Cartas – Edição de 12/11/2017

‘A estória da história’

Inicialmente irei falar sobre a Praça da República, atualmente praça Deputado Leônidas Camarinha. Os postes de iluminação ainda são os mesmos da década de 50, feitos em mármore pelo artesão profissional Américo Rodher. Só trocaram as luminárias, que eram fluorescentes.
Alguns dos bancos de concreto ainda são remanescentes de empresas que já não existem mais.
Vamos iniciar e referenciar para que os leitores possam acompanhar o raciocínio. Partindo da esquina da antiga Câmara Municipal, temos o banco do Posto São Cristovam, de Lindolfo Rodrigues da Silva, pai do professor José Rubens e avô do médico cardiologista José Rubens da Silva. Com o advento da tração motorizada, as fazendas, fazendeiros e industriais ali abasteciam seus tratores, caminhões e automóveis. Os irmãos Rosso, fazendeiros e industriais ali abasteciam com combustível. Quintilho e Alcides, já falecidos, ainda estão vivos na memória de Aquino Rosso, prestes a fazer 101 anos.
Me orgulho de ter sido vizinho dele, na rua Floriano Peixoto. Muitos mais também abasteciam no depois chamado Posto do João Valério, posterior arrendatário e sucessor. Muitos até achavam que João Valério era o dono.
Mais pessoas e firmas também se aglomeravam por ali e, dos pais, vieram os filhos, clientes do posto.
Cerealista José Butgnoli e Natal Manfrim, da máquina de café Santa Amália (precursor e avô dos titulares da Special Dog).
Vejam vocês, leitores, estou fazendo um apanhado das grandes firmas santa-cruzenses que ainda têm, praticamente, um obelisco em mármore na Praça Deputado Leônidas Camarinha e que demonstram o poderio econômico de Santa Cruz do Rio Pardo nas décadas de 50 e 60.
Um dos marcos desse poderio foi a Vasp, que tinha vôos diários para a capital paulista. Tinha escritório na Conselheiro Dantas, com o telefone número 95.
Muitas firmas e escolas a mais se fizeram marcar para a posteridade nos mármores da praça, a saber: “Regina Societatis Mariae”, da turma de 1953, do Colégio Companhia de Maria. Logo abaixo, o foto São Luiz, de Luiz Umezu, que era o único que fotografava a sociedade local.
Outras firmas ainda estão presentes, apenas trocando a direção de pais para filhos. Como a Casa Lorenzetti. Outras famosas se extinguiram no tempo, como a farmácia Santa Lúcia, de Lucio Casanova Neto, prefeito e deputado. Era conhecido como o “Pai dos Pobres” e tida como a “farmácia dos bons remédios”.
A seguir, muitos nomes que lá estão marcando momento nos bancos da praça: Empório Botelho, Tipografia Ramos, Casa das Louças de Pedro Bugarib, Cunha Lima e Carvalhosa de São Paulo — construtora que, se não me engano, fez o prédio do Leônidas Amaral Vieira. Muitas mais! Oficina Mecânica do Eduardo Cruz, o Eduardinho, Casa Oliveira (do Guin) o José Venâncio Oliveira, Lojas Riachuelo, Escritório Técnico do Famoso Rubens Carmagnani. Jornal “O Regional”, um dos precursores da imprensa local, Livraria Santa Terezinha, o grande e saudoso Banco Mercantil de São Paulo, Igreja Presbiteriana Independente, a popular Igreja do Relógio, um dos poucos templos religiosos que ainda conservam a arquitetura da fundação. Marcando território, o Bar do Paulo e da Dona Nena e o Bar Café Pequeno. Algumas firmas tinham até refrão popular. Alfaiataria Aurora era uma delas, da qual se dizia que “Adão e Eva não se vestiam porque a Alfaiataria Aurora não existia”. Alceu Cesar se divertia.
Santa Cruz Elétrica, Casa Yoneda, Casa do Lavrador M.G. Ramalho, Doceria Santana, Osvaldo Cortela, construtor, Hotel Scasola, Dr. Glaury Dentista, Churrascaria Caçula do Guido Dainese, a Famosa Casa Brasileira da família Santos, Bar Operário do Benedito B. Bueno, o famoso BBB.
Sul América, seguros desde 1954, Sapataria Brasil, de Egídio Carmagnani, o popular Zizi, Mercadinho do Papai, Casa Fonseca, a centenária no ramo de roupas feitas. Tradicional Loja do Dito Fonseca.
Caros leitores, infelizmente esse artigo deveria fazer parte do “Cancioneiro” do currículo da Secretaria de Cultura nunicipal e sua diretoria, que, procurada por mim, sugeriu-me que publicasse mensalmente a história de cada banco, verdadeiro monumento da sociedade local.
Como são mais de 50, portanto 50 meses, o mandato do nosso médico-prefeito-gestor não daria para tanto.
Caro Sérgio, transfiro para você a tarefa de divulgar para os cidadãos santacruzenses, um dever que, a rigor, não seria seu.
Pesquisado, escrito pelo Professor Eduardo Tasha Rios, que sabe e conhece profundamente a cultura desta Jóia da Sorocabana.
— Professor Eduardo Tasha Rios (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Conselheiro Tutelar
Dia 18 de Novembro dia do…
— Vou mandar o Conselho Tutelar vir dar um jeito nesse menino…
— O que o C.T está fazendo na porta da minha casa?
— Ele (a) não quer ir à escola…
— Parece que esta fazendo uso de entorpecentes.
— Quero passar a guarda para o pai.
— Faz três meses que aquele desgraçado não paga pensão…
— Não foi a escola porque estava chovendo.
— Se ele (a) continuar assim, vou mandar para a casa da avó…
— Preciso de uma cesta básica!
— Onde é a OAB?
— Quero vaga na creche!
— Vou fazer denúncia anônima!
— Quero que você dê um susto nele!
Essas são algumas frases que ouvimos durante o dia de trabalho. 18 de Novembro é o dia do Conselheiro Tutelar.
A doce vida de um Conselheiro Tutelar começa cedo. Amarra o cabelo, coloca tênis, pouca maquiagem para transmitir seriedade.
Têm atendimentos na sede, você tem que ter seu psicológico centrado para mais ouvir que falar e entender a situação do próximo. Os encaminhamentos que deverão ser escrito com clareza e com colocações plausíveis, acompanhamento dos casos, as visitas sistemáticas com as famílias mais disfuncionais. Tem oitiva na Delegacia Civil, audiência no Fórum, reuniões de rede intersetorial, onde expomos os conflitos familiares e tentamos resolvê-los da melhor maneira possível em favor das famílias. Tenho orgulho de fazer parte das reuniões de Rede que defendem a sobrevivência dos Direitos Humanos.
E também há inúmeras denúncias recebidas… Vacinas atrasadas, enviadas das UBS, as temidas fichas FICAI, encaminhadas pelas UE, os importantes relatórios individuais com prazo de entrega para o MP… Ah, e sem esquecer que durante esse tempo acontecem as denúncias via telefone fixo na sede do Conselho, nas quais são necessárias o atendimento no ato, que na maioria das vezes realizamos em horário de almoço para solucionar com agilidade e precisão.
Esse dia começa cheio e, às vezes, ele não termina cedo. Passamos a noite na DP, sem comer e com o sono batendo em nosso corpo, e nós vamos se habituando. Porém, eu não caí de paraquedas, “sabia o mato que eu ia lenhar”. Isso não é atribuição, é um chamado! Descobri que sempre existem duas versões e devo ouvir os dois lados antes de tomar qualquer decisão. E ao ouvir, compreendo a situação das famílias e entendo as causas dos conflitos familiares e das negligências por parte dos responsáveis.
E quando chegamos ao local das denúncias, às vezes não somos recebidas com cortesia e sorriso no rosto. Tem cachorro bravo, ruas escuras, pessoas de mal com a vida… Porém, a maioria das vezes somos recebidas com a sensação que somos o socorro naquele momento para a família e durante o atendimento procuramos manter a calma e tentar ajudar da melhor maneira possível e imaginária.
Então, percebo que existem famílias que estão dispostas a ouvir os conselhos e orientações básica, e que, pensando na situação, deveriam ter sido orientados há muito tempo e talvez não tiveram a oportunidade de ouvir.
Talvez existam pessoas que pensam que realizamos o atendimento e pronto! Quantas noites perdi o sono e fiquei pedindo a Deus sabedoria para solucionar tais situações para aquela família que mal conheço. Afinal, são nossos irmãos em Cristo e trata-se de pessoas, seres humanos sofridos com as chibatadas da vida. Pensando assim, levanto a cabeça e procuro dar o meu melhor. Sabe aquela palavra de ânimo, implorando para aquela mãe ou aquele pai, que não mais acredita na transformação do filho? Tento convencê-los a não desistirem nunca, jamais, a lutar por eles até o fim. Lembro que os filhos são heranças do Senhor e jamais devemos abandoná-los. Para falar isso muitas vezes não é fácil, pois já estão calejados e fragilizados com os problemas.
Fui mãe aos 16 anos, hoje tenho 41, mais a sensação de ter 60 de tantas experiências boas e ruins de vida que já passei. Sempre me preocupei com as situações de crianças e adolescentes e, por isso, procuro contar para as famílias as experiências que passei com meu casal de filhos — e hoje sou orgulhosa do caráter deles. Posso falar com propriedade do assunto “filhos”. Afirmo que o exemplo dos pais é fundamental, pois nunca gostei da frase “faz o que eu mando e não faz o que eu faço”. Os pais devem fazer o que desejam que os filhos façam.
Não espero flores, nem presentes por esse dia. Preciso de respeito! Carrego minha agenda marrom com muito orgulho pelo trabalho que desenvolvo. Não sou conselheira, estou Conselheira Tutelar. Tenho orgulho quando chego em casa, depois de um dia exaustivo, descabelada e com olheiras, mas satisfeita com resultados positivos do dia trabalhado.
Tenho o prazer de desempenhar a função próxima à Justiça, ainda que a população pense que servimos “só para tirar filhos dos outros”. A verdade é que nossa jornada é fundamental que o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente ) esteja na ponta da língua e, assim, procuro estudar esse livrinho que não é bem aceito pela sociedade.
Desempenho meu trabalho a cada dia como se fosse o meu último. Quero deixar meu legado, marcar histórias na vida das pessoas, deixar meu nome lembrado com alegria para as crianças e adolescentes nesta gestão 2016/2019. Claro que, para os pais, ser lembrada com alegria talvez não aconteça, pois às vezes agimos com rispidez e firmeza nas palavras e isso não agrada muito.
Que nessa árdua caminhada, possamos ser a imagem e semelhança de Cristo Vivo. Amar a Deus sobre todas as coisas…. Essa frase é linda, mas também “ao próximo como a ti mesmo”. Essa é trivial!
Parabéns para as minhas amigas Conselheiras Tutelares: Ana, Cassiane, Cinthia e Vanessa. Dia 18 de Novembro, dia do Conselheiro Tutelar.
— Viviane Paulino, conselheira tutelar gestão 2016/2019 (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Palhaços
Nós somos alunas do 4º ano B da E.E. Professora Durvalina Teixeira da Fonseca e estamos finalizando o nosso “Projeto Jornal” com a escrita desta carta de leitor.
Em relação à matéria publicada no dia 5 de novembro de 2017 — “Circo Internacional mostra que a arte do picadeiro pode ser reinventada” —, achamos muito interessante. A reportagem mostrou a história do circo Portugal e, na nossa opinião, o circo veio para dar mais alegria a Santa Cruz do Rio Pardo.
Se possível, pedimos para que o DEBATE faça uma entrevista com um dos palhaços do Circo Portugal.
— Geovanna Gabrieli Teles Nunes e Giovana Correia de Oliveira, alunas da escola “Durvalina Teixeira da Conseca” (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)


“Foto do Leitor”

web foto do leitor 1910Esquina da
Praça da
República

— Foto da rua Conselheiro Antonio Prado, uma quadra antes da praça Leônidas Camarinha, em Santa Cruz do Rio Pardo. A imagem, do acervo do servidor aposentado Edilson Arcolezi Ramos de Castro, não traz a data, mas é possível, pelo modelo dos veículos, que é da década de 1940. Dá para perceber que a seringueira da antiga Praça da República já estava grande na época. O primeiro prédio à esquerda foi o empório do saudoso ex-prefeito Aniceto Gonçalves. À direita, antes da rua, está um posto de gasolina que durante décadas foi comandado pelo comerciante João Valério.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate