São Bernardo oferece atletas para Santacruzense em 2018

“SUSPENSE” — Uso do estádio ‘Leônidas Camarinha’ pelo time está sendo discutido com o Ministério Público

Esportiva ainda tem dilema para a próxima temporada:
usar o estádio ‘Leônidas Camarinha’ após condenação

Os três principais nomes da nova diretoria da Esportiva Santacruzense estiveram em São Paulo na última terça-feira, 26, para acertar possíveis “parcerias” para a disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão. A mais provável é o empréstimo de jogadores do São Bernardo, time que disputa a primeira divisão do futebol paulista e o Campeonato Brasileiro da série D. O presidente da Esportiva, Domingos do Carmo, viajou na companhia do vice Cláudio Antoniolli e do diretor de Futebol Luciano “Galeguinho” Rosalém.
Segundo o vice-presidente Cláudio Antoniolli, na Assembleia Legislativa o trio visitou, além do deputado santa-cruzense Ricardo Madalena (PR), o deputado estadual Luiz Fernando Teixeira Ferreira (PT), que é ligado ao São Bernardo.
“Ele disse que o clube pode nos oferecer jogadores para a próxima temporada, inclusive com os salários pagos pelo São Bernardo. A proposta é ótima, uma vez que o campeonato da Segunda Divisão é Sub-23”, contou Antoniolli. O problema, segundo o vice-presidente, é providenciar acomodações para os atletas. “Temos estrutura muito boa para a alimentação, pois existe colaboração de várias empresas de Santa Cruz, inclusive cerealistas. Mas ainda não há nada definido para o alojamento”, disse.
Na temporada de 2015, a última disputada pela Esportiva, os jogadores ficaram alojados na antiga sede do BAC, no Jardim Eleodoro. “O grande problema é que chovia mais dentro do que fora”, brincou Cláudio.
A diretoria planeja alugar um imóvel para acomodar os jogadores. Segundo ele, o São Bernardo pode emprestar até 10 jogadores à Santacruzense. O restante seriam atletas de Santa Cruz do Rio Pardo e região, escolhidos numa espécie de “peneira” a ser realizada no final do ano ou início de 2018.
Na conversa, o deputado Luiz Fernando Teixeira também admitiu ter bom relacionamento com o presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza, que também pode propor uma parceria com a Santacruzense. Aliás, o São Caetano já foi parceiro da Esportiva em meados dos anos 2000.
O clube também acertou a contratação do técnico Claudinho Batista para treinar o time na próxima temporada. Afastado dos gramados após sofrer uma cirurgia, Batista já estaria “apalavrado” com a diretoria do tricolor.

Dilema do estádio

O presidente Domingos do Carmo, o vice Cláudio Antoniolli e o diretor de Futebol Luciano “Galeguinho” Rosalém também estiveram na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) para acertar detalhes da participação da Santacruzense no campeonato paulista da Segunda Divisão em 2018. “Pelo que vimos, não há nenhuma pendência do clube”, disse Antoniolli.
No entanto, há uma pendência complicada que a diretoria está tentando solucionar: o uso do estádio municipal “Leônidas Camarinha”. O clube foi condenado, juntamente com o ex-prefeito Adilson Mira (PSDB) e o ex-diretor de Esportes Pedro Lombardi, numa ação que denunciou repasses ilegais de dinheiro público ao clube de futebol a partir de 2006, determinados por Adilson Mira, no conhecido “escândalo da linguiça”.
A pena maior foi imposta ao clube, que terá de devolver o valor de todos os repasses — hoje, atualizada, uma quantia superior a R$ 300 mil — e ainda está proibido de receber benefícios do Poder Público por cinco anos. O Ministério Público entende que o uso do estádio municipal pode ser considerado um benefício.
A diretoria está discutindo o problema com o promotor Reginaldo Garcia, alegando que há uma lei anterior que permite o uso do estádio. O Ministério Público pode aceitar os argumentos do clube, desde que a prefeitura também ceda o espaço esportivo para outras competições ou entidades.
A solução mais viável para o fim do impasse, segundo contou Cláudio Antoniolli, é o clube fazer uma proposta ao Ministério Público para o parcelamento da dívida, que deverá ser quitada na prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo. “Não temos ainda a mínima ideia de como pagar estes valores. Podemos até propor a realização de jogos beneficentes, com portões abertos, ou alguma outra atividade neste sentido. Mas tudo ainda vai depender do prefeito aceitar esta proposta. O Ministério Público já disse que não se opõe”, afirmou Antoniolli.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate