Artigo: ‘O recomeçar do idoso’

O recomeçar do idoso

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

Responda rápido: quantos idosos você conhece que fazem terapia com psicólogos? Responda rápido de novo: quantos idosos você conhece que estão bem desanimados e desmotivados com sua própria vida e até com depressão? Provavelmente para a primeira pergunta sua resposta foi “poucos” e para a segunda foi “muitos”.
Para entender porque os idosos, mesmo com sérios problemas, não fazem terapia para resolverem questões íntimas, é preciso analisar culturalmente nossa sociedade. As famílias brasileiras sempre enxergaram aqueles que têm 60, 70, 80 anos como pessoas cansadas e que já fizeram de tudo na vida. E essa opinião é compartilhada pelos próprios idosos. “Para que isso? Já estou velho”. Essa costuma ser a resposta de boa parte dos idosos quando questionados porque não buscam alternativas para uma vida melhor e para resolver problemas consigo mesmo, muitos carregados por décadas, aliás.
Vamos parar para pensar. Uma pessoa que vive até os 90 anos irá viver 30 anos na condição de idoso. Ou seja, um terço da vida desta pessoa (período extremamente significativo) ela passará cheia de caraminholas na cabeça. Difícil ser feliz assim, né?
Os idosos (e as famílias) precisam entender que eles devem pensar mais na vida do que na morte. Idoso tem o direito de pensar no futuro. Sim, há futuro para os idosos. Recomeçar depois dos 60 significa se reiventar em busca de algo melhor. Melhor até do que quando o idoso era adulto e carregava o peso de algo que naquele momento ele não conseguiu se libertar. As amarras podem e devem ser soltas após os 60 anos.
Infelizmente, alguns idosos têm preconceito com as terapias e medo e vergonha de se expor na frente de um desconhecido. Claro que não é uma situação fácil e confortável no começo, para qualquer pessoa, independentemente da idade. Mas é necessário.
Os idosos são aqueles que mais precisam curar feridas e se libertar de traumas para viver melhor, pois, mais do que qualquer pessoa de sua família, são aqueles que mais carregam frustrações, decepções e dores. Claro que também trazem consigo alegrias e conquistas. Mas sempre tem algo que dói na alma.
Familiares e marido (ou esposa) precisam incentivar os idosos que mostram sinais de depressão por algum problema não resolvido no passado a procurar ajuda. Um exemplo de uma situação clássica: pais e filhos que não conseguem demonstrar todo o afeto de um pelo outro exatamente porque, lá atrás, um acontecimento os distanciou.
Não faz sentido manter essa pedra no caminho. A estrada ainda é longa e cheia de emoções.

Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
Responsável
Técnica pela
AleNeto Enfermagem 

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Proprietário e Editor do Jornal Debate