Centro Espírita tem projeto social

Mães ou gestantes têm aulas de costura no projeto da instituição

Gestantes carentes recebem orientações,
cestas básicas e aprendem costura

Josiane está grávida de 5 meses

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Um atendimento completo à gestante carente é um dos projetos desenvolvidos pelo “Centro Espírita Jesus e Maria”, que existe há 68 anos e cuja sede fica na avenida Tiradentes. Segundo a presidente Cristina Piveta, toda casa espírita deve ter um projeto social e em Santa Cruz os membros decidiram pela ajuda às gestantes de baixa renda, geralmente moradoras da periferia da cidade.
O atendimento começa no terceiro mês de gravidez e continua após o nascimento do filho. Neste período, o Centro Espírita recolhe doações de empresas e famílias de Santa Cruz e entrega um enxoval à gestante e ainda doa uma cesta básica todos os meses.

APRENDIZAGEM — Luciana frequenta o grupo de gestantes há nove anos

Além disso, há pequenos cursos de crochê e noções de troca de fraldas para gestantes de primeira viagem. “Tudo é feito para envolver amor e carinho a estas mulheres. Na verdade, a gente aprende muito com elas também, pois o grupo vira, na verdade, uma espécie de família”, disse.
Cristina conta que os encontros são realizados todas as quartas-feiras, quando as mães ou gestantes trazem até os filhos. O espaço do Centro Espírito possui brinquedos e oferece um lanche para todos.
Durante alguns minutos, existe um processo de evangelização com crianças de 5 a 10 anos numa sala, mas Cristina explicou que a doutrina espírita não é ressaltada. “Falamos muito de Jesus e como todos devem se comportar em família”, explicou.

O GRUPO — Mulheres do “Centro Espírita Jesus e Maria” que coordenam o projeto social da instituição

Benefícios

Josiane Oliveira da Silva, 31, frequenta o programa social há exatos 14 anos, desde que o filho mais velho nasceu. Grávida de cinco meses, ela conta que não se vê longe do grupo. “O pessoal me ajuda muito, mesmo depois do nascimento do bebê. Aliás, eu voltei a fazer bordados”, contou. Moradora da vila Divineia, Josiane disse que o relacionamento com o grupo proporcionou uma convivência melhor em família.
Luciana dos Santos, 32, também moradora da Divineia, frequenta o grupo há nove anos, a idade exata de sua filha mais velha. Mas ela já tem um menino de 7 anos e outra filha de 5. “Eles cresceram e continuamos participando das reuniões. Desde a primeira vez, não saí mais”, disse.
Luciana conta que recebe cesta básica, roupas e cobertores. “Não sei como agradecer. Eu estou fazendo bordados e isto pode, inclusive, ser uma fonte de renda”, afirmou.
Laiana de Cássia, 21, já tem dois filhos, a menor com dois anos. “Eu aprendo bastante coisa e as pessoas nos recebem com braços abertos”, disse.


PIONEIRA — A professora Emiliana iniciou o projeto há mais de 20 anos

Professora já conseguiu mudar opinião
de gestantes que queriam fazer aborto

Professora aposentada, Antônia Emiliana de Paula Bertanha, 75, é uma das fundadoras do projeto social do Centro Espírita e até hoje uma das coordenadoras. Ela disse que, junto com o marido Hélio (já falecido), iniciou a ajuda às gestantes porque percebeu dificuldades em mulheres carentes.
Emiliana conta que o projeto é tão importante que já conseguiu mudar a opinião de mulheres pobres que pensavam em praticar aborto. “Eu acompanhei vários casos com este problema. Num deles, uma mãe contou que queria o aborto da filha adolescente, que estava grávida e foi abandonada pelo namorado. Foram necessárias várias reuniões para que ela decidisse pela vida da criança. E o bebê nasceu lindo”, contou a professora.
Segundo Emiliana, houve dezenas de casos semelhantes e dramáticos. “Hoje, isto já é raro, uma vez que os métodos preventivos já são muito populares”, explicou.
Emiliana ajudou a implantar o projeto no Centro Espírita há mais de 20 anos. “O mais gratificante é que notamos várias famílias se reestruturando, com filhos bem cuidados e estudando. É isto que nos dá forças”, afirmou.
Os cursos de costura, segundo a professora, também conseguem juntar peças para os enxovais doados às gestantes. “Não falamos especificamente sobre a nossa religião, mas especialmente sobre Deus e Jesus. Mas é claro que abordamos orientações sobre a vida delas, já que a maioria é muito carente”, disse Emiliana. Na última quarta-feira do mês, há a entrega das cestas básicas. “Dependendo do número de filhos, algumas famílias mais necessitadas continuam a receber cestas básicas”, contou.

* Colaborou Toko Degaspari

  • Publicado na edição impressa de 23/06/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate