Cabelo cortado aos 14 anos foi doado só aos 24

SOLIDARIEDADE — Felipe, professor da escola Wizard, doou uma vasta cabeleira para uma professora de Bauru

Professor de Inglês doou cabelos cortados
na adolescência a uma paciente de Bauru

Felipe mostra a cabeleira cortada há dez anos e agora doada a uma professora
Felipe mostra a cabeleira cortada há dez anos e agora doada a uma professora

O professor de Inglês da escola de idiomas Wizard, de Santa Cruz do Rio Pardo, Felipe Rissato Martins Bravo, 24, demorou uma década para fazer uma boa ação. Ele cortou a cabeleira de 60 centímetros, loira e ondulante, quando tinha 14 anos, disposto a vendê-la para fábricas de perucas. O preço oferecido, entretanto, não o convenceu e ele guardou o cabelo. Na semana passada Felipe doou as madeixas para uma professora do irmão, que mora em Bauru e está em tratamento contra um câncer.
“Estou feliz, me sentindo bem. Parece que Deus me fez guardar este cabelo tanto tempo para ajudar alguém”, disse. Felipe conta que gostava de cabelos compridos quando era adolescente. “Minha mãe, inclusive, me incentivava. Mas na escola o pessoal caçoava, dizendo que eu tinha cabelos de menina”, lembra.
Na verdade, quando cresceu Felipe percebeu que cabelos longos dá muito trabalho. “Ficava um tempão para lavar e demorava para secar. Cansei e, então, resolvi enfrentar o cabeleireiro e cortar”, conta. Na época, chegaram a oferecer R$ 800 pelos cabelos, mas o professor não aceitou. “Achei pouco”, garante.
Há pouco tempo, o irmão dele — Gustavo, o mais velho — contou a história de uma professora de Bauru, que estava em tratamento contra um câncer. Sabendo que perderia os cabelos, a princípio ela pensou em cortar antes e guardar. Porém, um cabeleireiro avisou que os cabelos eram fracos e não poderiam ser usados como peruca.
Foi aí que Felipe se sensibilizou e concordou com o pedido de Gustavo para doar os cabelos à professora. “Me sinto tão bem que é claro que valeu a pena”, disse.
O professor sequer conhece a colega de Bauru. “Mas estou curioso para conhecê-la. Acho que será possível um encontro durante o tratamento dela”, disse.
Felipe Rissato, na verdade, tinha tanto cabelo que ainda sobrou parte dos fios retirados na adolescência. “Acho que ainda tem metade”, brincou. Mas ainda não pensou sobre o que fazer com o resto.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate