Piraju: prefeito diz que, se quisesse, teria propina

O prefeito José Maria, durante entrevista à rádio Paranapanema de Piraju

José Maria sugere em rádio que construção
de uma usina poderia gerar propina alta

Numa de suas primeiras declarações após as denúncias de pagamento de propina pela empresa de ônibus Riopardense, feitas na CPI que apura irregularidades na concessão dos serviços de transporte público, o prefeito de Piraju, José Maria da Costa (PPS), fez uma estranha avaliação sobre sua honestidade. Ele chegou a sugerir que é muito fácil receber ofertas de propina. “É só querer que oferecem. Existem formas, mas eu tenho a consciência tranquila e não são mil ou um milhão de dólares que farão eu assinar aquilo”, declarou.
José Maria se referia ao projeto de construção de uma nova hidrelétrica em Piraju, numa entrevista à rádio Paranapanema, do grupo da Difusora de Santa Cruz. “Isto prova minha idoneidade, mais do que tudo. Esta usina hidrelétrica está na minha mão. Eu demoro um segundo para fazer uma assinatura e, se eu fizer, sai a usina na hora. Mas eu não vou fazer. Eu poderia colocar no bolso centenas de milhares de dólares e você sabe muito bem”, disse José Maria ao radialista Odelair Ferdin, sócio da Difusora e da Paranapanema.
José Maria não falou diretamente sobre o caso Riopardense e nem foi questionado pela emissora. Na verdade, a Paranapanema tem o mesmo posicionamento da Difusora em Santa Cruz, sempre defendendo o prefeito de plantão. E a exemplo da emissora santa-cruzense, em que o radialista Roger Garcia é assessor do prefeito Otacílio, a rádio de Piraju também possui um profissional empregado no governo de José Maria da Costa.
A nova usina de Piraju ainda não foi aprovada, mas a empresa responsável insiste na construção. Seria a terceira barragem no município. “Não foi me oferecido, mas se eu quiser, oferecem. Eu tenho a consciência tranquila porque cheguei a quebrar uma caneta ao me recusar a assinar a autorização para esta usina. Só assino se for com uma faca na mão. Então, não é um milhão de dólares que vai fazer eu assinar. Tenho personalidade e ganho para defender o povo”, afirmou o prefeito José Maria.
O prefeito foi à rádio Paranapanema na companhia do diretor de administração Paulo Sara, que também foi citado na CPI da Riopardense como ex-proprietário do jornal “Observador”. Segundo a denúncia da testemunha Kléber Paulino, o dinheiro da propina destinada ao prefeito era depositado na conta do jornal, que desde 2018 tem outro proprietário.
José Maria também mandou recados aos vereadores, ao repetir várias vezes que foi traído. “Não gosto de traição e o povo não sabe nem metade das coisas. No entanto, ainda vai saber. A hora que mexerem comigo a respeito de campanha política, vou pôr na mesa como aconteceu este preparo e as traições da CP para tentar me cassar. Então, me aguarde”, disse, enigmático. O prefeito se referia à Comissão Processante instalada no ano passado, mas cujo resultado final não foi a cassação de seu mandato.
A CPI que apura o caso Riopardense retoma as atividades nesta segunda-feira, quando deverá ouvir novas testemunhas. 

  • Publicado na edição impressa de 28/04/2019
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