Otacílio ataca imprensa e defende Lula e Temer

FÚRIA— Otacílio fez ataques à imprensa, criticou direitos democráticos e fez elogios à própria “seriedade”

Num dos pronunciamentos na Difusora,
prefeito chama a grande imprensa de ‘covarde’

Segundo Otacílio, Lula e Temer são atacados por uma "imprensa covarde"
Segundo Otacílio, Lula e Temer são atacados por uma “imprensa covarde”

O prefeito Otacílio Parras Assis (PSB) matou as saudades dos tempos de PT na semana passada. Em pronunciamento na rádio Difusora AM, ele criticou a imprensa, especialmente a grande mídia, chamando-a de “covarde”. Segundo Otacílio, o presidente Temer e o ex-presidente Lula são vítimas da imprensa nacional. “A imprensa nacional, grandes revistas e jornais, transformam a opinião deles em verdade. Mas nem sempre a opinião da imprensa é a verdade”, disparou.
“Às vezes esta imprensa se diz corajosa, mas é covarde porque se esconde atrás de uma Lei de Imprensa”, disse o prefeito. Otacílio, entretanto, se esqueceu que não existe mais uma Lei de Imprensa no Brasil, pois a anterior, forjada na ditadura militar, caiu em 2009, num processo nacional em que o DEBATE teve papel decisivo. Desde aquele ano, a lei 5.250/67 foi definitivamente retirada do ordenamento jurídico brasileiro. Hoje, o País tem apenas uma lei que regulamenta o Direito de Resposta.
O prefeito reclamou que a grande imprensa ataca Temer e Lula “de forma raivosa e danosa” e afirmou que “isto é muito ruim” para o País. Para ele, quem é “achincalhado” pela imprensa, principalmente “quando é sério”, se sente muito mal. “Então, isto não é coragem da imprensa”, emendou.
Otacílio citou nominalmente grandes veículos de comunicação que chamou de covardes. “Eles se escondem atrás do sigilo da fonte. Revista Época, Veja, Estadão, Folha, Globo, todos eles se escondem atrás da Lei de Imprensa”, atacou. Ele comparou os veículos a ex-vereadores de Santa Cruz do Rio Pardo, sem citar nomes: “Eram covardes que se escondiam atrás da imunidade parlamentar”. Ele lembrou que alguns perderam o mandato nas eleições e desapareceram, numa referência velada ao ex-vereador Luiz Carlos “Psiu” Novaes Marques (PSDB), embora sem citar nomes. “Acabou a coragem, então não eram corajosos. Eram covardes que se escondiam na imunidade parlamentar”, afirmou.
Para o prefeito, o leitor deve ter cuidado ao ler uma notícia. “Lembre-se que é a opinião do jornalista da revista que está escrevendo. Não é a opinião do povo e não é necessariamente o correto”, disse. E completou: “A opinião do povo é o voto e foi o voto quem me colocou onde estou, com quase 80% de aprovação”.
O prefeito também chamou de “covarde” o sigilo da fonte, que é uma prerrogativa fundamental da liberdade de imprensa no Brasil e um direito democrático defendido em todo o mundo. “Eu falo mas não sou obrigado a revelar quem me contou. Isto não é ser corajoso; é ser covarde”, disse. O sigilo da fonte é garantido pela Constituição Federal e defendido pelos maiores juristas brasileiros, inclusive por ministros das mais altas cortes do Judiciário.
Enigmático, Otacílio também afirmou que juízes, promotores ou delegados não podem se pautar pela opinião de jornalistas. “Não podem ser subservientes a eles, que não mandam e apenas emitem opiniões pessoais”, afirmou.
Pela performance na Difusora, foi um Otacílio típico dos tempos áureos do PT, quando o prefeito fez campanhas para Lula, Dilma Rousseff e o vice Michel Temer. O prefeito de Santa Cruz disputou três eleições pelo PT, perdendo as de 2004 e 2008. Foi eleito pelo partido em 2012 e, no auge do petismo, sempre se gabou de ter sido “esquerdista” na juventude. Dois anos depois, entretanto, deixou o PT quando figurões do partido começaram a sofrer denúncias de corrupção. Na época, disse que se sentia “traído”.

Sem modéstia

No mesmo pronunciamento, feito na terça-feira, 7, no estúdio da rádio Difusora — o terceiro consecutivo numa mesma semana —, Otacílio disse que todos sabem que ele é “um homem sério”. Ao comentar uma pergunta do radialista Roger Garcia, sobre o fato de Santa Cruz “ter entrado no mapa pela seriedade de seu governo”, o prefeito respondeu que “é uma questão de respeito”.
Em seguida, ele garantiu que qualquer pessoa, ao lhe dirigir a palavra, tem grande respeito. “Quando eu chego nos locais, eles já percebem que é o prefeito de Santa Cruz e sabem como eu sou. Assim, sabem que não podem conversar bobagens ou prometer e não cumprir, porque vão levar pancada”, disse. Segundo ele, isto impõe respeito. “Mesmo aqueles que ocupam secretarias, gostam de conversar com pessoas sérias”, disse Otacílio, deixando a modéstia de lado.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate