Contratação de assessor gera polêmica

POSSÍVEL ASSESSOR — Edson Luiz, ao lado do presidente Pinhata, há tempos está cotado para ser contratado

Presidente da Câmara, Paulo Pinhata recua em nomeação
de chefe de gabinete e agora promete redução de salários

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O presidente da Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo, Paulo Pinhata (MDB), foi protagonista de uma enorme confusão na semana passada, quando tentou contratar um chefe de gabinete e recuou após as críticas nas redes sociais. O problema é que este cargo, que está vago, possui um salário superior a R$ 9 mil. Além disso, o escolhido do presidente é o ex-vereador de São Pedro do Turvo, Edson Luiz de Souza, que até 2017 morava na vizinha cidade.
Edson é bacharel em direito e estava trabalhando como vendedor na loja “Casas Bahia”. Ele deixou o emprego para se preparar para assumir a nova função na Câmara. Fez, inclusive, o exame admissional na última segunda-feira, 22, e entregou toda a documentação na Câmara. Pinhata até encomendou um parecer sobre a contratação ao procurador João Luiz de Almeida Júnior, que deu o aval jurídico para a nomeação.
O único documento que faltava era a portaria do presidente da Câmara para sacramentar a contratação. Isto deveria acontecer nos próximos dias. Entretanto, a informação vazou e o ex-vereador Luiz Carlos “Psiu” Novaes Marques publicou na quarta-feira, 24, uma “denúncia” nas redes sociais. Foi o suficiente para que uma avalanche de críticas atingisse Paulo Pinhata. Aparentemente, o presidente mudou de ideia — ou de estratégia.

PRONTO — Embora diga que “não há nada certo”, o próprio Pinhata exibiu documentação para a nomeação

Contradições

Na quinta-feira, Pinhata concedeu entrevista insistindo que não havia nenhuma contratação. No entanto, a reportagem questionou o vereador sobre a presença de Edson Luiz de Souza no recinto da Câmara e o parecer jurídico autorizando a contratação. Pinhata confirmou as informações, mas insistiu que não havia nada decidido. “Ele estava fazendo um teste nos últimos dias”, alegou.
Na sexta-feira, foi a vez do próprio prefeito Otacílio Parras (PSB) criticar o presidente da Câmara em pronunciamento na rádio Difusora (leia nesta página). Horas antes, Pinhata convocou uma nova entrevista coletiva e provocou ainda mais confusão.
A intenção foi mostrar à imprensa que o cargo de chefe de gabinete foi criado na gestão de Roberto Marsola e mantido, graças aos votos de alguns dos atuais vereadores, na legislatura anterior, quando o presidente era Marco “Cantor” Valantieri. Este, por sinal, demitiu durante sua gestão o advogado Evandro Scudeler, o último ocupante do cargo que, desde então, está vago.
O problema é que surgiram novas informações, como o fato do ex-vereador de São Pedro do Turvo estar ocupando até uma sala no Legislativo, com o nome incluso num ramal para funcionários. O próprio Pinhata, inclusive, levou na coletiva os documentos que provam que a contratação estava em vias de ser consumada. “Estava quase certo, mas nada foi resolvido ainda”, explicou o presidente.
Mudando o discurso, Pinhata admitiu que iria contratar Edson, mas não sabia ainda para qual cargo e nem que o salário de chefe de gabinete era tão alto. “Poderia, inclusive, acontecer uma substituição”, disse o vereador, sugerindo uma demissão no quadro de funcionários comissionados.

Edson fez até o exame admissional para ser contratado

Cortes de cargos

Ontem, Paulo Pinhata anunciou que, após a repercussão do caso, planeja uma reestruturação de cargos na Câmara para possibilitar a redução drástica de todos os salários. No Legislativo de Santa Cruz, há vencimentos de quase R$ 20 mil em cargos comissionados.
“Estão jogando toda a responsabilidade sobre meus ombros. Eu não criei cargo algum e nem vou contratar assessor por este valor”, disse o presidente. Ele explicou que o ex-vereador Edson Luiz ainda pode ser contratado, mas com salários menores e em outro cargo.
Ao mesmo tempo, o presidente disse que vai encaminhar projeto ao plenário para a extinção imediata do cargo de chefe de gabinete. Em relação ao assessor parlamentar — hoje ocupado pelo advogado José Eduardo Catalano —, o presidente vai propor a extinção do cargo em sua vacância.
O vereador lamentou o tom de ofensas que recebeu nas redes sociais. “Muitos que me criticaram, na verdade, têm interesse no cargo”, disse. Ele confirmou, inclusive, ter recebido “propostas indecentes”, como interessados sugerirem o rateio dos vencimentos. “Eu jamais aceitaria uma coisa dessas”, afirmou. Pinhata, entretanto, não entrou em detalhes sobre as tais “propostas indecentes”.
Na mesma semana, o ex-vereador Luiz Edson de Souza confirmou que estava prestes a assumir um cargo comissionado na Câmara de Santa Cruz. Edson também reclamou de “ofensas e mentiras” e disse que a família “está sofrendo com as calúnias”.


CONFUSÃO — Entre idas e vindas, Pinhata ainda não confirmou nomeação

Otacílio ataca Pinhata
e sugere empreguismo

Durante pronunciamento à rádio Difusora na manhã de sexta-feira, 26, o prefeito Otacílio Parras (PSB) “alfinetou” o presidente da Câmara, Paulo Pinhata (MDB) e deu opinião sobre a polêmica envolvendo a contratação de um novo assessor no Legislativo. Ele criticou o fato de um grupo de vereadores, entre eles Pinhata, anunciar que conseguiu projetos para gerar empregos e cursos, durante visitas a autoridades do governo paulista, em especial a reativação do programa Gepoe. “Estas tratativas vêm acontecendo há alguns meses e estas parcerias dependem do município. O Pinhata não conseguiu emprego algum, isto não é verdade. Ele conseguiu emprego é para uma pessoa de São Pedro do Turvo”, disparou.
Para Otacílio, a possível contratação de um novo assessor “é uma coisa meio inexplicável, cômica”. No entanto, o prefeito salientou que a decisão do presidente da Câmara, caso se concretize, não é ilegal, já que o cargo existe.
No mesmo dia, o prefeito aproveitou para criticar o valor dos salários pagos pela Câmara de Santa Cruz do Rio Pardo que, segundo ele, são superiores às mesmas funções na prefeitura.
Otacílio Parras opinou que a redução de salários é possível, através de uma lei da Mesa da Câmara, quando se trata de cargos comissionados.

  • Publicado na edição impressa de 28/07/2019
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