Dupla Otacílio-Agenor ‘escancara’ que tentou manipular a formação da CPI

‘USADO’ — Artimanha do governo previa “controle” sobre Severo

Prefeito e Agenor afirmaram que queriam ‘testar’
Severo indicando-o para presidir CPI na Câmara

Como na semana anterior, quando ambos se revezaram nos microfones da rádio Difusora em dias alternados, o prefeito Otacílio Parras e o ex-presidente da Codesan Cláudio Agenor Gimenez atacaram o vereador Luciano Severo durante dois dias seguidos na Band FM e acabaram praticamente “confessando”, entre outros “segredos”, que a troca de candidatos em 2012 foi planejada. Naquele ano, o candidato homologado na convenção do PT foi Agenor, mas no decorrer da campanha ele renunciou e cedeu a vaga a Otacílio, que venceu. Tudo era premeditado, de acordo com o pronunciamento da dupla.
No entanto, Otacílio e Agenor também revelaram um fato muito grave, que foi a interferência direta de ambos na constituição da “CPI das Horas Extras”. Os dois — exatamente aqueles que seriam investigados pela comissão — teriam articulado a indicação do vereador Luciano Severo para presidir a CPI. Seria um “teste”, que acabou não dando certo.
A artimanha foi narrada por Agenor na terça-feira e confirmada por Otacílio no dia seguinte. A revelação indica que Luciano Severo foi escolhido presidente da CPI sem saber dos planos reais do prefeito e seu pupilo. A função do vereador funcionaria como uma espécie de “teste” para avaliar sua fidelidade ao grupo. Segundo explicou o próprio Agenor, a estratégia teria sido articulada em reuniões com o prefeito Otacílio. “O Severo estava tão perfeito que eu não conseguia ver sinceridade em tudo o que ele faz. Não havia como não apoiá-lo para prefeito. Então, eu ponderei ao prefeito que este cara precisava ser submetido a um teste para ver como ele iria se sair. Em função disso, ele foi estimulado a assumir a presidência da CPI”, contou Agenor.
No entanto, ao presidir uma investigação que fulminou interesses do atual governo, Severo obviamente não passou no “teste”. Foi demitido da função de líder do governo na Câmara e hoje é tratado como principal oposicionista de Otacílio.

Otacílio e Agenor discutiram a indicação de Severo na CPI que iria investigá-los

Mas Otacílio e Agenor foram além. Ambos ameaçaram “contar coisas”, deixando no ar fatos misteriosos, um comportamento que sugere, inclusive, chantagem. Agenor disse na rádio Band que não se tratava exatamente de uma “bomba”, mas de um assunto que estaria sendo “analisado” e que, “no momento certo”, seria revelado ao público. Somente sugeriu que tal “bomba” teria origem na Câmara Municipal.
Já o prefeito admitiu que seu grupo estava “coeso” para apoiar Severo até o final do ano passado, quando estourou a “CPI das Horas Extras”. O plano era ousado e passava, inclusive, pelo uso eleitoral da administração, pois previa um cargo público para alavancar a candidatura. “Em janeiro deste ano, ele iria ocupar a mesa do Maurício Salemme [secretário de Administração) para mostrar competência e participar da administração. Mas neste ínterim, surgiu a CPI”, contou Otacílio.
Ele confessou que o nome de Severo para presidir a CPI surgiu durante uma reunião com Cláudio Agenor Gimenez. “Então, vamos pôr o Severo como presidente para ver o que ele vai fazer. E ele foi indicado”, contou o prefeito. Como presidente da CPI, todavia, o prefeito disse que Severo tomou atitudes inadequadas. “Ele adquiriu poder e tomou atitudes como uma pessoa que não tem nenhuma condição de assumir a responsabilidade como prefeito de Santa Cruz”, disse.
As tais “atitudes”, segundo sugeriu Otacílio, nada têm a ver com o relatório final da CPI, que responsabilizou Cláudio Agenor Gimenez. “No transcorrer da CPI, ele não foi sério e honesto o suficiente para merecer a minha confiança e do grupo para ser o futuro prefeito de Santa Cruz. Eu posso dizer isto porque ele sabe os motivos”, afirmou. O prefeito, entretanto, disse que não poderia revelar os tais “motivos” porque poderia ser processado. “Ele pode falar, se quiser”, disse, em tom de ameaça.
O prefeito também reagiu com brincadeiras à suposta frase do vereador Luciano Severo, que teria declarado que “o império estaria desabando”, numa alusão ao grupo político governista. Para Otacílio, a frase remete ao filme “Guerra nas Estrelas”, fazendo, em seguida, comparações com a famosa produção do cineasta George Lucas. “O império não está desabando, mas Santa Cruz está sendo construída. Em oito anos vou fazer mais do que os últimos 20 anos. No filme, o bem vence o mal, assim como vai acontecer na política da cidade. Afinal, o Luke Skywalker eliminou definitivamente o Darth Vader”, afirmou.

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