Casa invadida importuna moradores da vila Popular

DRAMA — Enilson precisou adiar festas de aniversário devido ao odor

Grupo de moradores de rua invadiu
um imóvel abandonado do bairro

Quintal da casa é usado pelos moradores de rua como sanitário

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Uma casa abandonada pelos proprietários foi invadida por moradores de rua e está causando transtornos para várias famílias de um dos bairros mais antigos de Santa Cruz do Rio Pardo. O imóvel fica na rua José Amaral Mello Sobrinho e faz divisa nos fundos com a rua Professor Lutegardes de Castro, na vila Popular. O vigia Enilson de Jesus Cunha e a auxiliar de limpeza Angelina do Nascimento moram em ruas diferentes, mas reclamam que não suportam mais a situação. O principal problema é que os andarilhos defecam pelo quintal e o cheiro atinge toda a vizinhança. Além disso, há proliferação de ratos, baratas e até escorpiões.
A casa de Enilson, onde o vigia que trabalha na Codesan mora há mais de 40 anos, faz fundos com o imóvel abandonado. Ele contou que a situação já dura anos, desde que a casa foi abandonada pelos proprietários, possivelmente por disputa em inventário. Desde então, o espaço foi invadido por moradores de rua, mesmo sem ter energia elétrica ou água. Hoje, segundo o vigia, quase uma dezena de pessoas dorme na casa e defeca no quintal próximo aos muros dos vizinhos.
“Há 15 dias, fui obrigado a adiar a festa de aniversário de um neto porque o cheiro era insuportável. No Natal, para reunir a família em casa, fui obrigado a pular o muro e limpar o terreno”, contou.
Enilson já reclamou para Vigilância Sanitária, prefeitura, vereadores e até na polícia. “Ninguém toma providências e a gente não aguenta mais”, disse. Há alguns meses, a mulher de Enilson telefonou para o marido, desesperada, contando que um dos moradores de rua havia pulado o muro e estava no quintal da casa do vigia. Ele deixou o serviço e correu para casa. Antes, ligou para a polícia, mas não obteve sucesso porque foi informado de um procedimento burocrático em que a ligação deveria ser feita para Bauru. Enilson, então, foi obrigado a retirar o homem à força. “Não tem condições. Pelo visto, nossa noite de Ano Novo será igual”, lamentou.
Do outro lado do quarteirão, Angelina vive drama semelhante. Sua casa é geminada. “À noite, eles se reúnem em oito ou dez pessoas e é um barulho insuportável. Às vezes eles brigam quando acaba o corote de pinga e até o cachorro que vive lá dentro fica latindo. De vez em quando, entra uma mulher e a bagunça aumenta, com o barulho de latas. Todos amanhecem e só vão dormir quando o sol nasce”, contou. Os moradores contam que os homens deixam a casa durante o dia para participar de “roda de fogo” em praças e terrenos das redondezas. O grupo também fica rodeando bares na região.

Angelina diz que precisa sair de casa com a filha para almoçar fora

 

Imóvel abandonado está totalmente deteriorado

Angelina mora com a filha e conta que nunca teve uma noite tranquila. “Minha filha está em férias e fica em casa. Assim, mesmo no trabalho, eu fico preocupada com a segurança dela”, contou. Ela lembra que, quando chove, o cheiro das fezes aumenta e acaba com os horários de alimentação. “Fiquei uma semana almoçando na casa de parentes porque não havia condições de suportar o mau cheiro. É uma situação muito difícil”, contou.
Há seis meses, um jovem espantou os andarilhos, limpou o quintal e se instalou na casa, inclusive providenciando a ligação de água e energia. “Mas aí a dona apareceu e reclamou que a casa estava sendo invadida. O jovem foi obrigado a sair e os andarilhos voltaram”, disse Angelina.
Segundo Enilson, os moradores de rua também costumam invadir outras residências, carregando baldes, para pegar água. “Desde setembro estou atrás das autoridades para pedir providências, mas ninguém faz nada”, reclamou. Casado e pai de dois filhos, o vigia disse que todos na casa sofrem com o problema. “Nem dá para comer em casa”, avaliou.
O pior é a presença cada vez mais constante de animais. “Os ratos vivem atravessando minha casa, além do número excessivo de baratas. Já encontrei até escorpião, mas minha casa é limpinha. Certamente estão vindo do imóvel abandonado”, afirmou Angelina. Enilson também disse que já matou escorpiões em sua residência.
O DEBATE tentou entrar em contato com a administração, mas a prefeitura e todas as repartições públicas estão fechadas desde o dia 21.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate