Bens da família de Sueli poderão ser bloqueados

INCÓGNITA — Os dois caminhões apreendidos pela Polícia Civil têm placas do Estado do Rio de Janeiro
INCÓGNITA — Os dois caminhões apreendidos pela Polícia Civil têm placas do Estado do Rio de Janeiro
INCÓGNITA — Os dois caminhões apreendidos pela Polícia Civil têm placas do Estado do Rio de Janeiro

No dia seguinte à prisão da aposentada Maria da Conceição Pereira Feitosa, mãe da funcionária suspeita de desviar milhões dos cofres da prefeitura, a Polícia Civil apreendeu dois caminhões de propriedade do empresário Adilson Gomes de Souza, casado com uma das irmãs de Sueli. Segundo a polícia, não há comprovação de que os veículos foram adquiridos com recursos do próprio empresário.
Adilson procurou a polícia na manhã de anteontem e pediu para retificar um depoimento anterior. Na companhia do advogado Cássio Adriano de Paula, ele mudou pouca coisa, segundo explicou o delegado Waldir Alves de Oliveira.
Os dois caminhões Mercedes Benz apreendidos estão avaliados em R$ 100 mil. Um é de Petrópolis-RJ e o outro, do Rio de Janeiro-RJ. Adilson disse que os veículos foram entregues a ele para amortizar dívidas, mas não conseguiu dar maiores detalhes da negociação.
A mulher do empresário, Camila Souza — irmã de Sueli Feitosa — também pediu para ser ouvida novamente, mas a oitiva foi agendada para a próxima terça-feira.
A polícia também analisou a hipótese de apreender uma carreta nova de propriedade de Adilson, mas o delegado Waldir Alves explicou que o veículo possui financiamento bancário e, por isso, as investigações serão aprofundadas.
A delegada Isabel Bertoldo disse informalmente à imprensa que a família poderá apresentar todos os documentos fiscais para comprovar que o patrimônio de alto padrão foi amealhado pelo trabalho ao longo dos anos. Neste caso, as declarações do Imposto de Renda com os rendimentos anuais de cada um, bem como as aquisições ou venda de imóveis, poderão alucidar o crescimento patrimonial.
Existe a possibilidade de todos os bens da família serem bloqueados judicialmente até o fim das investigações.

Depoimentos

A Polícia Civil continua ouvindo pessoas que têm algum tipo de relação com o caso. Vários funcionários da prefeitura de Santa Cruz, inclusive alguns que trabalharam diretamente com Sueli Feitosa, prestaram depoimento nas últimas semanas.
O secretário de Finanças Armando Cunha, por exemplo, já foi ouvido três vezes e foi convocado para uma quarta oitiva. Até um corretor de imóveis, que negociou uma das propriedades de Sueli Feitosa no bairro Eldorado há alguns anos, foi ouvido pela polícia.
Nos próximos dias os delegados de Santa Cruz deverão ouvir a aposentada Maria da Conceição Pereira Feitosa, que está presa em Pirajuí. É provável que as autoridades se desloquem até aquela cidade para colher as declarações.
A polícia também continua investigando o paradeiro da funcionária pública acusada de desviar milhões dos cofres da prefeitura. As pistas indicam que a polícia está cada vez mais perto de Sueli. Já se sabe, por exemplo, que ela fez uma pequena cirurgia enquanto esteve foragida.
O delegado Waldir Alves de Oliveira não quis comentar se a prisão da mãe de Sueli pode fazer com que a funcionária se entregue à polícia. Segundo ele, a prisão de Maria da Conceição foi decretada em razão da “necessidade” do processo. “Em nenhum momento pensamos nesta hipótese. A prisão foi necessária para a investigação porque ela escondia provas e se afastou da cidade”, explicou o delegado.


Duas irmãs e o cunhado de Sueli chegam ao plantão da Polícia Civil
Duas irmãs e o cunhado de Sueli chegam ao plantão da Polícia Civil

Família contrata
outros advogados

As irmãs e dois cunhados de Sueli de Fátima Feitosa, a funcionária suspeita de desviar milhões dos cofres da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, começaram a se mobilizar para defesa ainda na fase do inquérito policial. Até então, todos estavam prestando depoimentos à polícia sem a presença de advogados, nem mesmo o defensor de Sueli, Antônio Godoy Maruca. Este, por sinal, passou a defender a mãe Maria da Conceição, presa na noite de quinta-feira, 26.
Na semana passada, o advogado Cássio Adriano de Paula, de Santa Cruz do Rio Pardo, foi contratado para defender os interesses da família. A princípio, Cássio já é o advogado da irmã de Sueli, Camila Souza Feitosa, e do marido dela, Adilson Gomes de Souza, empresário do ramo de compra e venda de feno.
A preocupação tem a ver com a linha de investigação da Polícia Civil, que descobriu fortes indícios de que o patrimônio da família cresceu diretamente com o dinheiro que Sueli Feitosa teria desviado da prefeitura.
Segundo informações, Sueli e a mãe moravam num conjunto habitacional popular, financiado pela Caixa Econômica Federal, nos anos 1980 a 1990. Em poucos anos, o crescimento patrimonial foi meteórico, passando por residências no bairro Eldorado e chegando ao Residencial Braúna. Sueli, Camila e Aparecida, todas filhas de Conceição, também moram em residências de alto padrão.
Além disso, a família ostenta muitos outros bens, como chácaras luxuosas e veículos. Os dois automóveis de Sueli Feitosa estão bloqueados por decisão judicial. Um deles, um Chevrolet Spin ano 2016, foi recolhido pela polícia. Outro, um Fiat Línea ano 2015, desapareceu com a proprietária. Segundo consta, o carro foi avistado nas ruas de Campinas.

HC é negado

O advogado de Sueli Feitosa, Antônio Godoy Maruca, deve tentar reverter a prisão da mãe dela, Maria da Conceição Feitosa, no Tribunal de Justiça de São Paulo. Na semana passada, quando a prisão ainda não havia sido decretada, ele ajuizou um “habeas corpus” preventivo em favor da aposentada, alegando, com base em notícias publicadas pela imprensa, que Conceição estaria sofrendo constrangimento ilegal.
O pedido foi negado pelo juiz Leonardo Labriola Menino. Para o magistrado, de fato as informações prestadas pela aposentada à polícia “são conflitantes com os depoimentos dos demais familiares da investigada Sueli”. O juiz ainda considerou que as justificativas do advogado tinham como base somente os noticiários da imprensa de Santa Cruz do Rio Pardo.

Sobre Sergio Fleury 6058 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate