Livro de Rhigon é traduzido na Itália

Na Itália, Plínio mostra primeiros exemplares da obra traduzida

História escrita em S. Cruz
foi adaptada para o italiano

Capa do livro de Plínio Rhigon traduzido na Itália
Capa do livro de Plínio Rhigon traduzido na Itália

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Quatro anos depois de deixar o Brasil, quando trocou sua Santa Cruz do Rio Pardo pela Itália, o artista plástico, dramaturgo e escritor Plínio Rhigon teve um de seus livros traduzido para o italiano. Os primeiros exemplares já estão chegando às livrarias e, para Plínio, é uma experiência única. “Ainda não caiu a ficha”, disse ele, por telefone, na última quinta-feira, 19.
Plínio está se transformando, muito provavelmente, no primeiro escritor da história de Santa Cruz do Rio Pardo a ter uma obra traduzida para outra língua.
O livro é “Uma cachorra chamada Estrela”, lançado em 2009 durante evento no Icaiçara Clube, que na tradução virou “Un Cane Tutto Mio”. Na verdade, a obra faz parte de uma coletânea de quatro livros infantis cujas histórias aconteceram exatamente em Santa Cruz do Rio Pardo. Os textos foram escritos quando Rhigon era professor da escola “Sinharinha Camarinha”.
De quebra, os desenhos do livro original, em português, foram mantidos na versão italiana. São ilustrações do artista Leandro Lobo, também um santa-cruzense.
Plínio foi estimulado a traduzir suas obras por amigos italianos. O primeiro, ele mesmo iniciou a tradução, mas o texto foi passando por várias mãos até que chegou numa jornalista que resolveu fazer uma adaptação para o italiano. Então, a história sofreu pequenas mudanças de localização. O menino brasileiro do livro virou italiano, enquanto o enredo passou a acontecer em Milano.
Até o sobrenome Rhigon voltou às origens, sem o “h” que Plínio acrescentou há muitos anos, depois de pesquisar numerologia. Coisa de artista.
O resultado foi entregue a uma editora, que resolveu investir no escritor. Segundo Plínio, os italianos têm facilidade para a impressão de livros, já que as melhores máquinas são produzidas na Itália e Alemanha, o que torna o custo mais acessível. Porém, são negociantes ao extremo. “Eles costumam fazer uma pesquisa entre distribuidores e o público antes de lançar alguma obra. Não é como no Brasil, onde é comum iniciar um projeto para depois ver no que dá”, explicou.

Cartaz do livro também está à venda por um Euro
Cartaz do livro também está à venda por um Euroio

É por isso que “Un Cane Tutto Mio” ainda terá uma tiragem pequena para os padrões italianos antes de ser definitivamente lançado em todo o país. “Eles não fazem nada sem estudar o mercado. Antes da impressão, os editores pesquisaram livrarias e, inclusive, aceitaram pedidos antecipados”, contou. Como a procura foi boa, a segunda etapa é colocar o livro nas prateleiras em tiragem limitada.
Uma grande rede de lojas chamada “Zoo Planet”, com produtos para animais, também vai oferecer o livro aos clientes. Até o poster da obra será vendido na “Feira de Luca”, na região da Toscana, ao custo de um Euro. “Se não compram o livro, podem levar o poster. A italianada realmente sabe trabalhar”, disse o escritor. Se tiver sucesso nas lojas, a obra será lançada em toda a Itália.
O projeto completo é, na verdade, a tradução de três livros, semelhante à coletânea que o autor lançou em Santa Cruz há oito anos. Plínio Rhigon já assinou contrato com a editora se comprometendo a apresentar mais duas histórias, uma por ano. O segundo livro, portanto, já está sob contrato com a “Arca Edizioni” e já tem até título: “E Mio Cane Si Sposa”.
Plínio Rhigon já tem uma agenda de compromissos em várias livrarias, onde vai exibir uma cena teatral para apresentar o livro. Em cada local, ele dará autógrafos ao público. Mesmo com tiragem limitada na primeira parte do projeto com a editora, o livro será oferecido em quase 200 pontos de venda na Itália.
Escritor, dramaturgo, artista plástico, diretor teatral e professor, Plínio Rhigon só lamenta se deparar com pouca literatura brasileira na Itália. “Dá para encontrar Jorge Amado ou Paulo Coelho”, disse. Agora, entretanto, Plínio Rhigon será acrescentado a esta pequena lista.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate