Balé teve que escolher entre viagem ou reforma

FRUSTRAÇÃO — Balé deveria apresentar em Portugal a coreografia campeã

Grupo conquistou vaga em festival internacional,
mas não viajou por falta de apoio da prefeitura

Diego Singolani
Da Reportagem Local

Os integrantes do Balé Municipal de Santa Cruz do Rio Pardo tiveram de tomar uma decisão difícil: escolher entre viajar a Portugal, representando o município em um festival internacional de dança, ou garantir a reforma no prédio onde são realizados os ensaios do grupo. A condição foi estabelecida pela secretaria de Cultura, que alegou não ter recursos para custear as duas situações. O fato aconteceu em abril deste ano, mas só agora veio a público após questionamentos feitos pelo DEBATE e a confirmação do episódio pela própria pasta.
Em julho de 2018, o Balé Municipal foi um dos destaques do “26º Passo de Arte Festival Internacional de Dança”, na cidade Indaiatuba-SP. Os bailarinos, comandados pelo coreógrafo Robson Willian, conquistaram o 2º lugar na categoria “Danças Populares” e foram indicados para participar do “Festival Internacional de Porto”, em Portugal, que seria realizado em abril deste ano.
Membros do balé ouvidos pela reportagem, que pediram sigilo dos seus nomes, disseram que a expectativa criada para a viagem foi grande e que a secretaria de Cultura, desde o início, acenou com a possibilidade de a prefeitura arcar com as despesas.
Um dos bailarinos disse, inclusive, que eles teriam sido orientados a não buscar outras formas de patrocínio. “Tinha gente já correndo atrás de passaporte”, afirmou.
De acordo com os relatos, no começo deste ano os bailarinos e seus familiares foram chamados para uma reunião com representantes da secretaria de Cultura. “Disseram que tínhamos que escolher entre a viagem à Portugal para 26 pessoas ou a reforma do galpão onde mais de 200 alunos são atendidos pelo balé”, revelou um dançarino. Mesmo frustrado, o grupo optou pela reforma no prédio.

‘Ponderação’

De acordo com a secretaria de Cultura, não houve recusa, mas uma “ponderação” sobre o custeio da viagem. “Firmou-se a ideia dentre todos os envolvidos, que seria mais sensato se investir em melhorias no espaço das aulas do Balé Municipal, que beneficia anualmente mais de 200 alunos, do que se investir em uma viagem internacional que beneficiaria 26 pessoas durante uma estada de quatro dias”, informou o setor por meio de uma nota. Segundo a pasta, o valor cotado para a viagem à época ultrapassou os R$ 270 mil e o investimento na reforma do galpão, que está em andamento, foi de R$ 375 mil.
A secretaria também negou que tenha orientado os membros do balé a não buscarem outras fontes de patrocínio. “Sobre este assunto, a única coisa que merece nota foi o interesse de uma empresa, que dos diversos itens necessários para viagem, mostrou interesse em apenas patrocinar os uniformes, nos quais imprimiriam seu logo. Se houvesse o interesse de se patrocinar a viagem em si, seria muito bem-vinda”, diz a nota.

  • Publicado na edição impressa de 07/07/2019
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