Capitão Augusto deixa vice-liderança e sai alfinetando grupo de Jair Bolsonaro

Em Santa Cruz, Rosa desmentiu críticas que agora faz em rede nacional

Para ele, de cada dez deputados,
oito reclamam e dois se calam

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Um dos mais controvertidos entre os deputados paulistas e membro da chamada “bancada da bala”, Capitão Augusto Rosa (PR) deixou a vice-liderança do governo Bolsonaro na semana passada. Em carta enviada ao líder do governo na Câmara Federal, deputado Major Vitor Hugo (PSL), Rosa informou que estava se desligando da função “por motivos pessoais”. À imprensa, o deputado federal eleito por Ourinhos, mas que agora afirma que sua base eleitoral é Bauru, criticou duramente a articulação política do presidente Jair Bolsonaro e demonstrou irritação com os rumos do governo. “Não dá”, resumiu o parlamentar.
Capitão Augusto Rosa já havia disparado críticas contra o governo Bolsonaro em Santa Cruz do Rio Pardo, em uma entrevista na rádio Difusora. Foi no mês passado, quando disse que a articulação política do governo “vai de mal a pior” e que o clima não era bom. “Ele foi eleito presidente, não dono do Brasil. Tem que entender que é preciso dividir com o Congresso”, afirmou, sobre Bolsonaro. Ao revelar uma insatisfação geral dos deputados, Augusto lembrou que outros presidentes – como Dilma, Fernando Collor ou Jânio Quadros – caíram por acreditar que poderiam passar por cima dos parlamentares.
As declarações foram reproduzidas pelo DEBATE e, de forma surpreendente, o deputado militar desmentiu categoricamente tudo em nota encaminhada a vários grupos de redes sociais. Disse, inclusive, que iria processar o jornal e que já estava “tomando as providências” com advogados. O jornal, porém, disponibilizou a entrevista à rádio nas redes sociais e o deputado calou-se.
Um mês depois, ele confirma a desavença com o governo Bolsonaro em rede nacional. Pediu demissão da vice-liderança e saiu atacando políticos próximos do presidente. Segundo Augusto, o deputado federal mais votado em Santa Cruz nas últimas eleições, a deputada Joice Hasselmann, líder do governo Bolsonaro no Congresso, é “estrela”, o líder do PSL, deputado Delegado Waldir, é “caricato” e o líder da Câmara, Major Vitor Hugo, não é aceito pelos congressistas “que não o levam a sério”. Rosa disse, ainda, que o ministro da secretaria de governo, Santos Cruz, “parece que não gosta de parlamentar.
O deputado também repetiu frases proferidas em Santa Cruz, como “a articulação do governo vai de mal a pior” e que os ministros de Bolsonaro não recebem parlamentares em audiências. Para Capitão Augusto, existe uma insatisfação geral sobre a distribuição de cargos no governo.
A atitude do deputado Capitão Augusto afasta o parlamentar da família Bolsonaro, principalmente porque ele também defendeu o vice-presidente Hamilton Mourão, alvo de ataques dos filhos do presidente da República. “Só interessa à oposição enfraquecer o vice Mourão, que hoje é um político fundamental para o governo na articulação política”, disse. O deputado ainda admitiu que hoje, em cada dez deputados, oito reclamam da gestão enquanto dois ficam calados. “O governo deveria evitar criar suas próprias crises”, ao criticar ataques de Carlos Bolsonaro ao vice-presidente.
A posição de Capitão Augusto Rosa ganhou destaque na grande imprensa a partir de terça-feira, 23. Até ontem, o deputado não havia desmentido nenhuma declaração, até porque, como no caso de Santa Cruz do Rio Pardo, quase todas foram gravadas.

  • Publicado na edição impressa de 28/04/2019
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