Comunidade contra o crime

PARCERIA — Moradores do Jardim União aderiram ao programa ‘Vigilância Solidária', com apoio da PM

Em parceria com a Polícia Militar, moradores do União
articulam ações preventivas para a segurança do bairro

OSTENSIVO — Placas e faixas alertam sobre vigilância em todo o bairro

Diego Singolani
Da Reportagem Local

‘Segurança pública precisa ser de todas as pessoas e feita por todas as pessoas”. A definição é do Tenente Romero Lucas Franco e expressa exatamente o conceito do programa “Vizinhança Solidária”, da Polícia Militar. Implantado em Santa Cruz do Rio Pardo no mês passado, a iniciativa busca articular ações preventivas contra a criminalidade em parceria com os moradores. A primeira experiência acontece no Jardim União, onde mais de 50 famílias aderiram ao programa. A intenção da corporação é expandir o trabalho para outros bairros da cidade.
O Vizinhança Solidária foi criado em 2018 através da Lei 16.771 aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O programa estabelece um conjunto de medidas que visam conscientizar a população sobre a importância e responsabilidade do seu papel na segurança da comunidade. Além disso, ações de prevenção primária, orientadas pela Polícia Militar, são colocadas em prática pelos moradores, com o objetivo de evitar ou reduzir a ocorrência de crimes. “Dentre essas medidas, destaca-se o monitoramento de pessoas estranhas ao ambiente, a fim de dissuadir ações que possam atentar contra a ordem pública”, explicou o Tenente Franco. O programa é de adesão voluntária, aberto a qualquer pessoa e pode ser implantado em qualquer localidade.
Em Santa Cruz do Rio Pardo, um grupo de moradores do Jardim União interessados na proposta procurou a Polícia Militar. No dia 26 de junho deste ano, após reunião na sede da corporação, ficou definido que o bairro seria o primeiro do município a desenvolver o programa. “Outros moradores que não puderam comparecer no dia da reunião também se interessaram, logo após, quando viram algumas faixas e placas do programa espalhadas no bairro”, revelou o Tenente Franco. Até o momento, 51 famílias já aderiram ao Vigilância Solidária, somando, aproximadamente, 78 pessoas.

População e Polícia Militar: uma parceria para melhorar a segurança

Sensação de segurança

SEGURANÇA — O morador Fábio diz que sensação de segurança aumentou

Após as orientações da Polícia Militar, uma das primeiras medidas tomadas pelos moradores do Jardim União foi a criação de um grupo no WhatsApp. Nele, são compartilhadas informações sobre a rotina do bairro e eventuais movimentações suspeitas. Alguns membros são escolhidos como tutores. Como representantes, eles mantem contato direto com a corporação e também repassam as informações da Polícia Militar aos vizinhos. De acordo com o Tenente Franco, a PM promove reuniões com os moradores e ministra palestras periódicas para orientação e esclarecimento sobre ações comunitárias preventivas e medidas de segurança. Além disso, o programa também contribui para a coleta de dados relativos aos locais e horários de maior incidência criminal. “Uma das ações se chama ‘Visita Comunitária’, que consiste no contato periódico do policial militar com os integrantes da comunidade, com a finalidade de estreitar as relações e criar vínculos de confiança mútua”, declarou o oficial. Placas nas casas e faixas em algumas ruas do bairro também foram instaladas, informando que o local é monitorado e que qualquer atitude suspeita será relatada imediatamente à Policia Militar.
O encarregado de serviços gerais Fábio Rodrigo Ramos, 42, é um dos moradores que aderiu ao programa. Ele vive há seis anos no Jardim União, com a mulher e os três filhos, e diz que a sensação de segurança já é outra. “Felizmente, ainda não precisamos denunciar nenhum crime, mas é bom saber que temos essa ferramenta se precisarmos”, afirmou. Fábio ficou sabendo da iniciativa através do vizinho, que é policial militar, e decidiu apoiar desde o início. “Além de morar, eu também trabalho no bairro, do lado de casa. Hoje em dia a segurança é uma das principais preocupações da população. É uma questão de bem-estar”, disse. “O nosso grupo também aproximou os moradores, isso é importante. Agora todos ficam sabendo o que acontece no bairro, além das orientações da polícia”, afirmou Fábio.
Para o Tenente Franco, a colaboração da comunidade torna o sistema de segurança pública mais eficiente. “É dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. A sociedade deve ser estimulada a participar do processo de formação de ideias e propostas para propiciar mecanismo voltados ao controle e redução dos indicadores criminais, diminuindo a violência, sobretudo no que tange à perda de vidas e prejuízos aos bens”, disse. “Buscamos a conscientização de que a solidariedade entre vizinhos, em termos de segurança, pode ser uma ferramenta facilitadora do policiamento, estreitando os vínculos sociais positivamente, dando a cada morador uma parcela de responsabilidade na segurança de seu vizinho. Assim, todos têm o sentimento de pertencimento àquela comunidade, fazendo as ações em prol de um bem comum”, avaliou o Tenente. De acordo com o oficial, a Polícia Militar está buscando pessoas de outros bairros de Santa Cruz do Rio Pardo que tenham vontade de fazer parte do programa.

  • Publicado na edição impressa de 28/07/2019
Sobre Sergio Fleury 5840 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate