Cartas – Edição de 03/12/2017

Tradição de família

Sempre me baseio no fato de que, em qualquer cargo público ou privado, seja concursado ou de nomeação, creio que o primeiro princípio a ser avaliado é a tradição da família do postulante ao cargo eletivo ou não.
Há muitos anos que me baseio nesse conceito de tradição familiar. “Planta boa não dá fruto podre”. A recíproca e verdadeira.
Três casos, exemplos do postulado, pretendo avaliar neste artigo, todos por merecimento dos atuais signatários e também dos antepassados mais recentes e mais longínquos.
Dois deles vi na edição passada do DEBATE, e outro o terceiro por mérito próprio, inclusive com nome importado. Falarei dele em primeiro lugar. Mecânico, de muito arrojo e sabedoria profissional, tudo resolve de forma prática, de bicicleta até direção hidráulica de Scania, passando pelas S-10, Hillux e todos os automóveis de fabricação nacional ou importada. Nascido no Bairro da Onça de baixo, depois do Belarmino, teve, do pai, nome alemão que não sabemos de onde o patriarca tirou: Wender. Cursou apenas o primário e um pedaço do colegial, rebelando-se em seguida aos conselhos paternos de estudar e fazer um curso superior. Rebelou-se e dedicou-se à mecânica, sendo aluno de renomados como Zé Mendes e Arizão torneiro. Sou, como muitos, cliente da especialidade dele. Serve, esse artigo, como homenagem a Wender Vicentini, da baixada da Onça. Obrigado, companheiro.
Os demais, segundo e terceiro, vi no DEBATE. Sempre comentando o mesmo princípio: família boa, de moral consumada dá frutos sadios.
Juvenal Teodoro Nogueira Junior, filho do saudoso “Vena” e neto do homem que fez do nome próprio uma tradição de família. Belizário Teodoro Nogueira, nome de rua nessa cidade. Os filhos passaram a ser conhecidos como “do Belizário” e, assim, os descendentes dos Teodoro Nogueira, passaram a ser conhecidos com o apelido de Belizário. Mas a citação é para o menino Juvenal, que desde cedo passou a integrar o quadro de funcionários do Banco Mercantil de São Paulo. Foi conhecedor de todos os gerentes da agência, sempre subindo de cargo, até quando, da compra do Mercantil pelo Bradesco, foi escolhido nessa migração, já passando por cargos mais elevados, e hoje, subgerente, apareceu representando o Bradesco na homenagem que o banco recebeu da ACE.
Está hoje, na região, substituindo gerentes de cidades grandes, onde o Bradesco tem agência. Por todos esses méritos, creio que logo perderemos os serviços profissionais do eficiente Juvenal Teodoro Nogueira. Espero que não tenha se esquecido da lista de amigos do Juvenal. Parabéns, companheiro, família boa, honrada, tradicional. Nessa terra, gera frutos bons como você.
O terceiro, engrandece a cidade. Filho de honrados professores, cursou Oapec e ITE de Bauru. Concursado, assumiu a delegacia do Espírito Santo do Turvo e, posteriormente, uma delegacia de Santa Cruz do Rio Pardo, sendo, hoje, o delegado primaz da cidade. Marina e Nico, meus amigos e, ela, minha professora normalista, vibram a cada sucesso do filho. Lembra-me ela a musica também cantada por Nelson Gonçalves, “minha querida normalista”.
Nesta semana, foi figura de destaque nas manchetes do DEBATE pelas suas citações policiais que vazaram fronteiras municipais, estaduais, indo até os estados do Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Levantou a moral dos colegas delegados e de toda a Polícia Civil numa época em que investigadores e escrivães estavam intimidados pela oligarquia do crime, baseado nas leis protetoras do mesmo.
Quero citar aqui frases do enunciado, do que chamo de “Cartilha Mardegan”. “A regra é clara e objetiva: se atirar nos meus policiais (referindo-se aos bandidos), leva o dobro de bala”. “Artigo segundo: O marginal tem que se conscientizar da forma que será conduzido: andando ou arrastado, deitado”.
As citações, além de levantar a moral da tropa, vazou fronteiras e deveria ser a tônica de toda a gloriosa polícia paulista, seja Civil ou Militar. Fui amigo — e muito — do secretário Erasmo Dias, que deixou saudades na Polícia Civil. Polêmico, austero, mas sobre seu comando a tropa sentia-se amparada.
Permita-me, meu caro Delegado Mardegan, não sabendo qual a sua postura em relação ao hoje saudoso Erasmo Dias, dizer, de público, que o filho de Marina e Nico iniciou, com sua postagem, a sucessão aos ditames do saudoso secretário.
Finalizo com uma frase dita por ele, quando se hospedou em minha residência em sua primeira eleição para deputado.
“O povo é divido em duas partes: cidadão e bandido. O primeiro grupo respeito muito”. Deduções a cargo de cada um quanto ao segundo.
Encerro o presente artigo, enaltecendo a máxima de que “família boa, honrada, de tradição sempre gera frutos bons como os citados”.
— Professor Eduardo Tasha Rios (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

O mestre
Já faz muito tempo que ouço falar de um escritor muito conhecido, com o qual eu ainda não tinha contato, isto é, não havia lido nada dele. Agora, minha amiga Míriam Purquerio emprestou-me um livro de Augusto Cury que eu estou achando sensacional. Chama-se O Mestre Inesquecível.
Para quem gosta de ler é um bálsamo, um bem-estar, uma bênção. Uma vez, uma amiga minha disse:
— Sabe que nunca li um livro na minha vida?
Achei isso inacreditável! “Quem pode passar pela vida e não viver?”, disse o poeta. Que tesouro essa pessoa perdeu em sua existência?
Voltando ao assunto deste texto, o autor fala de Jesus de uma maneira diferente do que ouvi até hoje e fico emocionada. Ao ler o prefácio já dá para sentir o amor dele pela imagem do Cristo. Vou copiar alguns trechos para esclarecer o que eu digo.
“Aprendi com o Mestre da Vida que viver é uma experiência única, belíssima, mas brevíssima e que cada lágrima, sucesso e fracasso é uma oportunidade preciosa para crescer.
“Aprendi com o Mestre do Amor que uma vida sem amor é um livro sem letras, uma primavera sem flores, uma pintura sem cores. Apendi que o amor acalma a emoção, tranquiliza o pensamento e faz, da vida, uma aventura sem tédio, angústia ou solidão.
“Para formar seguidores aptos para difundir suas palavras, Jesus escolheu homens simples e desenvolveu a arte de pensar, a tolerância, a solidariedade, o amor, o desapego. Para Ele, a humanidade não era um projeto falido e Ele investiu toda sua vida nesse projeto. O mestre da Vida queria atingir um estágio em que os tranquilizantes e antidepressivos mais modernos não conseguem atuar”…
E assim vai esse texto cheio de emoção, amor e sabedoria.
— Anna Maria Rocha (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Pacto contra violência
Nos últimos anos, a violência vem crescendo muito no Brasil, saindo do controle na maioria dos estados. Ao contrário da onda, São Paulo aprendeu como combater a violência e apresenta números cada vez mais baixos, já próximos às nações desenvolvidas.
São consideradas mortes violentas: homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. O número de assassinatos no Brasil chegou a 61.619 em 2016, cresceu 4,7% em relação ao ano anterior, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organização que reúne especialistas, e dados fornecidos pelas secretarias de segurança públicas e polícias Civil e Militar dos Estados.
A taxa média nacional de mortes violentas ficou em 29,9 assassinatos por 100 mil habitantes. Os três Estados com maiores taxas são os nordestinos Sergipe (64,0), Rio Grande do Norte (56,9) e Alagoas (55,9). São seguidos por Pará (50,9), Amapá (49,6), Pernambuco (47,6), Bahia (46,5) e Goiás (43,8). Os menos violentos são São Paulo (11,0), Santa Catarina (15,0) e Minas Gerais (20,7).
Essa é uma herança petista contraditória, já que os programas sociais cresceram muitos nos anos petistas e os estados nordestinos foram os mais beneficiados proporcionalmente. Agravando a situação, a grave crise econômica restringiu o orçamento e houve redução nos investimentos em segurança pública feitos por União, Estados e municípios, que totalizou gastos de R$ 81 bilhões, queda de 3% em relação a 2015. Os Estados recorrerem mais à Força Nacional de Segurança Pública, elevando os gastos em 74%, de R$ 184 milhões em 2015 para R$ 319,7 milhões em 2016.
A Polícia também ficou mais violenta, o que mostra que isso não melhora a situação. E o número de pessoas mortas por policiais atingiu o maior número já registrado. Foram 4.224 casos, uma alta de 27% em relação a 2015. A taxa média do país é de 2 casos a cada 100 mil habitantes. As maiores taxas foram registradas no Amapá (7,5), Rio de Janeiro (5,6) e Sergipe (4,1). São Paulo manteve 1,9, confirmando que é possível reduzir a violência tendo uma Polícia menos violenta.
O perfil padrão desses mortos: 99,3% são homens, 82% têm entre 12 e 29 anos, 17% têm entre 12 e 17 anos e 76% são negros. É assustador a quantidade de adolescentes mortos, não é possível que cidadãos de bem e religiosos fiquem apáticos e calados diante disso. E atuar junto a adolescentes drogados na rua é de uma dificuldade inacreditável, só quem tentou sabe!
O número de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas era de 24.628 em 2014, sendo 44,4% por roubo e 24,2% por tráfico de entorpecentes. Ainda verificou-se que 40% das escolas não possuem policiamento e 70% dos professores e diretores já presenciaram agressão física ou verbal entre os alunos.
O próprio policial também é vítima da violência, cresceu o número de policiais civis e militares vítimas de homicídio. Em 2016, foram 437 mortos, aumento de 17,5% sobre as 372 mortes em 2015.
Nas últimas décadas, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil já conseguiu articular a Igreja para movimentar a sociedade e emplacar leis contra políticos desonestos e, acredito, é a única que pode fazer isso novamente contra a violência. Que São Paulo, o Estado e o Santo, inspirem nossos bispos nessa causa tão nobre.
— Mario Eugenio Saturno (São José dos Campos-SP)

Tragédia do Fies
Como se nao bastasse as roubalheiras nas malas, nos Fundos do FGTS, pela formação de quadrilhas poderosas, o presidente Temer levará para o seu legado a tragedia do Fies, implantado no governo corrupto do Lula e da Dilma. Agora contam com 1.030 milhões de inadimplentes, jovens que se formaram em 2015 e não conseguem emprego na sua área de formação.
As universidades, principalmente as estrangeiras que viram nesse segmento uma mina de ouro, se uniram às particulares, abriram ações na Bolsa e embolsaram mais de R$ 40 bilhões ao longo dos últimos oito anos. Dividiram o bônus dos recursos e o governo ficou com o ônus do defict da inadimplência, que querem cobrar em juízo dos formandos e desempregados.
Moral da história: os jovens brasileiros de classes média e pobre (D e E), ficam com o Fies como consolo ilusório. Já os ricos e integrantes das classes A e B , ficam com as vagas nas universidade públicas brasileiras. Esses abastados não participam nem no Enem, porque estudam nos cursinhos particulares, onde 80% das vagas são reservadas para eles — que também não trabalham, mas têm recursos para pagar cursinhos caros
Esse é o Brasil na Educaçao atualmente. Que nos provem que não somos uma Pátria que despreza os jovens carentes, uma Pátria deseducadora.
— José Pedro Naisser (Curitiba-PR)



Arquivo: Edilson Arcoleze

Fotos do Leitor

Acidente de trânsito em 1953

— As fotos, do acervo do servidor aposentado Edilson Arcoleze Ramos de Castro, são de um acidente de trânsito ocorrido em 22 de abril de 1953, às 15h30, no cruzamento da rua Marechal Bitencourt com a Benjamim Constant. Um caminhão Rheim Ford alemão bateu no automóvel Mercury, provocando grande prejuízo. Destaque para os prédios existentes no cruzamento na época: oficina mecânica dos irmãos Madalena (onde o carro bateu), Pensão Santa Terezinha, antiga Delegacia de Polícia (atual “Garagem” do Jarrinha) e Empório São Manoel (atual escritório contábil).

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Proprietário e Editor do Jornal Debate