‘Colapso’ na Central de Polícia Judiciária prejudica emissão de RG

Uma única funcionária atende dezenas de pessoas na sala de emissão de documentos

Sem funcionários, situação provoca filas de moradores

Dezenas de pessoas procuram diariamente a CPJ em busca de documentos
Dezenas de pessoas procuram diariamente a CPJ em busca de documentos

A falta de funcionários na Central de Polícia Judiciária de Santa Cruz do Rio Pardo já prejudica a emissão de RG, a cédula de identidade. Nas últimas semanas, houve filas na CPJ e, inclusive, distribuição de senhas. O delegado Renato Mardegan, aliás, não pode dar entrevista porque estava ocupado com outros serviços.
Nem mesmo o atendimento ao público está funcionando normalmente. No final do ano passado, o prefeito Otacílio Parras Assis (PSB) suspendeu o “empréstimo” da única funcionária que trabalhava no setor na Polícia Civil, Sueli Lopes Reginato. Ela estava na repartição estadual há quase 20 anos, mas agora foi convocada para retornar às funções de servente no prédio da prefeitura. O prefeito se recusou a renovar o convênio de “empréstimo” da servidora municipal com o Estado.
Desde que Sueli deixou a Central de Polícia Judiciária, vários funcionários — entre escrivãos e investigadores — estão se revezando no atendimento ao público. A improvisação prejudica diretamente um dos serviços mais procurados pelo público, a emissão de RGs, que agora só funciona às terças e quintas.

Luciana e a mãe foram três vezes à CPI para buscar RG do pequeno Marcelo
Luciana e a mãe foram três vezes à CPI para buscar RG do pequeno Marcelo

Na última quinta-feira, 1º, dezenas de pessoas aguardaram horas para serem atendidas. O setor, que possui apenas uma funcionária, distribuiu senhas para organizar as filas. Quem chegou após o fim das senhas, ficou sem atendimento.
Cláudia Contini foi à repartição com a mãe e o filho Eduardo, para providenciar o documento do garoto. Ela já havia procurado a CPJ dois dias antes, mas as senhas tinham se esgotado. “Hoje sou número dez, mas estou aguardando há quase duas horas”, disse. Eduardo, por sinal, dava sinais de impaciência. “Ele está com fome”, admitiu Cláudia.
Luciana Aparecida Andrade também aguarda o documento do filho Marcelo, 5. Ela já esteve na CPJ duas outras vezes, na companhia da mãe, que também precisa de documento. “É nossa terceira vez. Um dia não havia atendimento e, no outro, as senhas tinham acabado. Hoje tivemos sorte e conseguimos as senhas, mas estamos na fila há mais de uma hora”, disse.
Clara Paes Cruzatti de Castro precisa da segunda via do RG da mãe. “Vim na segunda e o serviço não estava funcionando. Paguei a taxa e voltei na terça, mas não havia mais senhas. Hoje cheguei bem mais cedo e pelo menos vou ser atendida”, disse, exibindo a senha número onze.

Sobre Sergio Fleury 4727 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate