Prefeito tenta explicar retirada de funcionária da Delegacia de Polícia

Nota divulgada pelo prefeito culpa o Estado pela situação da servidora

Nota oficial cita ‘desvio de função’ que
estaria acontecendo há muitos anos

Sueli Lopes estava na CPJ há 18 anos
Sueli Lopes estava na CPJ há 18 anos

Sob uma saraivada de críticas nas redes sociais por retirar a funcionária Sueli Lopes Reginato de suas funções na Central de Polícia Judiciária de Santa Cruz do Rio Pardo, o prefeito Otacílio Parras Assis (PSB) determinou o envio de uma nota oficial à imprensa, esclarecendo que o problema teve origem porque o Estado não teria renovado um convênio para cessão da servidora municipal. A explicação não convence porque se refere a fatos que aconteceram há muitos anos e não impediram que Sueli continuasse prestando serviços à antiga Delegacia de Polícia de Santa Cruz.
A funcionária desempenhava a função de atendimento ao público há mais de 18 anos na CPJ. Ela era servente na prefeitura quando foi “emprestada” pelo município ao Estado, no governo de Clóvis Guimarães Teixeira Coelho. Pela sua desenvoltura, Sueli passou a ser a responsável pelo atendimento ao público, sendo sempre elogiada não apenas pelos delegados e investigadores, mas principalmente pela população.
No final de dezembro, o prefeito Otacílio convocou a funcionária de volta à prefeitura, onde vai voltar a ser servente. A explicação oficial é que o Estado não quis renovar o convênio, o que não é verdade. O fato oé que a decisão do prefeito tem origem numa declaração do delegado Renato Mardegan sobre o escândalo de desvio de dinheiro público, no esquema operado pela ex-tesoureira da prefeitura, Sueli Feitosa.
O caso veio a público quando Otacílio convocou a imprensa, em dezembro de 2016, e anunciou o desfalque. Para o delegado, seria mais prudente o prefeito ter procurado a polícia antes de divulgar o crime publicamente, o que retirou o “fator surpresa” nas investigações.
Otacílio não gostou das declarações de Mardegan e chegou a debochar da polícia, dizendo que iria enviar a principal acusada do caso para trabalhar na delegacia, auxiliando o delegado. A brincadeira provocou uma reação da Polícia Civil, que reuniu todos seus membros numa entrevista coletiva para reafirmar o compromisso de investigar o crime a fundo.
O próprio Otacílio Parras é um dos investigados. Ele responde a um inquérito separado dos demais, na Delegacia Seccional de Ourinhos, porque, como prefeito, tem direito a foro privilegiado.
No final de dezembro, outra reação surpreendente de Otacílio foi retirar a funcionária Sueli Lopes exatamente num momento em que a Polícia Civil reclama da falta de material humano. Ao se despedir dos colegas e limpar as gavetas da repartição onde trabalhou os últimos 18 anos, Sueli Lopes Reginato chorou.

‘Desvio de função’

A nota oficial da prefeitura, enviada à imprensa na semana passada, diz que Sueli Lopes está retornando ao cargo original porque não teria ocorrido uma renovação “por parte do Estado” do convênio que cedia a funcionária para atuar na Central de Polícia Judiciária.
Segundo a nota do governo, o convênio consistia em a prefeitura manter a limpeza do prédio da CPJ. “Mas a secretaria de Segurança Pública terceirizou o serviço para uma empresa privada, transferindo a servidora Sueli ao cargo de atendimento, causando, assim, um irregular desvio de função”.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate