Jorge Nagle, que estudou em S. Cruz, lutou pela democracia

Jorge Nagle (à direita), ao lado do economista Luiz Gonzaga Beluzzo

Cidade perdeu dois professores
que se destacaram no Brasil

Ex-reitor da Unesp, o professor Jorge Nagle, que morreu em junho, teve um papel decisivo na condução da universidade durante a reabertura democrática do Brasil, nos anos 1980. Ele tinha 90 anos e morreu em sua casa, na cidade de Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo. Nagle nasceu em Cerqueira César, mas passou a infância e juventude em Santa Cruz, onde o pai era dono da loja “A Triunfal”, que ficava na rua Conselheiro Dantas. Ele estudou na antiga Escola Normal, hoje “Leônidas do Amaral Vieira”.
Aliás, Jorge Nagle formou-se professor primário em primeiro lugar na antiga Escola Normal, na turma de 1951, o que lhe valeu a cadeira prêmio no magistério primário estadual. Em 1958, já em São Paulo, Nagle formou-se em Pedagogia pela USP. Nos anos seguintes, iniciou uma trajetória acadêmica brilhante na Unesp, sendo doutor, professor adjunto, professor titular e diretor em duas oportunidades.
No governo de Franco Montoro, foi nomeado reitor da Unesp. Depois, assumiu a secretaria estadual da Ciência e Tecnologia. Foi, ainda, membro do Conselho Superior da Fapesp e do Conselho Federal de Educação. Nagle foi autor de vários livros e condecorado inúmeras vezes.
De acordo com historiadores, Jorge Nagle foi uma figura importante na transição para a democracia, nos anos 1980. Na época, o país vivia um período turbulento, com a explosão do movimento “Diretas Já” em 1984. Foi, então, que o governador Franco Montoro nomeou Nagle para a reitoria da Unesp com base “na vontade da comunidade universitária”.

José Augusto Dias, o acadêmico

José Augusto Dias

Em junho, segundo informou o advogado José Eduardo Catalano, também morreu o professor José Augusto Dias, que nasceu em Santa Cruz do Rio Pardo e se destacou na educação paulista. A exemplo de Jorge Nagle, Dias também se formou na antiga Escola Normal e, em São Paulo, seguiu os estudos na USP.
José Augusto Dias foi colaborador do DEBATE durante anos. Membro do Conselho Estadual da Educação e da Fundação Unesp, o professor ocupava a cadeira número 10 da Academia Paulista de Educação. Autor premiado, escreveu, entre outros livros, “Tempo de Magia”, onde narrou as memórias da infância em Santa Cruz do Rio Pardo.

  • Publicado na edição impressa de 14/07/2019
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