Samba na rua!

"Unidos da Divineia" desfila em dois dias neste Carnaval

Neste ano, três blocos desfilam e
Unidos da Divineia sonha com escola

As veteranas Tereza e Alzira na sala de instrumentos da Divineia

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Aquele glamour do Carnaval de salão já não existe mais. Nem mesmo foliões mais fanáticos. Mas o agito dos desfiles de blocos e escolas e dos bailes em praças e ruas parece estar se renovando. Em Santa Cruz do Rio Pardo, três blocos carnavalescos estão participando do carnaval deste ano, com desfiles que terminam na praça Leônidas Camarinha, onde há show até meia-noite até segunda-feira. A folia começou na noite de ontem, com matinê no Centro Cultural Special Dog — com a participação dos corais infantil e jovem e do grupo de percussão da instituição — e desfile dos blocos “Unidos da Divineia” e da Acogelc.

A bateria da “Unidos da Divineia” é comandada pelo mestre Jairo

Hoje à noite, a partir das 21h, haverá o desfile dos blocos Acogelc e “Acadêmicos da Estação”, além de show com a banda Lokobloco, que começa às 22h. Os desfiles vão sair na avenida Tiradentes, nas imediações da agência da Caixa Econômica Federal, e terminam na praça Leônidas Camarinha.
Amanhã, segunda-feira, no encerramento do Carnaval 2018, o desfile será dos blocos “Acadêmicos da Estação” e “Unidos da Divineia”. Durante o Carnaval de rua, o trânsito em algumas vidas nas imediações da praça Leônidas Camarinha será interditado total ou parcialmente.
Os blocos de Santa Cruz do Rio Pardo farão homenagens especiais neste ano. A Acogelc vai lembrar “Dona” Geraldina Maria da Glória Santos, a filha de escravos que morreu aos 112 anos. Já a “Acadêmicos da Estação” fará uma tripla homenagem. Além dos carnavalescos João Eugênio Cruz (o “Pitaca”, já falecido) e Ubirani Gonçalves, o bloco vai sair com uma ala especial em defesa do rio Pardo. Segundo Flávia Manfrin, da ONG “Rio Pardo Vivo”, a manifestação carnavalesca lembrando o Pardo tem o objetivo de aclamar o rio popularmente “para que as leis de proteção sejam votadas em São Paulo”.
Já o bloco “Unidos da Divineia” igualmente vai homenagear João “Pitaca”, além de outro carnavalesco que fez história nos antigos carnavais de Santa Cruz: João Andreolli.
O Carnaval popular na praça não é único. Já houve dois bailes carnavalescos no Icaiçara Clube, na sexta e no sábado, com animação da banda Jair Supercap. Hoje à tarde haverá matinê no clube.

“Divineia” ensaiou praticamente todos os dias

Samba da Divineia

A “Unidos da Divineia”, que desfilou ontem à noite e volta às ruas nesta segunda-feira, 12, existe há quase oito anos e está crescendo a ponto da diretoria planejar transformar o bloco em escola de samba. Segundo Silvinho Reis, um dos membros da diretoria, passistas e bateria estão ensaiando todos os dias há pelo menos um mês. “O samba já contagia toda a comunidade”, lembrou.
Que o diga Jairo Miguel, 45, o mestre da bateria. Ex-integrante da antiga “Unidos do São José”, ele conta que foi nesta época — nos anos 1980 e 1990 — que aprendeu o batuque do samba. “Aí virei mestre de bateria. É como jogar bola, nunca se esquece. É só treinar”, contou. Segundo Jairo, o Carnaval faz bem à comunidade. “Neste período, todas as crianças ficam batendo lata nas ruas. É emocionante ver isso”.

Silvinho e membros do bloco da Divineia, durante ensaio

A bateria possui membros desde crianças até adultos com 50 anos ou mais. A novidade, porém, é a ala das baianas, cujas vestimentas estão a cargo das costureiras do Cras, que contam com a ajuda de Tereza Cipriano da Silva, 68. “Eu sempre gostei de carnaval, mas passei a me envolver diretamente há três anos”, disse. Tereza, aliás, ajuda na costura, literalmente levando o serviço para casa. Três crianças vão completar a ala como “baianas mirins”.

A porta-bandeira Pâmela Janaína respira Carnaval desde os 9 anos

Alzira de Oliveira, 70, desfilou muitos carnavais como passista e ainda está envolvida no Carnaval. “Eu peguei muitas escolas, desde o tempo do João Andreolli”, conta. Alzira era fanática pela antiga escola “Califórnia”, que existiu na década de 1960 e fez seu último desfile em 1977, quando surgiu a “Unidos da Baixada”.
As gerações se confundem na “Unidos”. Pâmela Janaína da Silva, 23, virou porta-bandeira a convite de Alzira. Ex-integrante da bateria, ela está desfilando pelo segundo ano consecutivo. “E não largo mais. Tinha vergonha no começo, mas agora adoro”, diz Pâmela, que começou a desfilar na antiga “Império de São José” aos nove anos.

Sobre Sergio Fleury 1988 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate