‘Queremos que eles voltem às suas famílias’, diz promotor sobre moradores de rua

‘CADA CASO É UM CASO’ — Para Saliba, deve haver verificação sobre quando se deve tratar moradores de rua

Saliba afirma que casas de acolhimento não
regularizadas podem esconder o problema

Diego Singolani
Da Reportagem Local

O aumento no número de pessoas em situação de rua em Santa Cruz do Rio Pardo tem gerado críticas da população e fez com que o poder público voltasse suas atenções para a situação.
Há duas semanas, secretários da administração se reuniram com representantes da Polícia Militar e Ministério Público para discutir medidas conjuntas. O governo local lançou uma campanha contra a doação de esmolas e cercou com telas a quadra inacabada ao lado do ginásio de esportes usada como abrigo por alguns andarilhos.
Para o promotor de Justiça Marcelo Saliba, as ações de assistência social no município devem priorizar a reintegração ao lar dos moradores de rua que têm família em Santa Cruz do Rio Pardo e encaminhar os demais às suas cidades de origem.
“Não estamos querendo casa para abrigar pessoas em situação de rua, queremos que eles voltem a morar com as famílias. Queremos que eles tenham independência e possam viver com elas”, afirmou Saliba.
De acordo com o promotor, o primeiro passo é identificar todas as pessoas que se encontram em situação de rua. “Isso já foi feito pelas equipes da assistência social. São cerca de 18 moradores de rua que têm família em Santa Cruz. Os outros formam uma população variável, de passagem pela cidade”, explicou.
Para Marcelo Saliba, também é fundamental avaliar cada caso e definir aqueles que precisam de tratamento especializado. “Atendimento médico, psiquiátrico e psicológico. Estes precisam de tratamento adequado, têm que ir para local adequado, como clinicas e hospitais regularizados”, disse. Como última etapa, o promotor pontua a necessidade de reaproximação com o núcleo familiar. “O apoio da assistência social deve ocorrer tanto para o morador de rua como para a família”.
O promotor ressaltou que qualquer local que se proponha a acolher pessoas em situação de rua deve ser aprovado pelos entes municipais e estaduais. “A regularização permite acompanhar o trabalho e saber se a entidade é adequada para o serviço que se pretende prestar”, disse.
Segundo o promotor, não se pode permitir que seja construído um lugar apenas para esconder os problemas sociais. “As pessoas em situação de rua chamam nossa atenção para uma triste realidade e ao nos depararmos com eles nos confrontamos com esses graves problemas. Ao levá-los para outros locais, podemos escondê-los temporariamente, mas jamais estaremos resolvendo o problema. Ao contrário, ao permitir a colocação em locais sem aprovação e fiscalização, criamos um problema ainda maior”, afirmou.

  • Publicado na edição impressa de 12/05/2019
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