Atleta de S. Cruz participa de maratona em Minas Gerais

RESISTÊNCIA — Gedeon mostra troféu de participação na maratona

Foram longos 65km de corrida enfrentados pelo
bombeiro aposentado de Santa Cruz do Rio Pardo

O atleta, pouco antes da largada

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O santa-cruzense Gedeon da Silva Lisboa, 51, apaixonado por corrida, já participou de algumas competições. No entanto, o bombeiro aposentado não imaginava que tinha resistência para vencer 65 quilômetros num percurso cheio de obstáculos. No entanto, no início do mês ele conquistou o feito na UAI — Ultra Maratona Internacional —, realizada em Itanhandu, nos morros de Minas Gerais. O 14º lugar entre centenas de competidores nem importou, pois Gedeon percorrer os 65 quilômetros em nove horas e meia. “O prazer do esporte foi o que me renovou a cada minuto”, conta.
Para o desafio, Gedeon treinou forte e chegou a percorrer 1.263 quilômetros. “Eu precisava ver se conseguia participar da prova”, afirmou. Nos treinos, o bombeiro percorria até 40 quilômetros de uma só vez. “No último, foram 50. Fui a Ourinhos e voltei”, lembra.

CALMA — Atleta fez selfies durante o trajeto para tranquilizar família

A largada da prova em Itanhandu, sul de Minas Gerais, foi num frio de 7º C. O posto de abastecimento, onde havia suprimentos — água e frutas —, ficava a 25 quilômetros do início. “AQ maior dificuldade é saber o que priorizar: água ou alimento”, disse. Gedeon levou na mochila dois litros de água e algumas frutas.
Mas a prova também teve 20 quilômetros de subida, a 1.500 metros de altura. A temperatura chegou a ficar negativa. “Vi muita gente querendo desistir”, relata.
Segundo o santa-cruzense, o mais impressionante foi a solidariedade dos participantes. “Se alguém parava, mesmo que fosse para pegar algo da mochila, alguém já parava para ver se estava tudo em ordem”, disse. No final, Gedeon ficou em 14º lugar.

Psicológico

Gedeon no local da aglomerçaão dos maratonistas

Para Gedeon Lisboa, não é apenas o preparo físico que deve ser levado em conta para a prova, mas, também, o mental. “Houve momentos em que eu parei e perguntei a mim mesmo: o que é que eu estou fazendo aqui?”, lembra. “O corpo até esquece das necessidades fisiológicas pela concentração que a prova exige”, emendou.
O atleta admite ter tirado forças até de onde não tinha. “Na subida, por exemplo, você espera que vá acabar logo. E nunca acaba, parece eterno. As pessoas entram em desespero”, afirmou. A descida, então, é ainda mais difícil.
Casado e pai de um casal de filhos, Gedeon afirma não ter problemas dentro de casa para praticar o esporte que ama. “Minha mulher me dá um grande apoio. Meu filho, também”, declarou. Um dos filhos, aliás, pretende acompanhar o pai na UAI do ano que vem.
Uma das maiores dificuldades, segundo ele, são as bolhas no pé que surgem ao longo da maratona. “Quero participar de outra até o final do ano. É preciso um fôlego porque o desgaste físico é muito grande”, disse. Gedeon precisou de três dias para se recuperar totalmente.

  • Publicado na edição impressa de 21/07/2019
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