ONG recupera as nascentes de Santa Cruz

Estudantes trabalham no plantio de mudas nas margens de pequenos ribeirões

Projeto beneficia pequenos produtores
e restaura os mananciais de ribeirões

Pequenos ribeirão são recuperados
Pequenos ribeirão são recuperados

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Um dos projetos mais importantes da ONG “Rio Pardo Vivo” foi implantado há dois anos: a recuperação de nascentes e ribeirões de Santa Cruz. Segundo Luiz Carlos Cavalchuki, um dos membros da entidade, o objetivo é firmar uma parceria com pequenos produtores rurais para reflorestar nascentes e ribeirões degradados. A única exigência é que o local não tenha sido objeto de multa ambiental.
A ONG surgiu em 2002 através de um grupo de amigos amantes do Pardo, que costumavam navegar em caiaques pelo rio. Desde então, se notabiliza por campanhas a favor da recuperação e preservação de mananciais ligados ao rio. Em 2009, a “Rio Pardo Vivo” iniciou sua campanha mais difícil, que é evitar a construção de usinas hidrelétricas ao longo do rio.
Cavalchuki diz que o projeto “Nascentes” tem como lema “é preciso plantar florestas para colher água”. A missão é proteger as nascentes e ribeirão de Santa Cruz do Rio Pardo, buscando garantir a quantidade de água ao longo do leito do rio.
Após a parceria firmada com o produtor, a própria ONG faz um levantamento sobre a situação da nascente, inclusive com um projeto técnico dentro das normas ambientais. “O produtor cerca sua nascente e a margem do rio, enquanto a ONG inicia parcerias com entidades e empresas para a aquisição de mudas.

CONSCIÊNCIA — Estudantes e empresas participam do trabalho da ONG
CONSCIÊNCIA — Estudantes e empresas participam do trabalho da ONG

Na verdade, muitos pequenos produtores não têm condições de investir na recuperação de suas nascentes. “Alguns nos procuram e contam o problema. Então, preparamos um projeto para revitalizar toda a nascente”, explicou. Segundo o dirigente da ONG “Rio Pardo Vivo”, o manancial pode ser degradado pelo fato de estar descoberto ou ser alvo de animais.
De acordo com Cavalchuki, empresas como a Duke Energy — atual “Paranapanema Energia” —, Special Dog e Sabesp colaboram com o projeto. “Atualmente, o custo de cada muda plantada gira em torno de R$ 15 durante dois anos”, disse o ecologista, que também é funcionário da Sabesp.
Nas nascentes onde o projeto está sendo aplicado, a ONG também realiza um trabalho de educação ambiental, levando ao local estudantes, detentas da Fundação Casa (ex-Febem), funcionários de empresas e da comunidade em geral. “O objetivo é mostrar a importância da consciência ambiental”, conta Luiz Carlos.
Desde que o projeto “Nascentes” começou, Luiz Carlos Cavalchuki diz que já foram recuperadas diversas nascentes e ribeirões na zona rural de Santa Cruz do Rio Pardo, totalizando cerca de 20 mil árvores plantadas.

web ong rio pardo vivo 4 1904Em Sodrélia

Um dos projetos da ONG em andamento fica no distrito de Sodrélia, na nascente do ribeirão Água do Macuco. Segundo Cavalchuki, o manancial também fornece água para o próprio produtor e foi totalmente remodelado em alvenaria. Estão sendo plantadas 6.500 árvores, o equivalente a seis campos de futebol.
O produtor só tem o trabalho de permitir o trabalho da ONG. “A partir da recuperação, o proprietário da área pode administrar e cuidar da nascente”, conta o técnico da Sabesp.
Como cada projeto é complexo, a ONG procura realizar apenas dois projetos por ano. “Depois de feitas as adequações, o local é monitorado durante um ano e meio”, disse Cavalchuki. As árvores plantadas, aliás, são escolhidas a dedo, pois são próprias para as nascentes de ribeirões ou pequenos riachos.
Os benefícios vão além da preservação do Meio Ambiente. “É uma opção para o produtor não ser multado e, ainda, ter sua nascente totalmente recuperada”, explicou Cavalchuki.

Mutirão de limpeza

Na manhã deste domingo, 1º de outubro, a ONG “Rio Pardo Vivo” está programando uma limpeza no ribeirão São Domingos, no leito urbano que corta Santa Cruz do Rio Pardo. Será o 6º “Mutirão de Limpeza do Ribeirão Domingos”.
Embora agendado com antecedência, os técnicos da ONG ainda fariam uma vistoria no ribeirão na tarde de ontem, devido às chuvas. Os institutos de meteorologia não estão prevendo chuva para a manhã de hoje, mas o problema é o São Domingos encher. Se tiver muito acima do nível, a ONG deverá agendar uma nova data.
A mobilização está prevista para começar às 9h e vai até 12h, sendo o ponto inicial a ponte do bairro Jardim Ipê. Nas últimas edições, várias toneladas de entulhos foram retiradas do ribeirão.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate