer.
O alicerce de tudo é a fé cristã. “Tudo fica para trás quando a pessoa encontra Deus e entende a harmonia das obras divinas em sua vida. Esses são detalhes importantes para a recuperação, porque viver em um lugar bom e harmonioso colabora no recomeço de vida das jovens”, diz a presidente da “Fazenda da Esperança”, Tereza Maria Terezan.
Segundo Pegorer, o ideal é a paciente permanecer no mínimo um ano no local. Ele aponta o risco de recaída no vício, fato que é considerado normal neste tipo de tratamento.
De acordo com o tesoureiro, o índice de recaída é estimado em 30%. É por isso, por exemplo, que a “Fazenda” de Sodrélia vai atender preferencialmente mulheres de outras regiões. O objetivo é evitar a proximidade com o traficante, que geralmente fica ‘rodeando’ a vítima. “Além disso, é recomendável que a paciente permaneça afastada da família pelo menos nos três primeiros meses”, explicou.

Autossustentável

O sistema para manutenção da “Fazenda da Esperança” também é inovador. A entidade pretende ser autossustentável, fabricando doces e artesanatos para obter renda. As famílias das pacientes também podem colaborar, levando mensalmente uma espécie de “cesta básica” para oferecer a amigos.
Segundo Pegorer, a unidade de Sodrélia possui horta própria — totalmente orgânica, que já está em produção —, um local para criação de aves e um imóvel onde será implantada a fábrica de doces. Outras unidades produzem produtos diferentes, inclusive tipos de detergentes, e existe um intercâmbio entre elas.


Veja mais imagens da inauguração
(Fotos: Lucas Pereira)

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Proprietário e Editor do Jornal Debate