Cruzeiro da extinta Tupá é retirado para a restauração

Peça histórica foi levada para Agudos e será restaurada por especialistas
Cruzeiro foi retirado quase 200 anos após ter sido colocado no local
Cruzeiro foi retirado quase 200 anos após ter sido colocado no local

Durante quase duzentos anos, ele ficou inerte no mesmo local, provavelmente como guardião do cemitério de São Domingos do Tupá, cidade nas imediações de Domélia — distrito de Agudos, localizado entre Bauru e Santa Cruz do Rio Pardo — que desapareceu no século passado. Na manhã da última terça-feira, 16, o velho cruzeiro foi retirado por uma equipe do “Espaço Histórico Plínio Machado Cardia”, de Agudos. Ele deverá ser restaurado e possivelmente vai integrar o acervo de um museu. O ato foi acompanhado pelo prefeito Altair Francisco Silva.
Há duas semanas, as relíquias do antigo cemitério foram visitadas pelos historiadores santa-cruzenses Celso Prado e Junko Sato Prado. O local já havia sido fotografado em 2004 pelo DEBATE, mas Celso alertou que o velho cruzeiro — que pode ter sido esculpido em 1830 — já estava muito deteriorado e preso apenas por cipós. A qualquer momento, segundo o historiador, ele iria ruir.
Foi, então, que um grupo de pesquisadores de Agudos tomou a iniciativa de resgatar o cruzeiro. A remoção, feita por quatro homens, não teve grandes dificuldades, já que o objeto saiu facilmente do chão. Uma pequena parte da base precisou ser cortada porque estava podre. O cruzeiro foi levado numa pequena caminhonete para Agudos.
A peça histórica vai passar por um trabalho minucioso de restauração, que ainda não tem data prevista para ser concluído. Depois, será a prefeitura de Agudos quem decidirá a destinação do cruzeiro. “A cruz vai ficar sob os cuidados do museu, onde será providenciada a restauração. O Conselho Municipal de Cultura e Turismo vai avalisar qual será a destinação”, disse o prefeito Altair Francisco Filho ao repórter Aurélio Alonso, do “Jornal da Cidade” de Bauru, que acompanhou o trabalho de remoção na terça-feira.
Altair está impressionado com o resgate histórico de São Domingos do Tupá através do trabalho de pesquisadores e da imprensa. “Há 200 anos já tínhamos uma população que ficou esquecida e agora está vindo à tona com essa história sendo resgatada”, disse.
A diretora do “Espaço Histórico Plínio Cardia”, Marilena Cardia, admitiu que a prefeitura vai dar a “última palavra” sobre o destino do cruzeiro. “Se ficar comigo, vai para o museu”, disse. O espaço em Agudos é particular e já possui uma imagem de São Benedito e um altar de madeira que pertenciam à antiga igreja de São Domingos do Tupá.

Ruínas da civilização

Prefeito acompanhou os trabalhos
Prefeito acompanhou os trabalhos

São Domingos do Tupá surgiu no início do século XIX, se desenvolvendo como uma espécie de “sentinela” do sertão. Registros históricos mostram que os primeiros documentos de batismos e casamentos em Santa Cruz do Rio Pardo eram feitos em Tupá, que ganhou o título de “comarca eclesiástica” durante o Império.
Pesquisas confirmam que São Domingos foi o segundo maior “quarteirão” eleitoral nas últimas décadas do Império. Em 1856, a igreja do local foi elevada à condição de paróquia. Tupá, enfim, era o centro de toda uma região.
Ainda existem pessoas vivas que se lembram do comércio forte e das casas de São Domingos, que eram abastecidas por um “rego d’água’ que cortava a cidade.
A decadência começou com a proclamação da República e a emancipação política de Santa Cruz do Rio Pardo no final do século XIX. Já no século seguinte, São Domingos foi extinta como cidade e passou a pertencer a Agudos. Aos poucos, os imóveis foram sendo demolidos e a população deixou o local. Nada sobrou, a não ser o velho cemitério — hoje em ruínas — e o imponente cruzeiro resgatado na semana passada.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate