Polícia vai indiciar família inteira

Delegados e investigadores, durante pausa no interrogatório de Sueli
Foto: Lucas Pereira
Sueli Feitosa é algemada (Foto: Lucas Pereira)

A Polícia Civil vai concluir nos próximos dias o primeiro inquérito sobre o esquema criminoso que desviou milhões dos cofres do município. A informação é do delegado Renato Mardegan, que deverá encaminhar os autos para o Ministério Público. Sueli Feitosa e mais sete pessoas da família deverão ser indiciadas.
Com base nos relatórios da Polícia Civil, o Ministério Público vai denunciar os envolvidos à Justiça. Grande parte do patrimônio já está sequestrada pela Justiça, com bens bloqueados e alguns veículos apreendidos.
Além de Sueli, deverão constar no inquérito como indiciados as irmãs Camila, Silvia e Aparecida, a mãe Maria da Conceição Feitosa e os cunhados Adilson Gomes — que está preso na penitenciária de Cerqueira César — e Pedro.

Foto: Dário Miguel
Cela de Sueli Feitosa

Mas o trabalho da Polícia Civil não termina com o fim deste inquérito. Segundo o delegado Renato Mardegan, a partir de agora haverá uma nova investigação para apurar a suposta organização criminosa que se beneficiou do esquema de desvio de dinheiro público. “Na verdade, é agora que começa para valer”, explicou o delegado Renato Mardegan.

Ele não descarta ouvir novamente a funcionária Sueli Feitosa nos próximos dias. Mardegan ressaltou que pode pedir autorização ao juiz para trazer a detenta até Santa Cruz do Rio Pardo, já que as condições do presídio de Pirajuí não são adequadas para um interrogatório. No local, por exemplo, o depoimento não pode ser gravado.
Numa outra etapa a Polícia Civil também vai apurar responsabilidades de agentes públicos, inclusive por negligência. O delegado Renato Mardegan já antecipou que, ao longo de muitos anos, ficou evidente que não havia controle ou fiscalização na Tesouraria da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo.


 

Desafio atual é desvendar
milhares de documentos

Delegado Mardegan já recebeu milhares de documentos
Delegado Mardegan já recebeu milhares de documentos

Os delegados de Santa Cruz do Rio Pardo já receberam uma verdadeira “montanha” de documentos relativos à quebra de sigilo bancário da funcionária Sueli de Fátima Feitosa e dos familiares dela. O desafio das próxima semanas será montar o “quebra cabeça” para desvendar a estrutura de uma provável organização criminosa que se beneficiou do desvio milionário de dinheiro público.
A Polícia Civil ainda não sabe exatamente o valor desviado. Embora a prefeitura diga que o desfalque chegou a R$ 3,5 milhões, acredita-se que o montante pode passar de R$ 10 milhões.
Algumas informações interessantes foram dadas pela própria Sueli Feitosa em seu interrogatório e confrontadas com documentos. É o caso do dinheiro que a funcionária costumava depositar para sobrinhos e afilhados. Os valores são incompatíveis com os rendimentos da funcionária.
“São aqueles valores que as pessoas comuns costumam dar às crianças, como R$ 10 ou R$ 20. Mas a Sueli depositava R$ 500, R$ 1,5 mil ou até R$ 2,5 mil. Qualquer um sabe que é impossível um trabalhador fazer isto todo mês, mas existem provas nos autos”, afirmou.
De posse dos documentos, a Polícia Civil vai iniciar o trabalho para levantar todos os bens dos envolvidos e detectar todo tipo de ligação. “São datas e benefícios que foram angariados pela família”, explicou o delegado.
De acordo com Renato Mardegan, os policiais de Santa Cruz do Rio Pardo estão recebendo apoio da Delegacia Seccional de Ourinhos e deverão submeter muitos documentos ao departamento especializado em Lavagem de Dinheiro. Neste caso, em seis meses a Polícia Civil terá toda a estrutura da movimentação criminosa a partir dos desvios nos cofres da prefeitura.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate