Garoto de 5 anos é um dos grandes laçadores da região

O pequeno Heitor impressiona no esporte de laçada

Garotinho de 5 anos, morador em São Pedro do Turvo, já
participa de competições de ‘laço comprido’ e empolga adultos

HABILIDADE — O pequeno Heitor laça o animal mesmo fora do cavalo

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Um dos maiores laçadores de toda a região mora em São Pedro do Turvo e costuma participar de competições. Heitor Aparecido Barbosa Araújo monta no cavalo assim que chega da escola e só sai no final do dia — ou quando a mãe consegue tirá-lo do animal. O detalhe é que Heitor completou cinco anos na última quinta-feira, 23, e já um dos destaques da competição “Laço Comprido”.
A família é humilde e trabalha numa propriedade rural de São Pedro do Turvo. A mãe, Mayra Fernanda Barbosa Ramos, 24, brinca que Heitor já pulava sem parar dentro da barriga, durante a gravidez. O casal mora na fazenda há três meses, depois de um período trabalhando em Caporanga, distrito de Santa Cruz do Rio Pardo. “Naquela época, meu marido tirava leite e o Heitor, com três anos, vivia na mangueira. O primeiro presente de aniversário da avó foi um cavalinho de borracha que ele tem até hoje. É praticamente o único brinquedo dele”, contou Mayra.

Mesmo sem posses, a família planeja investir no talento de Heitor
Heitor pratica o laço na fazenda em que o pai trabalha; dificilmente o garoto erra uma laçada

A família, por sinal, possui outros cavaleiros premiados em competições de laço comprido — que entre os gaúchos é conhecida também como “Tiro de Laço”. Na prova, o cavaleiro precisa sair atrás do boi e só lançar os chifres. É preciso, enfim, muita habilidade.
Adriano Pires de Araújo, 25, disse que tem orgulho do filho. “Acho que está no DNA, pois a família toda, por parte da Mayra, é formada por laçadores. Aliás, o Heitor se espelha muito no Ivan ou Éder Barbosa. Mas a verdade é que a gente se surpreendeu ao ver ele, tão pequeno, fazer armada e rodar o laço certinho. É o filho que todo pai queria ter”, disse. Adriano, aliás, também é laçador, mas admite que a falta de recursos atrapalha a participação em competições. “Isto vai ficar para o meu filho, que, se Deus quiser, vai encantar o Brasil”, afirmou.
Mayra contou que, desde pequenino, Heitor não quer saber de brinquedos que não sejam relacionados a cavalos e laços. “Ele nem pensa em celular. A única coisa que assiste são vídeos envolvendo competições de bois, especialmente aqueles do meu primo Éder Barbosa. Não gosta nem de desenhos na televisão”, afirmou.
O menino é tão apaixonado que, às vezes, dá trabalho para os pais logo cedo, quando vê Adriano preparar o cavalo para trabalhar. “Ele chora e quer ir junto. Mas isto nós fazemos questão de dizer: em primeiro lugar, a escola”, afirmou. Heitor vai deixar a segunda etapa do maternal no final do ano, preparando-se para entrar na primeira série. Segundo a família, ele é um bom aluno.
A escola é em período integral. No entanto, é só chegar em casa que Heitor se alimenta rapidamente e já sai em busca do cavalo e da corda.
O garoto já participou de algumas competições. Recentemente, numa cidade vizinha, de três bois ele conseguiu laçar dois. “Foi uma gritaria geral. As pessoas correram para tirar fotos com o Heitor e elogiá-lo”, disse. Heitor compete na categoria mirim, mas vence facilmente pré-adolescentes.
O problema da família é conseguir um cavalo para Heitor, já que os pais não têm recursos. Um bom animal custa em torno de R$ 10 mil. Por enquanto, o garoto usa os da fazenda, mas já reclama que a égua é devagar demais. “É que este animal conhece ele desde criancinha. Já se acostumou”, contou o pai.

FUTURO — Aos 5 anos, o garoto já pensa em seguir carreira no esporte

Incentivo

Avó materna de Heitor, Mariza Pedro Barbosa, 43, foi quem deu o primeiro presente ao neto, um cavalinho de borracha. “Aí começou tudo. Ele não larga do brinquedo até hoje, pulando pela casa e até nos campos da fazenda”, contou.
Nilcelene Batista Pires Araújo, 45, avó paterna de Heitor, também notou que, desde cedo, o garoto iria se tornar um cavaleiro. “É uma criança muito especial. Pego ele na escola todos os dias e fico a tarde vendo ele laçar. Aliás, ele laça vizinhos, cachorros e o que vier pela frente”, disse.
Mas é a família toda quem incentiva Heitor. José Adauto Barbosa, 59, tio do menino e morador de Santa Cruz do Rio Pardo, foi praticamente seu “professor” de laço. “É um orgulho, pois meu sobrinho, mesmo aos cinco anos, já compete com meninos de 13 ou 14 anos”, contou. Adauto já competiu muito na modalidade “laço comprido”. Foi ele, inclusive, quem implantou o esporte em Santa Cruz. E lá se vão 30 anos.
O outro avô de Heitor, Rui Miguel da Silva, é aquele que diverte o garoto. Enquanto o menino pula no cavalinho de borracha, Rui é responsável pela “narração”.
E segura, peão!

* Colaborou Toko Degaspari

  • Publicado na edição impressa de 26/05/2019
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