Passageiros da agonia

Na sede da empresa, no Itaipu, 17 ônibus estão estacionados e se deterioram sem motores

Situação dos ônibus da empresa
Riopardense é caótica e perigosa

Veículos sucateados se acumulam na sede da empresa em Santa Cruz

O drama do transporte coletivo em Santa Cruz do Rio Pardo está longe de uma solução. A prefeitura demorou para perceber que o setor apresenta problemas e agora não consegue realizar uma licitação A empresa que realiza o serviço há mais de uma década não oferece um serviço de qualidade aos usuários e as reclamações aumentam a cada dia. Além disso, os passageiros, especialmente idosos, reclamam do tratamento que recebem de alguns motoristas.
Na semana passada, um grupo de vereadores visitou as instalações da sede da empresa, no bairro Itaipu, mas nenhuma informação foi disponibilizada à imprensa.
Por telefone, o gerente da Riopardense, Luiz Roberto de Oliveira, explicou que a empresa está com dificuldades financeiras devido à baixa arrecadação das linhas de ônibus. O problema, segundo ele apontou, é o grande número de idosos que utilizam o transporte urbano e não pagam a tarifa. O benefício, entretanto, é garantido por uma lei estadual, sancionada pelo ex-governador André Franco Montoro, nos anos 1980.
O gerente disse que existem planilhas feitas pelos motoristas que indicam a quantidade de passageiros e os idosos que utilizam os ônibus da empresa. Como exemplo, uma linha da vila Madre Carmem num dos dias da semana passada indicou 51 pagantes e 74 idosos.
Luiz Roberto disse que a garagem da empresa possui 17 ônibus sem condições de uso. “Eles vieram de Assis, onde todos os motores foram roubados”, disse. A situação aconteceu porque, segundo o gerente, a empresa já estava em dificuldades quando perdeu a concessão do transporte coletivo naquela cidade e se viu obrigada a recolher os veículos. O local, porém, não tinha vigia e os furtos aconteceram.
Mas há outros problemas, como a falta de novos itinerários definidos e pontos de ônibus. Segundo a empresa, cabe à prefeitura indicar estas demandas.

Pátio da empresa virou um depósito de sucata

Sucatas

A reportagem esteve na garagem da Riopardense na tarde de sexta-feira, mas o gerente não estava no local. Encontrou 17 ônibus paralisados, praticamente sucatas estacionadas, sem condições de rodar.
No entanto, havia pelo menos dois veículos na manutenção, com problemas graves nos freios e vazamentos de óleo. A situação indica que os passageiros, além do atendimento deficitário, também correm risco por causa das más condições dos ônibus da Riopardense.
Há veículos na ativa que estão com documentos irregulares, com excesso de multas. Outros, rodam com pneus praticamente no arame.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate