CARTAS – Edição de 14/04/2019

‘Nossa terra’

O nosso Brasil é um país maravilhoso. É um território imenso, tem uma natureza deslumbrante na fauna e na flora, praias belíssimas, agricultura sempre crescente, povo trabalhador, mesmo sendo surrupiado no dia a dia pelos governantes desonestos.
A nossa imensa região amazônica, que ocupa 60% do território nacional, se espalha por nove estados e está sendo explorada pela grilagem de terra, desmatamento e conflitos no campo. Já faz muito tempo. Muitos morrem na região em decorrência de lutas que envolvem questões de posse de terra.
Na maioria dos estados brasileiros, mais da metade das informações sobre o uso ilegal da terra é omitida pelas autoridades. Só no último ano, o desmatamento cresceu 60% a mais do que nos anos anteriores, com enorme devastação da floresta.
Como podemos pensar que gente nascida nesse torrão natal não o ama e só quer se aproveitar, enriquecer mesmo que, para isso, precise matar, destruir, sem pensar no próximo, que está sofrendo, passando fome e morrendo à míngua de recursos elementares para sua sobrevivência, como alimento, saúde pública, moradia, segurança, entre outros.
Além disso, viver com medo de desgraças físicas do meio ambiente, e emocionais, quando pode ser atingido por catástrofes naturais já pressentidas e armas de fogo detonadas a esmo.
Fico a matutar e a deplorar tudo o que está acontecendo neste século, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Será o apocalipse?
— Anna Maria Rocha (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Nascer de novo
Em João 3: 3,4,5 e 7, disse o Cristo: “Aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Perguntou Nicodemos: “Como pode um homem nascer (de novo) sendo velho?”; “Por ventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?”.
Jesus respondeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água (bolsa d’água) e do espírito (reencarnante) não pode entrar no reino de Deus”. “Não te maravilhes de ter dito: necessário vos é nascer de novo”. Nicodemos perguntou novamente: ”Como pode ser isto?”. “Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?”. Dos processos espirituais reencarnatórios.
João Batista foi a reencarnação do profeta Elias. Referindo-se a João Batista, disse o Mestre: “E se quereis dar crédito, é este o Elias que ahvia de vir”. (Reencarnar) “Quem tem ouvidos de ouvir, ouça” (Mat. 11: 13, e 14; 17: 12 e 13; Ma 9: 12 e 13). E disse mais: “Entre os nascidos de mulheres não há profeta maior que João Batista; entretanto, o menor no reino de Deus é maior do que ele” (Lucas 7:28). E a maioria dos cristãos ainda não acredita na reencarnação dos espíritos.
João Batista, que batizou o Cristo, teria que evoluir muito para alcançar os maiores no reino de Deus; imaginem nós, de quantos novos nascimentos necessitaremos para nossa evolução?
Mas por que é necessário nascer de novo? Porque o Criador de tudo e de todos seria exatamente cruel se tivéssemos somente esta existência, com tantas desigualdades, principalmente entre os recém-nascidos. Deus só é misericordioso e justo, dando-nos, nas sucessivas existências, oportunidades para chegarmos a Ele como um só (João 17: 20-21).
— Clodomiro Caricati (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Indignação
Ontem (07/04/2019), acabei de crer que o brasil é uma “vergonha”, um país sem qualquer seriedade – enquanto tivemos mais de 50 manifestações em favor à Lava Jato e a favor à prisão de segunda instância, houve alguns famigerados esquerdistas que defenderam “Lula livre”. Ao invés de saírmos na rua e nos unir, pedindo Aécio preso, Temer preso etc., esses vêm a público pedir a soltura de Lula.
País de mau caráter e de pilantras. Esses que defendem bandidos e colocam um partido como acima do brasil são piores do que o próprio bandido .
País que tem bandido de estimação não merece respeito.
— Celso Eduardo Kaizer (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

A via parlamentarista
E essa “nova política”, hein? Tem condição de ser implantada em nossa cultura? Primeiro, o conceito: nos termos em que o presidente Bolsonaro a defende, significa o abandono da prática do “toma lá dá cá”, do jogo de recompensas que é eixo do presidencialismo de coalizão. Como é tradição, partidos que elegem o mandatário-mor se acham no direito (com razão) de indicar quadros para compor a estrutura administrativa.
Essa é uma prática dos países que cultivam a democracia representativa. Portanto, tem cabimento o compartilhamento do governo entre quadros técnicos, burocratas e perfis políticos. Ocorre que as indicações políticas têm dado origem aos “feudos”, espaços que representantes consideram seu domínio, propiciando negociatas e atendimento a interesses pessoais. A res publica é usada como negócio privado.
A crise crônica que corrói a administração pública por nossas plagas se origina, portanto, da interpenetração de territórios, o público e o privado. Dessa imbricação, formam-se as teias de corrupção pela malha administrativa. Certamente, ao dizer que quer governar com a “nova política”, o presidente Jair Bolsonaro tem em mente a eliminação das falcatruas que acabam ocorrendo nessas fazendas.
Mas não se muda uma cultura política da noite para o dia. Não será apenas com negação que o mandatário abolirá velhos costumes. Sem o apoio dos congressistas a administração federal fenecerá. A alternativa é a aceitação de indicações políticas carimbadas com o selo técnico. Ou seja, os indicados devem ser pessoas afeitas ao cargo. A especialização se faz necessária.
Sob essa condição, o modus operandi pode ser bem- sucedido. Os antros de corrupção diminuirão sensivelmente, até porque a transparência e os controles da máquina pública constituem a boa nova do ciclo de transição que o país vive. Mas sejamos realistas: o Brasil só encontrará seu prumo administrativo no dia em que por aqui se instalar o parlamentarismo. Um sistema parecido com o francês poderia dar certo.
No parlamentarismo, a máquina do governo fica imune às crises cíclicas. Por ocasião do momento crítico sofrido pelo primeiro-ministro, que comanda o governo, ele deixa ao cargo ao receber o voto de desconfiança do Parlamento. A estrutura administrativa continua a trabalhar sem alterações em sua rotina e processos. Os quadros técnicos, todos ocupados por especialistas, não deixam a peteca cair.
Na França, a segurança com essa modalidade governamental conta com o suprimento de mão de obra fornecida por excelente instituição de formação de administradores públicos – a ENA (Escola Nacional de Administração). Fundada pelo general De Gaulle, em 1945, forma a elite da carreira pública. Dela saíram, por exemplo, Jacques Chirac e Valéry Giscard D’Estaing, ex-presidentes da França; Dominique de Villepin, diplomata de carreira que foi primeiro-ministro francês entre 2005 e 2007; e Pascal Lamy, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio.
Qual a possibilidade de instalarmos o parlamentarismo por aqui? Estreita. Fizemos dois plebiscitos: o de 1963, de 11 milhões de votantes, 9,5 milhões votaram pelo presidencialismo e apenas 2 milhões pelo parlamentarismo; o de 1993, deu 55% para o presidencialismo e 25% para o parlamentarismo. O presidente simboliza a fortaleza da política.
A semente presidencialista, com seu “poder da caneta”, viceja em todos os espaços. O termo presidente faz ecoar significados de grandeza, associa-se com a aura do Todo-Poderoso, com as vestes do monarca, com o poder de mando e desmando. Até no futebol, o presidente é o manda-chuva. O chiste é conhecido: ato mais importante da partida de futebol, o pênalti deveria ser cobrado pelo presidente.
A propósito, em 1980, no final do campeonato brasileiro, o Flamengo ganhou de 3 a 2 do Atlético Mineiro, em polêmica partida disputada no Maracanã. O árbitro expulsou 3 jogadores do Atlético, a bagunça tomou o campo e agitou os nervos. Ao final, transtornado com o “resultado roubado”, Elias Kalil, presidente do Atlético, exclamou aos berros: “vou apelar para o Presidente da República João Figueiredo. Vou falar prá ele de presidente para presidente”. Eis aí pequena demonstração do conceito que o presidencialismo exerce entre nós.
Pois bem, sem parlamentarismo fica difícil aplicar por aqui princípios da “nova política”.
— Gaudêncio Torquato (São Paulo-SP)


‘FOTOS DO LEITOR’

Antiga ponte no rio Pardo

— A foto do acervo de Edilson Arcoleze Ramos de Castro mostra a antiga ponte sobre o rio Pardo que ligava o centro ao bairro da Estação. Do lado direito da imagem, há uma figueira que existe até hoje, ao lado do atual Parque Orlando Quagliato. A avenida em direção ao bairro da Estação, hoje Ângelo Carnavalle, chamava-se Jorge Tibiriçá em homenagem ao governador paulista que, segundo consta, inaugurou o ramal ferroviário de Santa Cruz do Rio Pardo em 1908.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate