‘Cantor’ desiste de contratar procurador

O vereador “Cantor” admitiu que legislação poderia impedir nomeação

Presidente da Câmara admitiu que possíveis ações judiciais
poderiam atrapalhar nomeação e, por isso, desistiu da ideia

O vereador Marco “Cantor” Valantieri (PR) anunciou na semana passada que desistiu da proposta de contratar mais um procurador jurídico para a Câmara. Presidente do Legislativo até o final de dezembro, ele usou os microfones da rádio Difusora, da qual é funcionário, para atacar o DEBATE e, contrariando opinião do atual procurador, garantir que a contratação de mais um advogado é absolutamente necessária. No entanto, disse em seguida que estava desistindo de abrir concurso devido a obstáculos na legislação.
Ao noticiar que o presidente da Câmara estava disposto a contratar mais um procurador sem necessidade, o jornal alertou que o período eleitoral e a Lei de Responsabilidade Fiscal poderiam impedir os planos de “Cantor”. O vereador reconheceu o problema e admitiu que uma eventual ação judicial poderia barrar a contratação até pelo próximo presidente da Câmara. “Está suspenso”, completou, não sem antes dizer que o jornal “mentiu” ao publicar que o salário base do procurador era R$ 10,4 mil. Segundo o presidente, o valor é R$ 8,6 mil. Os números veiculados pelo jornal, entretanto, estão disponíveis no Portal da Transparência da própria Câmara de Santa Cruz.
A possível contratação de um novo advogado foi anunciada depois que o atual procurador, João Luiz de Almeida Júnior, em declarações a emissoras de rádio, confirmou que o ex-presidente da Codesan, Cláudio Agenor Gimenez, pagou horas extras irregulares, num esquema idêntico aos governos anteriores. Há, inclusive, farta documentação comprovando a irregularidade.
A afirmação enfureceu o prefeito Otacílio Parras (PSB), que foi às rádios atacar o procurador. Parras é o maior defensor de Agenor em Santa Cruz e recentemente reconduziu-o ao governo, com status e salários de secretário
Na sequência, Otacílio se reuniu com o presidente da Câmara para discutir o caso. No dia seguinte, Marco “Cantor” anunciou que iria abrir concurso para contratação de um novo procurador. Após a circulação do DEBATE, acabou desistindo.

Sem necessidade

A contratação de um novo procurador é desnecessária até na visão do atual detentor do cargo na Câmara. João Luiz de Almeida Júnior, por ter participado da “CPI das Horas Extras” que responsabilizou Agenor, ganhou a antipatia do governo. Mas ele garante que os serviços estão em dia e não há necessidade de novo advogado.
O presidente da Câmara, porém, cita as horas extras feitas por Almeida para justificar a necessidade. Além disso, ele considera a carga horária de quatro horas diárias insuficientes para o trabalho, mas se esquece que foi a própria Câmara quem determinou este horário no concurso público. De fato, o advogado recebe horas extras, todas autorizadas pelo próprio presidente Marco “Cantor” Valantieri. Almeida, por exemplo, trabalhou na coordenação da “CPI das Horas Extras”, que ouviu mais de 60 pessoas entre o final do ano passado e o início deste ano em horários fora do expediente do procurador.
Extraoficialmente, segundo apurou a reportagem, o atual procurador recebeu 390 horas extras em cinco anos de trabalho. A média é de 6,5 horas por mês, mas cai para 3,5 horas sem contar o trabalho em CPIs.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate