Município não quer pagar por danos em imóvel na Estação

Até a parte externa do muro cedeu na casa de Celso Valadão, no bairro da Estação

Casa no bairro da Estação foi avariada durante obra
da Codesan em galeria, que provocou enormes buracos

Obras em avenida danificaram a casa

Em Santa Cruz do Rio Pardo, um morador da avenida Jesus Gonçalves, no bairro da Estação, aguarda há meses providências da prefeitura após sua casa ser danificada por uma obra da Codesan, no ano passado. Ele diz que, na época, houve promessa de ressarcimento pelo poder público, que até o momento não foi cumprida. Para piorar, agora o município diz que ele deve acionar a Justiça para reclamar seus direitos.
Celso Reginaldo Valadão, 56, é representante comercial. Há 40 anos, comprou um lote e construiu a residência onde vive até hoje com sua família. Ele recorda que, no ano passado, quando a Codesan começou as obras para a troca de tubulações de galerias pluviais na avenida Jesus Gonçalves, o muro de sua casa foi afetado. “Só não caiu porque fiz ele bastante reforçado”, diz Celso, que procurou a secretária de obras da prefeitura, Carla Umezu. “Ela veio aqui, entrou na minha casa e disse para eu ficar tranquilo que o município iria me ressarcir”, afirma o morador.
Meses depois, em janeiro de 2018, a situação se agravou. Durante a continuação da obra, um trabalhador da Codesan foi soterrado. Ele estava dentro do buraco quando houve um desmoronamento. O homem foi socorrido rapidamente e teve a clavícula fraturada. Após o acidente, os bombeiros solicitaram que fosse feita uma barreira de contenção, para evitar novos deslizamentos. “Quando a Codesan começou a fazer o bate-estaca, com vigas de eucalipto dentro do buraco, a vibração rachou o piso do meu quintal, estourou o encanamento de água e ainda afetou os azulejos da cozinha”, relata Celso. Devido ao vazamento de água, a conta da residência ultrapassou os R$ 2 mil reais. Mesmo fazendo um acordo com a Sabesp, que descontou o valor do esgoto, o prejuízo passou dos R$ 1 mil. “Dividi em 10 vezes e ainda estou pagando”, afirmou.

DESCASO — Celso mostra estrago em muro, que prefeitura se nega a pagar

 

Azulejos da parede também caíram

Celso então solicitou que três pedreiros fizessem orçamentos para os reparos em sua residência. O valor, em média, ficou na faixa dos R$ 4 mil. Há cerca de 3 meses, o morador voltou à prefeitura para, novamente, conversar com a chefe do setor de obras. Para sua surpresa, a postura foi completamente diferente. “A Carla simplesmente me disse que se eu quisesse algum tipo de ressarcimento deveria acionar a prefeitura na Justiça”, diz o representante comercial.
Indignado, Celso questiona a posição da administração. “Só o laudo, feito por um engenheiro, custaria mais de R$ 1,5 mil, fora o que eu teria que gastar com advogado. Ficaram todo esse tempo sem me dar uma resposta e agora não querem consertar o estrago que eles fizeram. É um absurdo”, disse.
Em nota encaminhada pela prefeitura, a secretaria de Obras alega que o morador não teria apresentado os três orçamentos para solicitação de indenização por danos, versão que difere daquela apresentada pelo denunciante.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate