Animal deve ter saúde bucal em dia

Tratamento dos dentes é feito numa sala especial onde animal é sedado

Veterinário Matheus Caraça alerta que a sujeira pode
 provocar problemas no aparelho digestivo dos animais

PREPARAÇÃO — Matheus Caraça mostra o centro onde o animal é sedado
PREPARAÇÃO — Matheus Caraça mostra o centro onde o animal é sedado

Quase ninguém pensa nisso, mas cães e gatos devem ter a saúde bucal em dia. Os bichinhos de estimação têm menor probabilidade para cáries do que os humanos, mas a sujeira nos dentes — como formação de placa bacteriana e tártaros —, assim como inflamações na gengiva, podem provocar problemas estomacais e até a necessidade extrema de extração de alguns dentes. E, ao contrário do que muita gente imagina, a dentição de cães e gatos é como a dos humanos, com o nascimento dos dentes de leite, queda e posterior dentição permanente.
O veterinário Matheus Caraça, que atende em Santa Cruz do Rio Pardo à rua Ricardo Rios, na clínica “Pet & Gatô”, além de ortopedia, também trabalha com odontologia de animais. Ele ressalta que, como o humano, um dente perdido do animal não nasce mais. O problema é que o bichinho não avisa que está com alguma doença na boca.
Por isso, o dono deve estar sempre atento ao comportamento do animal e, se possível, verificar periodicamente a boca. Além disso, a limpeza é aconselhável, embora o dono necessite adotar alguns cuidados.
O tártaro, por exemplo, provoca a formação de bactérias que são ingeridas pelo animal junto com água ou alimentos. “É um caminho para doenças”, adverte Matheus Caraça.
Além disso, a má higienização provoca gengivite ou periodontite, um dos mais graves problemas que afligem a boca e causa inflamação. Ao mostrar um raio-X de um cão com uma inflamação grande na boca, o veterinário conta que, muitas vezes, é preciso a extração de um ou mais dentes.

Equipamentos são sofisticados
Equipamentos são sofisticados

Segundo o veterinário, é aconselhável providenciar uma escovação periódica dos dentes — diariamente ou pelo menos três vezes por semana. Isto pode ser feito com escovas especiais acopladas ao dedo do dono. Mas também existem produtos líquidos que, colocados na boca do animal, ajudam na limpeza de forma rápida.
No caso da escova no dedo, o risco é uma mordida do animal. “Por isso, aconselho as pessoas a ensinarem seus animais desde pequenos ou começarem a manusear a boca bem devagar. Afinal, o cão pode imaginar que está sendo atacado. Mas, com o tempo, eles acostumam”, disse.
A pasta usada por humanos, geralmente com flúor, também não é aconselhável pelo risco de provocar gastrites. “Na verdade, ela também provoca isto nos humanos, mas nós não engolimos a pasta. Já os animais não sabem que devem cuspir”, explicou.
Entretanto, o veterinário disse que existem tipos de pastas dentais especiais para animais, até mesmo nos sabores frango e carne.

Anestesiado

E como tratar os dentes do animal? Matheus Caraça possui um centro cirúrgico em sua clínica, que também pode ser usado nestes casos, principalmente para sedar o animal. A respiração, por exemplo, passa a ser mecânica enquanto o trabalho é realizado. Antes, é aplicada uma anestesia geral.
O trabalho é facilitado com um aparelho colocado na boca do animal, que evita o fechamento. A duração do serviço de limpeza dos dentes varia de acordo com o animal, mas geralmente é feito em no máximo 40 minutos.


PREVENÇÃO — Matheus mostra vacina importada contra cinomose
PREVENÇÃO — Matheus mostra vacina importada contra cinomose

Cinomose: informação
passa a ser fundamental

O veterinário Matheus Caraça disse na semana passada que a cinomose — doença que atinge cães — é um problema sério em todo o Estado. A região de Santa Cruz, por exemplo, segundo ele, sempre foi problemática em relação a esta doença. “É preciso muita informação sobre a cinomose, pois a única prevenção é a vacina”, alerta.
A doença, altamente contagiosa entre animais, é provocada por um vírus. “O animal contaminado deixa rastros em portões e objetos. Então, é fácil transmitir, já que os cães costumam cheirar muito”, afirmou. “Ela é transmitida pelo focinho e pela urina ou fezes”, disse.
No primeiro estágio da cinomose, o animal fica sem apetite, abatido e às vezes com diarreia ou vômito. Depois, há secreções através do olho e nariz. “No terceiro estágio, o vírus ataca o sistema imunológico e, caso o animal seja curado, é muito provável que fique com sequelas”, explicou. A mais grave é deficiência na locomoção.
Os donos devem ficar atentos à vacinação, que deve ser feita todos os anos. Quando o animal nasce, a vacina é dada em três doses, em intervalos de 21 dias. “Isto é necessário porque o cãozinho tem imunidade baixa quando é pequeno”, lembrou. O rottweiler, por exemplo, tem a imunidade ainda mais baixa que as demais raças.
O veterinário disponibiliza vacinas dos Estados Unidos que, segundo ele, tem eficácia superior. No entanto, há outras vacinas, como contra a raiva, que, inclusive, é obrigatória.
A “Pet & Gatô” fica na rua Ricardo Rios (paralela à Carlos Rios), 148, na Chácara Peixe, em Santa Cruz. O telefone é (14) 3372-1958.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate