Artigo: ‘O perigo vem das ruas’

O perigo vem das ruas

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

Aqui mesmo nas páginas do DEBATE é comum encontrar reportagens sobre atropelamento de idosos. Infelizmente, a soma de imprudência do motorista com as limitações sensoriais dos idosos acaba muito mal. Em alguns casos, em tragédia.
Em 2017, o governo paulista divulgou uma preocupante estatística da violência no trânsito: um terço das mortes no Estado aconteceram com pessoas com mais de 60 anos. No ano passado, a má notícia veio do Observatório Nacional de Segurança Viária: as maiores vítimas fatais de atropelamentos no Brasil são os idosos.
Para que essas notícias ruins diminuam, são necessárias algumas medidas. Vamos começar pela parte que cabe a nós, profissionais da saúde e leitores. O idoso precisa entender que cuidar do corpo e da mente é uma questão, acima de tudo, de segurança pessoal. Por isso se fala tanto aqui de exercícios físicos e estímulos para os idosos, para que o corpo continue em condições de ser um aliado em momentos de risco, como atravessar uma rua, por exemplo. Não é segredo algum que agilidade e reflexo diminuem consideravelmente em idosos. Por isso, o cuidado com o corpo em quem tem mais de 60 anos é tão ou mais importante do que para os jovens.
Cuidar da visão e da audição também são fatores importantes neste sentido. Alguns idosos são resistentes e relapsos quando o assunto é usar óculos e aparelhos auditivos. Porém, como as mortes no trânsito mostram, essa necessidade vai além de um estilo de vida doméstico. Cuidar da saúde dos olhos e ouvidos pode ser determinante para salvar uma vida. É recomendado exames periódicos para analisar a perda ou redução destes sentidos.
Nesta situação, é comum também a família interferir é proibir o idoso de sair sozinho na rua. É importante analisar todos as situações dentro deste contexto. O idoso tem o direito de ir e vir como qualquer pessoa, independentemente da faixa etária. Proibi-lo de maneira autoritária e abrupta não é o melhor caminho. Claro que, no momento em que a família percebe os riscos que aquela pessoa corre por sair sozinha, é preciso tomar alguma atitude. Porém, essa atitude precisa ter muita psicologia e respeito e, principalmente, deve ser acompanhada de alternativas para o idoso manter sua autonomia. Andadores e a presença de cuidadores, por exemplo, são ótimos aliados.
Por outro lado, a sociedade deve se mobilizar cada vez mais para exigir das autoridades de trânsitos leis e ações específicas para proteger os idosos. E, claro, respeito por parte dos motoristas.
Para o idoso, não basta olhar para os lados antes de atravessar a rua. É importante também olhar para si mesmo.

Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
Responsável
Técnica pela
AleNeto Enfermagem 

 

  • Publicado na edição impressa de 07/07/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate