Vereadores desistem de instalar CPI para investigar contrato da Riopardense

OPINIÃO — Luciano Severo, da oposiçlão, é contra a instalação de CPI

Maioria diz que não há motivos
para investigação em Santa Cruz

O movimento para instalação de uma CPI — Comissão Parlamentar de Inquérito — para investigar as condições do serviço prestado pela empresa Riopardense no transporte público de Santa Cruz do Rio Pardo perdeu força. Na semana passada, até mesmo a oposição ao prefeito Otacílio Parras (PSB) disse que, ao menos por enquanto, não há motivos para investigações no município. A Riopardense é alvo de uma CPI em Piraju, onde já houve denúncias de corrupção e até ameaças de morte.
O presidente da Câmara, Paulo Pinhata (MDB), que era um dos defensores da abertura de uma CPI, disse na semana passada que pode determinar apenas a instalação de uma Comissão de Assuntos Relevantes para analisar o caso da Riopardense. Segundo ele, não há denúncias de corrupção em Santa Cruz do Rio Pardo envolvendo a empresa de ônibus e agentes políticos.
A mesma opinião tem o vereador Luciano Aparecido Severo (PRB), para quem não existem indícios para alguma apuração que necessite de CPI. Ele disse que nos próximos dias vai até Piraju para verificar os autos da comissão que está em andamento naquela cidade. “A mesma empresa operando em dois municípios, não significa que os mesmos fatos de corrupção que estão sendo denunciados em Piraju aconteçam em Santa Cruz”, afirmou.
Na última sessão da Câmara, na segunda-feira, 22, nenhum vereador abordou a fundo o problema da Riopardense, que havia até cortado veículos nas linhas na cidade e continua colocando a população em risco com o uso de ônibus sucateados. Dias antes, na reunião das comissões, os vereadores desconversaram quando o assunto CPI foi questionado pela imprensa.
A defesa de uma CPI veio a público quando a Câmara de Piraju, numa investigação sobre a Riopardense, recebeu denúncias de que a empresa de ônibus pagou propina de R$ 50 mil ao prefeito daquela cidade. Além disso, um ex-funcionário de outra empresa denunciou a formação de um “cartel” entre concessionárias de transporte coletivo e revelou que recebeu ameaças de morte.
A CPI em Piraju retoma os trabalhos a partir desta segunda-feira, quando vai ouvir novas testemunhas.

  • Publicado na edição impressa de 28/04/2019
Sobre Sergio Fleury 5868 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate