Marechal Bitencourt vive ‘boom’ imobiliário

“NOVA CARA” — Rua Marechal Bitencourt começa a ganhar um novo perfil comercial; na foto, construção de propriedade de Victor Grandini

Rua no centro de Santa Cruz do Rio Pardo se firma
como a terceira principal artéria comercial da cidade

NOVIDADES — Em toda a rua, prédios antigos estão sendo demolidos

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Nos últimos 20 anos, o cenário da rua Marechal Bitencourt se transformou radicalmente, com o crescimento de um comércio forte e a redução das residências. Aos poucos, casarões mais velhos foram demolidos para dar lugar a lojas com design moderno. “A tendência é acabar a área residencial”, confirma o corretor João Rafael Nantes, que ressalta a alta valorização dos imóveis na Marechal Bitencourt nos últimos anos. “Hoje, é até maior do que as duas outras principais ruas comerciais, a Conselheiro Dantas e a Euclides da Cunha”, disse.
De fato, a Marechal Bitencourt vive um “boom” imobiliário sem precedentes. Nas quadras a partir da avenida Tiradentes, várias construções estão sendo erguidas nos últimos tempos. Ainda existem vantagens para os comerciantes, pois a rua é mais larga do que as demais e preserva uma arborização que dá um ar imponente ao espaço.
Segundo o corretor João Rafael Nantes, o setor imobiliário sentiu a corrida por imóveis naquela rua nos últimos anos. “A Marechal Bitencourt tem uma localização privilegiada, pois fica no centro e é paralela à Conselheiro Dantas e perpendicular à rua Euclides da Cunha. A mudança já começa um pouco antes da avenida Tiradentes”, explicou.

Espaço do antigo “Cheiro Verde” deve ganhar um prédio novo

Nantes contou que a via pública está recebendo uma “cara nova” nos últimos tempos, seja pelas construções ou mesmo reformas. Rafael é um dos diretores da Imobiliária Status, que fica exatamente na Marechal Bitencourt. “Na verdade, a farmácia Floratta, que fica na mesma quadra, foi inaugurada com um prédio reformado e, por isso, também resolvemos fazer o mesmo”, conta o corretor. Ele explicou que esta tendência se verifica em várias quadras, com frentes comerciais mudando totalmente a fachada.
Ele confirma que, nos últimos anos, os imóveis da Marechal se valorizaram mais do que as outras artérias comerciais de Santa Cruz. “É difícil justificar este fato. Na verdade, os imóveis da rua eram muito baratos antigamente. Hoje, a Marechal é vista com outros olhos, especialmente porque ainda é fácil estacionar em várias quadras”, explicou.


SATISFEITO — Éder Camilo reformou todo o imóvel comprado pelo pai

Valorização de imóveis supera
as principais ruas comerciais

Quem investiu em imóveis na Marechal Bitencourt nos últimos anos, não se arrepende. É o caso do engenheiro de computação Éder de Jesus Camilo, 35, filho do advogado Ciro Camilo dos Santos, que comprou o imóvel na esquina da rua Quintino Bocaiúva em 1984. O advogado pagou aluguel durante dez anos, até que adquiriu o espaço. Ele morreu num acidente em 2015.
“O prédio é de 1947 e, quando o escritório fechou, percebi uma certa dificuldade em alugar as salas, pois havia comprometimento na construção antiga. Como nem uma reforma compensava, a família optou pela demolição e construção de um novo prédio”, contou Éder.
Segundo o engenheiro, no final da construção já havia interessados em alugar o espaço principal. Na verdade, o prédio em que hoje funciona uma loja de Açaí, ainda possui espaço para três lojas menores. Éder viu que o investimento valeu a pena quando não abaixou o valor do aluguel e, depois de uma certa relutância, fechou o negócio. E havia outros interessados.
Ele calcula que, a partir da construção, o investimento será recuperado em quatro anos. Éder, por sinal, fez algumas sugestões na nova fachada durante a construção, como a colocação de luzes no chão. “Eu vi em São Paulo e achei muito bonito”, disse.

“JÁ ALUGUEI” — Victor, dono de farmácia, já tem espaço alugado antes de terminar a obra

Valorização

O farmacêutico Victor André Grandini Martelini, 48, é outro que está investindo na Marechal Bitencourt. Ele comprou há alguns anos uma antiga pensão que ficava ao lado da farmácia Drogalar e está construindo quatro espaços comerciais térreos e cinco apartamentos no andar superior, com a possibilidade de mais um andar ao longo dos anos. Na verdade, o imóvel já pertencia à família e Victor, como um dos herdeiros, comprou as cotas dos demais parentes. Claro que o casarão não valia muito na época.
“Eu já tinha a intenção de construir”, disse Victor, que é pai de uma menina de onze anos. “Quando ela começar a estudar fora, o investimento terá valido a pena”, avaliou.
O farmacêutico é dono de uma farmácia localizada na avenida Tiradentes, mas admite que percebeu o “boom” comercial na rua Marechal Bitencourt. “É uma tendência. Parece que tudo o que se monta, vai para frente”, brincou.
A construção só deve terminar no início do próximo ano, mas Victor contou que já existem lojas alugadas. “Na verdade, queriam alugar todo o espaço, mas eu preferi terminar o prédio primeiro”, disse o farmacêutico.

* Colaborou Toko Degaspari


Quem foi Marechal Bitencourt

O Marechal Carlos Bitencourt Machado (1840-1897), que dá nome à terceira via comercial de Santa Cruz do Rio Pardo, foi um dos principais personagens da “Guerra de Canudos”, o sangrento conflito armado que explodiu em 1896 no interior da Bahia. Convocado pelo presidente Prudente de Morais, foi o militar quem combateu as tropas de Antônio Conselheiro, na guerra que provocou a morte de 25 mil pessoas.
Talvez por isso, alguns conhecedores da história de Bitencourt não gostavam do nome da rua. Era o caso do ator Umberto Magnani Netto, que morreu em 2015 e abominava o nome da rua onde morava a mãe.
No ápice da tensão, Marechal Bittencourt, então Ministro da Guerra, ordenou a degola de mais de 550 prisioneiros que tinha se rendido, por não poder abrigá-los e alimentá-los. Entre as vítimas, havia feridos, velhos, mulheres e crianças.

  • Publicado na edição impressa de 14/07/2019
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