Artigo: ‘Cuidados paliativos’

Cuidados paliativos

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

Nós, brasileiros, não sabemos lidar bem com a morte. Aliás, o povo ocidental, de uma maneira geral, ainda trata o assunto de maneira bastante incoerente. Os japoneses, por exemplo, já adotam uma visão mais racional e, muitas vezes, mais sábia.
Vamos debater hoje neste espaço os cuidados paliativos, um procedimento que está intimamente ligado à dignidade do ser humano, o respeito a seu corpo e às leis da natureza (ou leis divinas, como preferirem).
Em resumo, cuidados paliativos são uma série de procedimentos e práticas que visam diminuir o máximo possível a dor do paciente e aumentar consideravelmente seu conforto em situações em que a doença já está em estágio avançado (os chamados pacientes terminais) e não há mais o que fazer. Ou, melhor dizendo, há muito o que fazer.
Respeitar a dignidade do paciente, seu corpo e seus limites. Isso é o que o cuidado paliativo tem a oferecer. E em uma situação de sofrimento e dor extrema, isso é muito. Porém, os cuidados paliativos são mais do que práticas da enfermagem e dos médicos. É um conceito que precisa ser absorvido pela família para que os resultados, de fato, sejam alcançados da maneira mais plena possível.
Muitas famílias relutam em aceitar que aquele parente não tem mais chance de cura ou que a pessoa está perto de partir. Os familiares buscam, de maneira irracional e até contra orientações e condutas médicas, “milagres” que não terão efeito algum na saúde do paciente e só trarão preocupações desnecessárias e esforços físicos absurdos para um corpo que precisa de descanso, paz e cuidados delicados.
A família tem todo o direito de buscar incessantemente a cura do parente e usar de todos os meios para isso. Porém, é preciso uma reflexão com base em uma série de pareceres médicos e da enfermagem sobre um determinado contexto já amplamente estudado e contextualizado.
Não é uma questão simples de aceitar a morte. É uma questão de entender que tal situação exige condutas específicas para evitar um sofrimento ainda maior. E tais procedimentos não podem entrar em conflito com situações estressantes e desgastantes que são inúteis. Os cuidados paliativos, além de tudo, podem ser responsáveis por uma sobrevida bastante significativa do paciente, e com qualidade de vida, o que é o mais importante.
Essa conscientização só surge depois de muita conversa familiar e muita espiritualidade de cada um dos parentes que cercam aquele paciente. Nem todos vão aceitar. Mas todos devem respeitar a dor que aquela pessoa está sentindo. E nada é pior que a dor.

* Nayara Moreno é
enfermeira pós-graduada
e Responsável Técnica
pela AleNeto Enfermagem 

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Proprietário e Editor do Jornal Debate