Há 30 anos morria o genial Henfil

Henfil retratou o País com enorme genialidade

Cartunista criou personagens, participou da antiga “TV Mulher”
e foi o criador do bordão da campanha “Diretas Já” em 1984

web henfil 2 1918A morte do cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, completou completa na quinta-feira, 4, exatos 30 anos. Vítima da Aids, ele morreu no Rio de Janeiro em 4 de janeiro de 1988. O cartunista contraiu o HIV em uma das transfusões que realizava com frequência, já que era hemofílico assim como seus irmãos, o sociólogo e ativista Betinho — e o músico Chico Mário.
Henfil tinha uma visão realista e diferenciada do País, expressa em suas charges e tiras. Genial, ele dirigiu o filme “Tanga” (1987) e ainda foi o redator do programa “TV Mulher”, que fez sucesso na Globo nos anos 1980. Na época, ele criou o quadro “TV Homem” que, apesar do nome, defendia os direitos da mulher.
O cartunista é o criador de tirinhas famosas nos anos 1970 e 1980, como a Graúna, o Fradim Cumprido e o Fradim Baixim. Engajado na vida política e social do país, seus traços criticavam a ditadura militar. Ele foi um dos cartunistas do lendário semanário Pasquim, cuja linha editorial era contrária ao regime militar. Mais tarde, participou de movimentos importantes, como a mobilização pela anistia a presos e exilados políticos e a campanha das “Diretas Já”, cujo bordão, inclusive, foi Henfil quem criou.
Se fosse vivo, Henfil teria hoje 73 anos. Mineiro de Ribeirão das Neves, nasceu em 5 de fevereiro de 1944. Em outubro do ano passado, a história do cartunista foi retratada no documentário Henfil. Dirigido por Angela Zoe e lançado no Festival do Rio, o filme tem depoimentos de figuras próximas a ele, como seus colegas no semanário Pasquim, como Ziraldo, Jaguar, Sérgio Cabral e Tárik de Souza. “É um erro chamá-lo de cartunista, porque ele foi um multiartista”, diz Tárik de Souza em um dos depoimentos.
Os 30 anos da morte de Henfil foram lembrados na semana passada por seu filho, Ivan Cosenza, em postagem no blog “As Cartas do Pai”, onde ele publica rotineiramente mensagens direcionadas ao cartunista. “O que fico imaginando é quanta coisa teria feito em mais 30 anos, já que em 25 anos de profissão, produziu tanta coisa boa! Seus personagens até hoje são usados em campanhas sociais, sindicais, no movimento estudantil e em tantas outras campanhas”, escreveu.


Relembre um pouco da
genialidade de Henfil

web henfil 3 1918

web henfil 4 1918

web henfil 5 1918

web henfil 6 1918

web henfil 7 1918

web henfil 8 1918

Sobre Sergio Fleury 1851 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate