Santa-cruzense hexacampeão pelo Náutico é homenageado

Depois de passar pelas categorias juvenil e amadora, Ivan estreou no time principal do Palmeiras em 1960

Ivan Brondi foi tema de editorial do jornal “Diário
de Pernambuco”, o mais antigo em circulação no País

Em 1960, aos 18 anos, Ivan (à direita) jogou pelo Brasil em Roma

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Entre os jogadores de futebol nascidos em Santa Cruz do Rio Pardo que mais se destacaram no cenário brasileiro certamente Ivan Brondi está no topo. Hoje dentista e ainda conselheiro do time pelo qual foi hexacampeão estadual, o ex-jogador foi homenageado com um editorial na página nobre do jornal “Diário de Pernambuco”, fundado em 1825 e considerado o mais antigo em circulação no Brasil. Escrito pelo jornalista Aluísio Xavier, “Ídolos são para sempre” exalta o caráter e o brilho de Ivan nos gramados do Nordeste vestindo a camisa do Náutico.
O texto foi publicado no início do mês, lembrando que um grupo de torcedores do Náutico havia prestado “justa homenagem ao grande capitão do hexacampeonato”, colocando sua foto em outdoors sob os dizeres “ídolos são para sempre”. Segundo o jornalista, nada é mais verdadeiro, uma vez que Ivan, “além de ser uma pessoa de excelente caráter, nunca foi expulso de campo”.
O editorial lembra que Ivan jogou todos os seis campeonatos vitoriosos, de 1963 a 1968, num total de 126 das 140 partidas disputadas, o que corresponde a um extraordinário percentual de 90% de presença no time. “E sempre como titular, sendo de destacar que apenas não integrou a equipe quando estava contundido”, afirmou.
Para o jornalista, o histórico hexacampeonato foi uma conquista que nenhum outro clube conseguiu em meio século. E Ivan retribuiu ao clube em que estreou em 1963, conquistando de imediato o primeiro campeonato. No entanto, mesmo ao se aposentar, o jogador seguiu ligado ao clube, seja como atleta, torcedor e dirigente. “Ou seja, praticamente 50% da vida de futebol do Náutico conta com a relevante presença de Ivan”, escreveu o jornalista.
O editorial conta um episódio curioso, no último jogo do hexa, no dia 21 de julho de 1968. O jornalista lembra que estava presente no estádio e viu Ivan deixar de chutar uma bola no final do jogo, quando estava sozinho na pequena área tendo o goleiro como único obstáculo. Anos depois, perguntou o motivo ao próprio Ivan. “Ele me respondeu que um torcedor, evidentemente da equipe no final derrotada, apitou no exato momento do seu chute, fazendo-o não prosseguir na jogada em respeito a uma decisão que supunha ter partido do árbitro do jogo”. Para o articulista, a decisão mostrou a disciplina, uma das marcas da sua brilhante trajetória de atleta.

Ivan Brondi na Itália, onde jogou pela seleção brasileira em 1960

Glória nordestina

Ivan Brondi de Carvalho nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo em 7 de outubro de 1941. Desde cedo, se destacou jogando futebol nos campos da cidade, principalmente no Clube Náutico. Em 1958, quando foi cursar o colegial em São Paulo, Ivan foi desafiado por um primo a fazer um teste no Palmeiras. Assim, seis meses após ter chegado à capital, já jogava no juvenil do alviverde. Depois de uma rápida passagem pela divisão amadora, em 1960 já era atleta do time profissional do Palmeiras.
Naquele mesmo ano, experimentou a glória de ser convocado pelo técnico Vicente Feola para a seleção olímpica brasileira, que disputou as Olimpíadas de Roma. Tinha apenas 18 anos e atuou ao lado do “canhotinha” Gerson — que mais tarde seria um dos líderes da seleção campeã do mundo no México em 1970 — e Roberto Dias. O time não foi longe porque, segundo Ivan, a maioria das seleções se apresentou em campo com os times principais. O Brasil de Ivan Brondi venceu Inglaterra e China, mas parou no ataque da Itália, deixando a competição ainda na primeira fase.
De volta ao Brasil, Ivan foi contratado pelo Botafogo de Ribeirão Preto, mas, ao prestar o serviço militar, teve problemas para jogar. Em 1963, chegou ao Náutico de Pernambuco para seu período de maiores conquistas.
Foi hexacampeão entre 1963 e 1968, tricampeão do antigo Campeonato Norte/Nordeste e vice-campeão brasileiro em 1967.
Neste último, disputou os três jogos na final contra o Palmeiras, após eliminar o Santos nas semifinais. Perdeu o primeiro (3×1) e venceu o segundo em pleno Parque Antarctica (2×1). Na finalíssima, disputada no Maracanã, o Palmeiras levou a melhor com a vitória de 2×0.
No entanto, além dos títulos que acumulou ao longo da carreira, Ivan Brondi possui outras conquistas. Uma delas foi participar do histórico jogo em que o Náutico venceu o Santos de Pelé por 5×3. Foi no dia 17 de novembro de 1966 e o jogo é lembrado pelos alvirrubros como o dia da vitória mais espetacular da história contemporânea do Náutico.
A partida foi disputada no Pacaembu, com 35.000 torcedores apoiando o Santos. Ivan foi um dos comandantes do time que começou vencendo logo com um gol no primeiro minuto e não se importou com o empate dez minutos depois, impondo um ritmo de jogo que envolveu o Santos de Pelé e companhia. A goleada foi manchete nos jornais de todo o País e ficou para sempre nas memórias de Ivan Brondi.

* Colaborou: Toko Degaspari

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Proprietário e Editor do Jornal Debate