Papai Noel santa-cruzense emociona Campo Grande

TERNURA — O Papai Noel “Picolino” faz a entrega de presentes à garotinha que lutava contra um câncer

Advogado distribui presentes há
mais de 25 anos, mas um fato o comoveu

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Silvio Fernando Degaspari, 57, deixou Santa Cruz há muitos anos, mas nunca se esqueceu da cidade onde morou e que invariavelmente visita. Ele era o “Picolino” e, hoje, em Campo Grande-MS, é o “doutor Silvio”, advogado conceituado que tem um hobby há mais de 25 anos: vestir-se como Papai Noel e distribuir presentes em shoppings, hospitais ou até crianças filhos de amigos. Mas na semana passada, o “doutor Picolino” foi literalmente às lágrimas ao participar de uma reportagem da afiliada da TV Globo de Campo Grande. Ele levou o presente dos sonhos para uma garotinha que está internada num hospital, em tratamento contra um câncer muito agressivo.
Ana Júlia, 6, já perdeu uma perna e corre o risco de ficar sem os dois braços. No entanto, do seu leito no “Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian” encontrou forças para enviar uma carta ao Papai Noel. Não pediu saúde, pois sabe que não é o “Bom Velhinho” quem vai trazer. Ana queria apenas uma boneca “ Barbie Sereia”.
A cartinha foi lida ao vivo por um programa da emissora afiliada à TV Globo e comoveu a cidade toda. Picolino assumiu a missão de recolher os presentes doados e de entregar pessoalmente, como Papai Noel, a cobiçada boneca.
Silvio chorou. Afinal, além da emoção de alegrar a menina com câncer, ouviu dela duas importantes decisões. A primeira é que o advogado, sem querer, havia “restabelecido” a crença da garota na lenda de Papai Noel. Mas o mais comovente foi o fato dela resolver distribuir os vários presentes com outras crianças internadas no hospital.

Silvio distribui presentes há mais de 25 anos e tem biotipo do Papai Noel

Profissão ‘natalina’

Para Silvio Degaspari — irmão de Toko Degaspari, colaborador do DEBATE —, foi um dos momentos mais emocionantes de sua vida. “Picolino” recebe alguns cachês para representar Papai Noel, mas a maioria do trabalho faz por amor ao próximo. “É filantropia, algo humano que nos engrandece”, avaliou.
O advogado não tem problemas com o trabalho de Papai Noel nos finais de ano, já que, como advogado, também tem folga por conta do recesso do Judiciário. Assim, tem a agenda lotada todos os anos. Aliás, é um Papai Noel bem realista, pois possui barba e barriga verdadeiras.
Com tantos anos de Papai Noel, Picolino já passou por outras situações emocionantes. Certa vez, conversou com uma criança que tinha medo de dormir. A mãe havia tentado de tudo, sem sucesso. O advogado, então, disse, de forma meiga, que ela poderia dormir em segurança, já que o Papai Noel cuidaria dela. No mesmo dia, a criança voltou a dormir tranquilamente. “A família virou minha amiga e temos contato até hoje”, contou.

Sobre Sergio Fleury 4567 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate