Caso InSaúde põe atual e ex-prefeito de Bernardino sob suspeita

O hospital de Bernardino existe há quase 80 anos e hoje o prédio é da InSaúde

Esquema não envolve Moacir Beneti,
pois Insaúde chegou à cidade depois dele

A investigação sobre um milionário esquema de corrupção na região de Campinas, envolvendo hospitais e Organizações Sociais, descobriu que o grupo tem ramificações em outras cidades do Estado, inclusive em Bernardino de Campos. Um dos delatores, o ex-diretor da Vitale — cujo braço é a Insaúde —, disse que o esquema pagava R$ 10 mil por mês aos prefeitos de Arujá, Várzea Paulista, Mirassol e Bernardino de Campos. Arujá já rompeu o contrato com a Insaúde.
A mesma OS administra a Santa Casa de Bernardino. O fato do delator citar que o esquema pagava propina mensal ao prefeito da cidade significa que dois políticos estão sob suspeita — o ex-prefeito Armando Beleze, que governou entre 2013-2016 e o atual, Odilon Rodrigues. A Insaúde assumiu a gestão do hospital em 2014. Na semana passada, o jornal citou equivocadamente o nome do ex-prefeito Moacir Beneti, mas ele governou a cidade até 2012, antes, portando, do aparecimento da Insaúde.
O esquema envolve três OSs que são diretamente ligadas entre si. Além da Insaúde, estão sob investigação a João Marquesi e a Vitale. As investigações descobriram indícios fortes de superfaturamento na compra de medicamentos, insumos e prestação de serviços em hospitais, além do pagamento de propinas a agentes políticos.
O Gaeco, órgão do Ministério Público, ainda não divulgou o nome do prefeito de Bernardino de Campos que teria recebido propina de R$ 10 mil mensais. A Insaúde começou a receber repasses da prefeitura em 2014, inicialmente fixado em R$ 105 mil na gestão de Armando Beleze. Sucessor a partir de 2017, Odilon Rodrigues aumentou o repasse para R$ 145 mil.
Outra polêmica foi a transferência do prédio da Santa Casa para a Insaúde, que foi vetado pela Justiça de Ipaussu e posteriormente autorizado pelo Tribunal de Justiça, que acolheu recurso da OS. A transferência foi total, inclusive com a lavratura de escritura em cartório.
A prefeitura de Bernardino de Campos, na gestão de Odilon, sequer apresentou novo recurso. Em outubro, o DEBATE tentou ouvir a Insaúde sobre a polêmica, mas a direção da organização, que transferiu sua sede para Bernardino, se negou a responder, mesmo questionamentos apresentados por escrito.
O contrato do município com a Insaúde tem vencimento previsto para o final deste ano. Há dois meses, o assessor de gabinete do prefeito Odilon, Carlos Malagute, admitiu que a OS iria propor um valor mensal maior. Ele disse que, com a transferência do prédio da Santa Casa, o município estaria “enfraquecido” numa nova negociação.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate