No mundo da lua!

Chegada do homem à lua, há 50 anos, não teve grande destaque em Santa Cruz

Chegada do homem à lua não empolgou a
população de Santa Cruz do Rio Pardo em 1969

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Há 50 anos, no dia 20 de julho, o astronauta Neil Armstrong dava, em suas próprias palavras, “um salto gigantesco para a humanidade”. Ele foi o primeiro homem a pisar na lua, imediatamente antes do seu companheiro Buzz Aldrin. Os dois eram tripulantes do foguete estadunidense Apollo 11 e aterrissaram o módulo lunar “Eagle” no satélite da Terra exatamente às 23h56, horário de Brasília. O terceiro astronauta, Michael Collins, permaneceu no espaço pilotando o módulo de comando. O feito histórico foi exaltado em todo o mundo e a própria União Soviética, que rivalizava com os EUA na corrida especial, autorizou a transmissão ao vivo do pouso. No entanto, o acontecimento não mereceu grande destaque em Santa Cruz do Rio Pardo, segundo lembra o advogado José Eduardo Piedade Catalano.
Atual assessor da Câmara Municipal, Catalano possui um programa de rádio há mais de 70 anos numa única emissora. Portanto, em 1969 ele estava no ar. “Na verdade, a impressão que a gente tinha é que muita gente não acreditava. Imaginavam que poderia ser um truque de cinema”, lembrou.
Armstrong pisou na lua no final da noite de domingo e não havia tantos aparelhos de TV na cidade para acompanhar ao vivo, pois na época era um produto de luxo. Na segunda-feira, Catalano admitiu que o feito não foi destaque em seu próprio programa. “Naquela semana havia uma programação temática para o Dia do Amigo, criado por um rotariano do Uruguai”, contou Catalano, membro histórico do Rotary Club de Santa Cruz do Rio Pardo e ex-governador do clube de serviço. “A rádio deu a notícia, mas sem destaque. O fato não teve grande impacto em Santa Cruz”, afirmou. “Nem mesmo entre os alunos houve grande repercussão”, contou o professor aposentado. Ele não se lembra nem mesmo de notícias na imprensa escrita de Santa Cruz na época.
Catalano admite que nem assistiu a transmissão ao vivo do primeiro homem na lua. “Eu era minoria, pois sempre acreditei neste fato histórico”, disse. Aos 85 anos, ele disse que foi “privilegiado” ao acompanhar a grande transformação tecnológica ao longo da vida. “Não esperava tudo o que pude ver. Na época da Guerra Fria, por exemplo, os Estados Unidos e a União Soviética [atual Rússia] eram grandes rivais, mas hoje estão juntos na corrida espacial”, lembra o advogado.
Meio século depois, Catalano dá mais importância ao fato histórico em seu programa “Loteria Musical”, na rádio Difusora. “Eu já comentei nesta semana, mas na próxima vou colocar músicas relacionadas à lua”, disse. A seleção não será fácil, pois há muitas canções que exaltam a lua, principalmente sobre namorados.
Mulher de José Eduardo, a professora aposentada Enid Catalano também não assistiu ao vivo a primeira pegada na lua. Em julho de 1969, ela dava aulas numa escola da Usina São Luiz. “Eu me lembro que, na semana seguinte, levei várias revistas e jornais para mostrar aos estudantes a conquista da lua. Uma aluna voltou no dia seguinte e, para minha surpresa, contou que o pai garantiu que tudo não passava de uma grande mentira. Isto me marcou”, disse. “Mas para mim, foi um acontecimento extraordinário”, disse a professora.

O advogado José Eduardo Catalano, 85, admite que não deu muito destaque à proeza em seu programa no rádio

Desconfiança

Depois de 50 anos da conquista da lua pelo homem, ainda há milhões de pessoas que não acreditam que o fato histórico realmente aconteceu. No início do mês, uma pesquisa do instituto Datafolha revelou que, entre os brasileiros, 70% acreditam que Armstrong e Aldrin caminharam na lua durante a missão Apolo 11, mas 26% duvidam do feito. Outros 4% não têm opinião.
A pesquisa revelou que, quanto menor a escolaridade, maior é o descrédito. O índice menor dos que não acreditam está entre aqueles que estudaram em universidades.
Controvérsias à parte, a corrida espacial foi retomada e os Estados Unidos têm planos de voltar à lua até 2024, desta vez com uma mulher pisando no satélite. Mas o objetivo é outro: fazer uma “ponte” para o primeiro pouso tripulado em Marte. A nave está em construção e já tem nome: Artemis, que na mitologia é a gêmea de Apollo, a deusa da lua.

  • Publicado na edição impressa de 21/07/2019
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