Capitão Augusto diz que ‘Bolsonaro foi eleito presidente, não dono do Brasil’

Para o deputado Rosa, Bolsonaro tem de dividir o poder

Em entrevista à rádio, deputado diz
que governo perde apoio no Parlamento

Diego Singolani
Da Reportagem Local

O deputado federal Capitão Augusto Rosa (PR) fez duras críticas ao que ele chamou de “erros primários” do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Rosa, que é vice-líder do governo na Câmara, afirmou, durante entrevista à rádio Difusora neste sábado, 23, que a articulação política do Executivo com o Congresso nacional vai de mal a pior. “O clima não está bom para o governo. Os parlamentares estão relutantes em apoiar as reformas, principalmente a da previdência”, disse.
O deputado declarou que se a matéria fosse colocada em pauta neste momento, teria no máximo 200 votos a favor, dos 308 necessários para sua aprovação. De acordo com Rosa, o maior problema não é o teor do projeto, mas a forma como Bolsonaro tem se relacionado com os parlamentares. “Ele (Bolsonaro) foi eleito presidente, não dono do Brasil. Tem que entender que é preciso dividir o poder com o Congresso. Existem nomes capazes e honestos em todos os partidos e o presidente não pode se fechar apenas com os militares e o PSL”, afirmou. Rosa revelou que os ministros de Bolsonaro não têm recebido os deputados para audiências e que também existe uma insatisfação geral sobre a distribuição de cargos no governo. “Dilma, Fernando Collor e até Jânio Quadros caíram por acreditar que poderiam passar por cima do Congresso”, advertiu.
O deputado do PR diz que, apesar das “falhas sequenciais” na articulação, acredita que o governo Bolsonaro tem plenas condições de organizar uma base sólida na Câmara. Rosa tem esperança de que com o retorno do presidente, que está em viagem ao Chile, as arestas entre Executivo e Legislativo sejam aparadas. O deputado também defendeu que Bolsonaro controle as ações de seus filhos, principalmente em relação a postagens nas redes sociais. A última polêmica envolveu tweets de Carlos Bolsonaro criticando o presidente da Câmara Rodrigo Maia, o que acirrou ainda mais os ânimos entre a Casa e o Planalto. “São meninos bons, mas têm criado suas próprias crises”, disse.

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