Prisão da mãe pode fazer Sueli Feitosa se entregar

OBSTRUÇÃO ILEGAL — Delegado Waldir Alves disse que Conceição estava “dificultando a instrução criminal”
DESPEDIDA — Filha de Conceição se despede da mãe minutos antes da aposentada seguir para o presídio
DESPEDIDA — Filha de Conceição se despede da mãe minutos antes da aposentada seguir para o presídio

A aposentada Maria da Conceição Pereira Feitosa, 70, foi presa na noite de quinta-feira, 26, na casa da filha, a funcionária municipal Sueli de Fátima Feitosa, que está sendo procurada como principal suspeita de ter desviado no mínimo R$ 3,5 milhões dos cofres da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo. A prisão de Conceição foi decretada no final da tarde. Um dia antes, ela foi trazida a Santa Cruz pelo advogado de Sueli, Antônio Godoy Maruca.
Sueli Feitosa teve a prisão decretada no início do ano e, desde então, está foragida. A mãe dela, Maria da Conceição Pereira Feitosa, depôs à Polícia Civil no início do mês e garantiu que a filha não influenciou o padrão de vida dos parentes que, a exemplo de Sueli, moram em residências de alto padrão e ostentam luxo como veículos novos e várias propriedades. Muitas dos imóveis estão em nome da aposentada, que Conceição explicou serem fruto de compra e venda de propriedades ao longo dos anos.
No entanto, Silvia Feitosa prestou depoimento no último dia 13 e desmentiu a mãe. Segundo a Polícia Civil, ela contou que a irmã Sueli teve decisiva participação no crescimento do patrimônio da família. Conceição foi chamada novamente para depor, mas desapareceu. Ela apresentou um requerimento alegando que estaria viajando e “abalada psicologicamente” para prestar depoimento. Desde então, a polícia passou a considerar a hipótese de pedir a prisão da aposentada.
O advogado Antônio Godoy Maruca apresentou um pedido de “habeas corpus preventivo”, que foi negado pelo juiz Leonardo Labriola Ferreira Menino, da Vara Criminal da comarca de Santa Cruz. Maruca disse que apresentaria recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas a prisão da aposentada foi decretada antes.
A prisão da aposentada pode fazer com que Sueli Feitosa se entregue nos próximos dias.

A prisão

Médico entra na sala para examinar Maria da Conceição
Médico entra na sala para examinar Maria da Conceição

Maria da Conceição estava na casa onde mora com a filha Sueli, no Residencial Braúna, um dos bairros mais nobres de Santa Cruz do Rio Pardo. Os delegados Waldir Alves de Oliveira e Isabel Bertoldo foram à residência, onde vários familiares estavam reunidos, e disseram que precisavam falar com Conceição.
Sem saber que havia um mandado de prisão contra ela, a aposentada concordou em ser levada ao plantão da Polícia Civil, onde recebeu voz de prisão. Irritada, interrompia a todo instante as autoridades dizendo que não seria presa. “Eu não tenho nada com isso. Estou doente, tenho diabete e não posso ser presa”, afirmou em voz alta. A conversa pode ser ouvida por alguns instantes da janela em frente à delegacia. “Respeite o idoso, gente!”, repetiu Conceição.
A aposentada garantiu que não conversou com a filha durante o período em que se ausentou de Santa Cruz, logo após prestar depoimento à polícia no início do mês. Esta versão, entretanto, já foi derrubada por investigações policiais.
Maria da Conceição permaneceu mais de duas horas na sala e foi examinada pelo médico Reinaldo de Britto Costa Sobrinho. Depois, ela ainda teve contato com duas filhas que chegaram ao Plantão Policial no final da noite.
Maria da Conceição Pereira Feitosa foi levada ao presídio feminino de Pirajuí. A prisão dela foi decretada por tempo indeterminado.


Aposentada disse que
desmaiou em S. Paulo

A aposentada Maria da Conceição Pereira Feitosa
A aposentada Maria da Conceição Pereira Feitosa

Presa na noite de quinta-feira, 26, a aposentada Maria da Conceição Pereira Feitosa, 70, não quis contar aos delegados de Santa Cruz do Rio Pardo o paradeiro da filha Sueli Feitosa, que está foragida desde o início do ano. Antes de ser levada para o presídio feminino de Pirajúi, Conceição conversou mais de duas horas com os delegados.
A princípio, negou que tivesse qualquer contato com a filha, mas aos poucos a polícia foi exibindo provas. Foi aí que Conceição contou uma história que provocou risos nos policiais. A aposentada disse que viajou até São Paulo para encontrar a filha, mas acabou desmaiando na rua, sendo socorrida por um estranho. Ela garante que não se lembra o que aconteceu depois. “Mas não sei onde minha filha está”, insistiu.
A polícia também exibiu um contrato de compra de imóveis assinado por Conceição, para derrubar a versão de que ela praticamente não sabia quais os negócios que estavam sendo realizados pela família. Sobre isto, a aposentada disse que mal sabe ler e que teria assinado documentos sem conhecer seu verdadeiro teor.

 

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Proprietário e Editor do Jornal Debate