debate_zeroO DEBATE surgiu em setembro de 1977 em Santa Cruz do Rio Pardo, cidade com 43.921 habitantes (último censo oficial do IBGE, de 2010) localizada a 365 km a Oeste de São Paulo. O semanário, na verdade, foi o sucessor de um pequeno jornal estudantil que circulou no início da década de 70 — “O Furinho” —, fundado por Sérgio Fleury Moraes aos 13 anos de idade. “O Furinho” era mimeografado e vendido de casa em casa pelas ruas da cidade, além de distribuído em escolas.
Desde o início, o DEBATE adotou uma linha editorial crítica. Nos seus primeiros anos de vida, o jornal combateu o regime militar e chegou a ser fichado, em 1979, no Ciex (Centro de Informações do Exército) como integrante da chamada “imprensa alternativa”, que resistia ao regime de exceção. O Tiro de Guerra de Santa Cruz do Rio Pardo chegou a receber documentos oficiais do Exército solicitando várias informações sobre o pequeno semanário que incomodava o regime militar no interior paulista e fazia ferozes críticas ao governo municipal, sob domínio da Arena, partido de sustentação dos militares.

A partir de 1979, o DEBATE teve entre seus colaboradores alguns expoentes da política brasileira, como Fernando Henrique Cardoso, Fernando Morais, Flávio Bierrenbach, José Aparecido e outros. Em 1979, o então sociólogo Fernando Henrique — que foi colaborador do jornal durante 10 anos — foi palestrante em Santa Cruz num evento promovido pelo DEBATE. Naquela ocasião, o então suplente do senador Franco Montoro foi lançado como futuro candidato à presidência da República, fato que se consolidaria nos anos 90, quando FHC deixou de assinar coluna no jornal.

Quando a ditadura ameaçou jogar bombas em bancas de jornais que vendiam jornais da imprensa alternativa, o DEBATE participou na Assembléia Legislativa, em São Paulo, de reuniões do “Comitê pela Liberdade de Imprensa” para discutir a nova ameaça. Integravam o comitê, entre outros, jornais como “Pasquim”, “Versus”, “Movimento” e outros.

O jornal sobreviveu ao regime militar, se engajou na campanha das “diretas já” e se consolidou com o advento da democracia. Resistiu a concorrência de publicações financiadas por partidos políticos e grupos econômicos e a partir de 1996 circulou durante um período como o único jornal de Santa Cruz do Rio Pardo.

O DEBATE revolucionou a imprensa da região de Santa Cruz e Ourinhos. Foi pioneiro na adoção de cores em suas páginas e no lançamento de suplementos especiais. Se em 1978 o jornal já ousava lançar um suplemento cultural, na década seguinte houve vários lançamentos, como o “Debate Rural” e suplementos infantis.

Em 1995 surgiu o Caderno-D, um suplemento destinado a difundir a cultura e o lazer na cidade e região.
O DEBATE chega ao novo século com um projeto audacioso: transformar-se em publicação bissemanária.