Contra bullying, ‘Sinharinha’ aposta na prevenção e mediação de conflitos

AMBIENTE ESCOLAR — A diretora Ana Manzo, da “Sinharinha Camarinha”, afirma que a sociedade precisa passar a enxergar a escola como um ambiente de paz e respeito

Diretora da escola, Ana Manzo ressalta que famílias
devem estar mais presentes na vida dos estudantes

Diego Singolani
Da Equipe de Reportagem

A tragédia em Suzano (SP), onde, na quarta-feira, 13, oito pessoas foram mortas a tiros por dois jovens, reacendeu o debate sobre o bullying no ambiente escolar. A mãe de um dos assassinos, um adolescente de 17 anos, declarou em entrevista que o filho teria sofrido humilhações por parte dos colegas quando frequentava o colégio alvo do crime.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, Ana Manzo, professora e diretora da Escola Estadual Sinharinha Camarinha, afirma que a instituição investe em projetos de prevenção contra o bullying e atua na mediação dos conflitos. “Felizmente isso não é algo comum em nossa escola, que atende uma faixa etária de 7 a 14 anos. Os alunos têm confiança nos professores e funcionários e quando há alguma reclamação conseguimos resolver com diálogo e aconselhamento”, diz.
A diretora destaca o papel crucial da escola, que acaba canalizando todos os conflitos sociais e familiares aos quais os alunos são expostos. “Ouvimos e aconselhamos quando nos procuram. Chamamos a família, fazemos encaminhamentos para a rede de saúde e para o Conselho Tutelar. Muitas vezes a criança já chega chorando na escola”, explica Ana, que defende uma maior participação das famílias na vida escolar dos filhos. “Precisamos que a sociedade enxergue a escola como um lugar de paz e que seja nossa parceira. A escola, infelizmente, não é mais respeitada, os professores não são respeitados”, disse. Na opinião de Ana Manzo, as redes sociais agravaram o contexto dos conflitos entre estudantes. “Muitas discussões começam na internet e vem parar na escola. Os pais precisam ter conhecimento do que os filhos acessam e o que acontece nas redes. Vejo com satisfação que a maioria dos responsáveis estão ficando mais atentos”, afirma a diretora.
Sobre a segurança nas escolas, Ana entende que é preciso mais investimento para proteger as crianças de quem está do lado de fora dos portões. “Temos apenas alunos dentro da escola e não indivíduos perigosos”, afirma. A diretora é contra a ideia de os professores estarem armados em sala. “Se eu falo em mediação, não posso admitir ter um professor armado no ambiente escolar. No mais, é acreditar em dias melhores para o nosso País. A coisa não está pior porque que temos profissionais dedicados e amorosos dentro da escola”, disse.
A diretora não esconde o choque e tristeza pelo massacre em Suzano. “Estamos em luto. A Educação também foi vítima de algo que ninguém imaginava que poderia acontecer. Neste momento, no solidarizamos com todos os envolvidos na tragédia”, declarou.

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