Dominicanos divulgam um manifesto contra Bolsonaro

O frei José Fernandes Alves

De acordo com frei, se Jesus votasse
hoje, não seria no candidato do PSL

Diego Singolani
Da Reportagem Local

Em um texto divulgado no último dia 18, o frei José Fernandes Alves, Superior da Província “Frei Bartolomeu de Las Casas”, em Goiânia-GO, fez duras críticas ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL). Apesar de não o citar nominalmente, o religioso diz que o presidenciável já declarou abertamente ser favorável ao regime ditatorial, além de defender que os crimes cometidos pela ditadura militar brasileira foram insuficientes para a moralização do País. “Nestes dias, tenho feito a mim mesmo a seguinte pergunta: em qual candidato Jesus votaria? O meu coração me diz: certamente, este não seria o candidato de Jesus, porque Ele é amor, verdade, paz e tolerância. Então, como pode colocar Deus acima de todos?”, questiona o frei em seu manifesto, fazendo uma clara alusão ao slogan de campanha de Bolsonaro.
Mais a frente, em outro trecho, ele diz que as candidaturas em disputa no segundo turno não podem ser comparadas. “Não se trata de uma disputa entre dois grupos radicais com igual perfil. Por um lado, temos um candidato que não tem usado líderes religiosos para impor o medo aos eleitores, que não é a favor da legalização do aborto, nem pregou a destruição da família brasileira e sempre defendeu a democracia. Do outro lado, a defesa da tortura e da pena de morte, além da total privatização das riquezas da Nação, são ações livremente propagadas”, escreveu frei José Fernandes, que também é Coordenador da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil. Ele também criticou líderes religiosos que estariam legitimando o discurso do militar da reserva. “Demonstram estar totalmente cegos diante dos valores do Evangelho e transformaram seu candidato em um ídolo que, desde agora, já anunciou que exigirá o sacrifício de muitas vidas”.
O frei conclui fazendo um apelo aos valores cristãos. “O desejo de resolver os problemas da nação não pode estar acima de princípios que sustentam a fé cristã, como o respeito às diferenças, à vida e a negação a toda forma de tortura. Dessa forma, precisamos analisar o momento político brasileiro à luz do Evangelho e de nossa história e não da idolatria. Assim, descobriremos em quem Jesus votaria”, declarou.
Historicamente, a maioria dos párocos que comandam as igrejas católicas em Santa Cruz do Rio Pardo são da ordem dos Dominicanos. A “Escola Dominican” funciona desde os anos 1930 no município. Milhares de jovens estudantes passaram pelo seminário, dezenas se tornaram sacerdotes e alguns até bispos, como dom Celso Pereira de Almeida (santa-cruzense) e dom Alonso Maria Pena.

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