Agricultor cria coletor de feno

Máquina foi construída praticamente pelo agricultor e funciona acoplada a um trator

Santa-cruzense patenteou o
invento e aguarda oportunidades

Coletor opera o ano todo na propriedade de Luiz
Coletor opera o ano todo na propriedade de Luiz

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O agricultor Luiz Ataíde Scatamburlo, 65, sempre morou no campo e terminou o ensino médio com dificuldade, tendo que recorrer ao supletivo. Mas isto não o impediu de inventar uma máquina coletora de feno, que já foi patenteada no INPI — Instituto Nacional da Propriedade Industrial. O equipamento, na verdade, foi criado pela exclusiva necessidade de Scatamburlo em agilizar a produção de feno. No mercado, não existe uma máquina semelhante.
Descendente de italianos, Luiz nasceu e foi criado no bairro Água Limpa, em Santa Cruz do Rio Pardo. Quando criança, teve a sorte de ter uma professora que o incentivou a criar. “Era a dona Maria Helena, que foi muito importante para mim”, lembrou.
O agricultor chegou a deixar Santa Cruz e, inclusive, aprendeu noções de mecânica numa metalúrgica em São Paulo, onde trabalhou quase quatro anos. Depois, chegou a cursar algum tempo na Esalq — “Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz”. Mal sabia que estes ensinamentos seriam úteis anos mais tarde, quando Scatamburlo tinha retornado aos campos de Santa Cruz do Rio Pardo, já casado e com três filhos.
Foi, então, que ele se transformou em produtor de feno, nos anos 1990. Começou com quatro alqueires, mas a safra cresceu e hoje ele cultiva 30 alqueires. O problema é a colheita, realizada a cada três meses, que geralmente é manual, com o uso de enormes tridentes. Além de utilizar mão de obra, a colheita é muito cansativa, principalmente porque os fiapos de feno incomodam os olhos e a pele.
Luiz Ataíde começou a pesquisar um equipamento para facilitar a coleta e descobriu que não havia nada disponível no mercado brasileiro. “Existem algumas máquinas, com outras tecnologias, cujo preço é proibitivo para pequenos produtores. Chegam a custar R$ 1 milhão”, diz.
Em 2011, um protótipo já estava pronto. Demorou mais um ano para aperfeiçoá-lo e, então, o agricultor iniciou o processo para patentear a invenção. A carta patente saiu em 2015 e tem validade por 20 anos.
O equipamento foi praticamente construído por Ataíde, que terceirizou apenas algumas peças. A máquina é grande, com mais de quatro metros de altura, o suficiente para abastecer uma carreta com os fenos recolhidos do campo. Funciona acoplada a um trator e trabalha rapidamente. “Em terreno plano, um trator pequeno é o suficiente. Já em outros é necessário um trator mais potente, com 70 cavalos, por exemplo”, disse.

Luiz Ataíde Scatamburlo mostra a patente da máquina que inventou
Luiz Ataíde Scatamburlo mostra a patente da máquina que inventou

Custo menor

O coletor de fenos do santa-cruzense tem muitas vantagens. Ele facilita a colheita, reduz o trabalho e tem um custo pequeno se comparado a outras tecnologias. “Eu diria que ele pode custar mais de dez vezes menos do que máquinas importadas”, explicou o agricultor.
Além disso, é um equipamento que surge num momento em que a cultura de feno ou alfafa está crescendo no Brasil. E o melhor: é rentável.
Scatamburlo, por sinal, já criou uma segunda máquina, que complementa a colheita de feno. É um equipamento que deixa os fardos enfileirados no campo, facilitando a coleta pela outra máquina. Ele também está patenteando esta nova invenção.
Luiz já divulgou sua invenção em sites ligados à agricultura e canais de TV específicos para a lavoura. Ele lembra que seu negócio é o campo e, por isso, não pensa em implantar uma indústria para fabricar o coletor de feno em série. Scatamburlo, na verdade, aguarda algum empresário interessado no invento, que pode comprar a patente ou fabricar a máquina mediante o pagamento de royalties.
Por enquanto, o invento é útil na propriedade do santa-cruzense, trabalhando há mais de cinco anos na safra de feno.

* Colaborou Toko Degaspari

Sobre Sergio Fleury 1851 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate