Polícia “caça” documentos na contabilidade da prefeitura de Santa Cruz

À direita, funcionários do setor de Finanças que deixaram seus postos para o trabalho da Polícia Civil (à esquerda)

Policiais ocupam todas as repartições
ligadas à contabilidade da prefeitura

O guichê da tesouraria de atendimento ao público foi fechado
O guichê da tesouraria de atendimento ao público foi fechado

A maior operação em prédios públicos desde que o caso de desvio de dinheiro da prefeitura veio a público, no final do ano passado, foi desencadeada na manhã desta segunda-feira, 9. Com autorização da Justiça, os três delegados de polícia da cidade – Renato Mardegan, Valdir Alves de Oliveira e Isabel Bertoldo – estão fazendo buscas no prédio da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo e em mais dois imóveis onde se encontram arquivos de documentos da administração. Além dos delegados, participam da operação investigadores de polícia e até escrivães da Central de Polícia Judiciária (CPJ).

A Polícia Civil chegou ao prédio às 10h, quando todos os funcionários do setor de Finanças tiveram de deixar seus postos. As repartições, então, foram ocupadas por policiais que estão analisando milhares de documentos. O delegado Renato Mardegan confirmou que a operação foi solicitada pela Polícia Civil ao Judiciário. Ele também disse que as buscas estão focadas em documentos previamente determinados.

O guichê de atendimento ao público foi fechado, embora o expediente na prefeitura não tenha sido interrompido. A imprensa acompanhou os trabalhos à distância, mas no final do expediente da manhã, por ordem do prefeito Otacílio Parras Assis (PSB), os jornalistas foram convidados a se retirar do prédio.

Policiais improvisaram mesas nos corredores da prefeitura para analisarem milhares de documentos
Policiais improvisaram mesas nos corredores da prefeitura para analisar milhares de documentos

Busca detalhada pode demorar

O delegado Mardegan em frente ao prédio da prefeitura de Santa Cruz
O delegado Mardegan em frente ao prédio da prefeitura de Santa Cruz

Segundo o delegado, a busca da polícia é por documentos que ainda podem estar arquivados, todos relacionados diretamente ao caso Sueli Feitosa. Mardegan explicou que todos os funcionários da Polícia Civil foram convocados para agilizar os trabalhos. “Se viessem apenas três ou quatro policiais, nós ficaríamos 20 dias na prefeitura. Com uma equipe grande, o trabalho é mais rápido”, disse.

O delegado não revelou quais os documentos buscados pela equipe policial, lembrando que as investigações estão tramitando em segredo de justiça. “Somente nós, da polícia, sabemos o que interessa para a investigação. Nenhum dos investigados têm conhecimento dos documentos que nos interessam”, explicou.

Mardegan também afirmou que o possível ataque de hackers, que ocorreu há alguns meses nos servidores do município, não interfere na busca e sequer pode ter provocado o desaparecimento de documentos. “Os documentos que procuramos não estão no sistema informatizado da prefeitura. Podem atacar o quanto quiserem que não vão atingir nossa investigação”, disse.

Segundo o delegado, as investigações no prédio da prefeitura podem demorar, inclusive, vários dias. “Se for necessário, vamos trazer colchões e ficaremos compulsando documentos durante o dia e até a noite inteira”, brincou.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate